O QUESITO MAIS IMPORTANTE...
por Renato Augusto Vieira Cavassani (Mestre Renatinho)

BATERIA: Ela é o coração responsável pelo canto e pela dança, mas para muitos de seus integrantes é sinônimo de bebida, pessoas de baixo nível social e cultural. Mas na verdade são músicos sem formação acadêmica, que tocam sem nenhuma remuneração, somente por amor a sua agremiação.

Podemos dizer que existem 03 tipos de Bateria:

A Leve: cujo som predominante é os naipes agudos;
A Pesada: cujo som predominante é os naipes graves;
A Intermediária: cujo som se divide em graves e agudos.

FORMAÇÃO DE BATERIA: A maioria delas seja do Rio, de São Paulo e de Vitória, tem como base:

- Surdo de 1ª: é o que dá andamento ao samba, sendo a base para os intérpretes. Sua afinação varia de acordo com a escola, umas com ele grave, outras com ele agudo (Mocidade Independente de Padre Miguel).

- Surdo de 2ª: é o contra ponto do samba, serve como resposta para o surdo de 1ª. Sua afinação varia de escola para escola, umas com ele agudo e outras com ele grave.

- Surdos de 3ª: aparece entre o surdo de 1ª e de 2ª. É o que dá o swing. Sua afinação pode ser um pouco mais agudo do que o de 2ª, varia de escola para escola.

- Surdos de 4ª ou de Marcação Contínua: mesmo ainda não sendo dito como surdo de 4ª vê que ele é bastante usado no Rio e em São Paulo. Excepcionalmente no Estado usado pela bateria da Mocidade Unida da Glória (MUG). Tendo como função sua marcação contínua do inicio ao fim fazendo base para o andamento do samba. Sua afinação é a mesma do surdo de 3ª.

- Caixas de guerra e tarol: um dos instrumentos mais importantes na bateria, são eles que ditam o andamento do samba junto com os surdos, fazendo os floreios (ornamentos melódicos), sua batida varia de escola para escola.

- Chocalho: responde como se fosse caixa de guerra. Seu uso varia de acordo com o mestre, podendo ficar sem tocar passagens inteiras do samba.

- Repique e repenique: responde para as caixas e taróis. Muito usados nas viradas e paradinhas.

- Tamborins: o mais importante. É o que faz o desenho (solo do samba).

- Cuíca, agogô, reco-reco, prato e frigideira: pouco usados em nosso carnaval, faz um molho todo especial no samba.

AFINAÇÃO: Gera-se uma grande polêmica de quem está certo ou errado quando se fala de afinação de bateria em nosso carnaval, tendo como base as do Rio e as de São Paulo, creio que todas estão certas, pois sabemos que cada bateria possui sua afinação, seu andamento e sua formação.

Por outro lado, em nossas baterias não há uma característica especifica que a possa identificar somente pela batida, pois o que presenciamos são mudanças contínuas de ano para ano, de afinação, de andamento e formação, anulando assim que a bateria de cada escola tenha uma essência. Digo isso embasado na bateria da Mangueira que não foge as suas tradições podemos identificar sua batida de olhos fechados, pois mesmo havendo a mudança de mestre, ela jamais fugirá a esse modelo. Em nossas agremiações isso acontece por culpa da diretoria e dos mestres que ao assumir tal comando modificam totalmente a característica de cada bateria.

O mestre de bateria tem a incumbência de ensinar a comunidade (crianças, adolescentes, adultos e idosos), a serem verdadeiros músicos, e conscientizando os ritimistas que o samba é humildade, dedicação, e acima de tudo respeito de uns com os outros, pois como já nos disse uma sábia senhora que “mestre é aquele que transfere o que sabe e aprende o que ensina”. É claro que para um bom desempenho de toda a agremiação no desfile é necessário que os quesitos sejam julgados, podendo até mesmo faltar destaques, carros alegóricos, etc.; porém de suma importância, o indispensável e intransferível para esta é o seu coração chamado: BATERIA.

(Dedicado este texto a todos os Mestres de Bateria)


* Renato Augusto Vieira Cavassani (Mestre Renatinho – Mocidade Unida da Glória - MUG)

 


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