Responsabilidade
Social e Concursos de Samba em Todas as Escolas Já!
Por
Wemerson Torres*
Desculpem-me a repetição da ladainha de todos os anos, mas não dá pra ficar calado diante de tantas distorções, e incoerências que vemos nas escolas de samba capixaba. Alguns tecnocratas dizem resolutos “As escolas de samba têm de crescer. Se profissionalizarem! Precisamos trabalhar neste sentido”. Mas, nada de concreto tem sido feito para que isso aconteça com todas. Podemos perceber isso com clareza. Basta listar as escolas que possuem uma abertura para a comunidade e logo veremos quão reduzido e vergonhoso será o número.
Estamos num período delicado para as escolas de samba. Época em que muitas delas são alvos fáceis de críticas, algumas fundadas e outras infundadas. Mas, todos dizem respeito a um só tema: como uma escola pode crescer sem a participação popular nos pequenos detalhes!
Um bom exemplo, só para estarmos bem situados nas discussões contemporâneas, diz respeito a concursos de samba enredo. Um assunto que arrepia alguns presidentes de escolas só de ouvir menção do assunto. Talvez o diabo não fuja tanto da cruz, quanto alguns presidentes deste assunto. O que falta é consciência política e posicionamento ético. A comunidade deve fazer parte do processo de escolha do hino da escola. E essa medida é urgente!
Vamos raciocinar! A maioria das escolas recebe subsídios das prefeituras. Pequeno mais recebe. Isto é fato. Todas as verbas públicas de acordo com a constituição devem ser aplicadas em benéficos da sociedade civil e a sociedade tem o direito de fiscalizar essa verba. Tem escola que nem conta presta, mas isso é outro assunto. O que estou querendo dizer, na verdade, e com todas as letras é; se as escolas usam o dinheiro do povo tem que devolver isso em bem-estar social, de alguma forma. Tem de devolver em formas de oficinas, projetos pedagógicos de intervenção escolar, escolinhas de esportes, de artes, poesia, biblioteca alternativa...só para citar alguns exemplos. Tiro o chapéu para algumas escolas que acordaram para este assunto e que de alguma forma estão tentando dar os primeiros passos neste sentido.
MUG e Jucutuquara têm sido exemplos para outras até nisto. Como se não bastasse serem as escolas que mais investem na produção do desfile, também são as que estão começando a ter uma pontinha de preocupação com o social, a MUG com o “MUG do Futuro”, e a Jucutuquara com o “Capoeira no Samba”. São projetos introdutórios pequenos, mas que fazem muita diferença num universo de escolas despreocupadas com a formação do cidadão.
Isso não é difícil, basta começar. Todas as escolas deveriam criar imediatamente Escolinhas de Bateria, porque instrumento todas tem! Só falta conversar com o mestre para ensinar a meninada. No início vão sair batuques difusos, mas depois as coisas vão se acertando. Aí a escola vai ta fazendo um trabalho social e ao mesmo tempo, investindo na renovação de seu quadro de ritmistas. Não custa tentar. Vamos começar a nos preocupar com essas coisas. Se a criança está tocando não vai estar na rua fumando ou roubando, ou correndo o risco de e viciar. Socializar é uma forma de salvar vidas. O samba tem de ser responsável!
Forte abraço a Todos!
VER COLUNAS ANTERIORES:
1- Lugar de apuração é no Sambão, junto aos sambistas
2- E por falar em Barreiros...
* Wemerson Torres é formado em Letras pela UFES, membro da diretoria de comunicação da MUG e Colunista dos sites Carnaval Capixaba e Viva Samba. Sugestões, críticas, elogios, etc. Entrar em contato via e-mail: wemersontorres@yahoo.com.br
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