COMPOR É UMA ARTE, CONCORRER É UM GASTO!
por
Max Ney Telles
Vimos
nos últimos dias a movimentação nas quadras das escolas
para o início dos trabalhos preparativos para a escolha dos sambas
que serão apresentados no carnaval 2010.
A sinopse é o inicial de tudo, pois é o guia que o compositor
seguirá para compor o samba, que nada mais é do que o hino
da escola. Para compor um samba, não é preciso formação
superior, nem uma técnica especifica. É preciso de, um pouco
de conhecimento adquirido no dia a dia do samba e mais que isso, ter o dom
de poeta, sentimento, percepção, enfim, compor um samba é
uma arte. Entretanto, enganam-se, quem pensa ser tudo "uma maravilha"
nesta tarefa de escrever um samba.
Todo o processo de composição do samba é oneroso para
aquele que compõe; primeiro formar-se sua parceria e aguardar com
ansiedade a divulgação do enredo e a sinopse.
Para inscrever o trabalho na escola e concorrer com os outros inscritos,
o compositor tem diversos gastos, como: Honorário do puxador ou puxadores,
gravação do CD para entregar junto à letra da música
e posteriormente, outros gastos, com torcida, cópia da letra para
o publico, ônibus, bebidas, para a torcida de seu samba, e tudo do
bolso dos compositores.
Talvez esteja na hora das escolas inovarem-se neste processo de escolha
de samba, juntando a esta etapa, um concurso para escolha de seus puxadores
(cantores). A escola poderia, ter o seu puxador oficial e outros escolhidos
no processo de escolha do samba. Como?
1. Um exemplo: Se houvessem 12 sambas inscritos para concorrerem e 04 ou
06 candidatos a puxadores do samba da escola:
A – Cada puxador inscrito seria sorteado a puxar (cantar) dois a três
sambas inscritos;
B – O puxador daquele samba vencedor faria parte da ala de puxadores
da escola, inclusive na gravação do CD;
C – Outra despesa que deveria ser assumida pela escola, é a
gravação do CD para apresentação no ato da inscrição.
Com os avanços tecnológicos existente atualmente, quem sabe,
as escolas adquirissem algum equipamento que acoplasse ao seu sistema de
som que possibilitassem a gravação dos CDs, assim como também,
utilizassem os instrumentos e batuqueiros da escola neste processo,
D- A premiação seria dividida entre o compositor e o puxador
do samba vencedor.
Tal procedimento, sem dúvida, desoneraria o compositor da obrigação
de contratar e pagar alguém para defender seu samba, possibilitando
também, o lançamento de novos puxadores/cantores no estado
do ES, além de tornar a disputa mais atraente financeiramente, para
compositores e puxadores, e mais empolgante para o público.
* Max Ney Telles é funcionário do Banestes, poeta e formado em Biblioteconomia pela UFES.
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