ALÉM DE ALEGORIAS E ADEREÇOS
por Leonardo Soares

Estou de volta ao Viva Samba, desta vez para falar um pouco sobre a minha experiência nos barracões das escolas de samba no período de preparação para o carnaval de 2009. Antes de mais nada, gostaria de explicar que estive na maioria dos barracões para fazer as reportagens especiais sobre os preparativos das agremiações para o último carnaval. As matérias foram ao ar na Rádio CBN e também no portal Gazeta Online.

Nessas visitas pelas comunidades, a gente acaba vendo de tudo um pouco. Encontrei muita história legal como no barracão da Rosas de Ouro lá em Serra Dourada, por exemplo. Chegando no local, me identifiquei, e ao entrar no barracão tinha muita gente trabalhando. Mas me chamou atenção a quantidade de crianças que estavam ali trabalhando com tanta vontade, foi bonito de se ver.

Havia uma menininha de no máximo quatro anos, que como não sabia fazer fantasias e nem tinha idade para isso, saía recolhendo tudo que era brilhoso pela frente e entregava nas mãos da mãe, que colava fantasias no barracão. Infelizmente já não lembro mais os nomes das pessoas, mas perguntei a essa menininha o que ela estava fazendo e ela, tirando a chupeta da boca, me respondeu: “fantasias pra minha escola desfilar”.

E não era só essa menina, os irmãos também ajudavam a mãe e havia pelo menos mais oito crianças e adolescentes dando duro pra ajudar na confecção das fantasias ou no que fosse preciso. Naquele dia foi muito bom voltar para a redação e escrever a matéria, eu confesso que ganhei a semana.

Outra situação que me deixou bastante feliz durante a realização dessas matérias especiais de carnaval foi quando fiz a reportagem da Unidos da Piedade. A escola vinha de um último lugar em 2008 e eu estava preocupado, não queria fazer uma matéria abordando nada negativo sobre a escola, mas estava com medo de não encontrar muita coisa pra contar nos preparativos da escola. Quando cheguei ao barracão de esculturas, não encontrei o carnavalesco Alex Santiago, que eu iria entrevistar. Fui ao barracão de alegorias, e nada. Voltei ao barracão de esculturas e fiquei esperando. Fui muito bem recebido pelos trabalhadores do barracão, que não me deixaram ir embora de jeito algum.

Daqui a pouco chega o Alex exausto, na correria. Ele estava fazendo compras para o trabalho nas esculturas. Ao começar a entrevista, lembro-me que a primeira pergunta que fiz ao Alex foi “O que a Piedade quer trazer em 2009?”, e de cara ele já disparou “O que queremos principalmente é recuperar todo o orgulho que o torcedor da Piedade sempre teve e que foi perdido no último carnaval”.

Aquela situação foi tocante. Afinal, não é nada fácil sair de uma última colocação e dar orgulho aos torcedores com um bom resultado. Mas a cada depoimento colhido com o carnavalesco, o presidente, a rainha de bateria ou um membro da comunidade, eu percebia que a vontade de fazer bonito e de mostrar respeito era generalizada na Piedade. E todos, sem exceções, falavam de garra, de força de vontade e de muito trabalho. E deu no que deu. Quarto lugar!

Essas são apenas duas das situações vividas nos barracões durante todo o período de pré-carnaval. É claro que também aconteceram coisas muito desagradáveis, que deixo para o próximo texto. Mas esses dois casos que eu falei acima mostram claramente que por trás de tudo o que vai para avenida, há seres humanos. Há pessoas que dão o sangue e que superam os próprios limites por amor ao carnaval.

PARABÉNS, SAMBISTAS.

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* Leonardo Soares é ritmista da Mocidade Unida da Glória, estudante de Jornalismo da UVV, repórter da Rádio CBN e faz parte do Blog do Carnaval do Gazeta Online.

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