O
SAMBÃO É TESTEMUNHA (1)
por
Jackson Luiz
Amigos sambistas
capixabas, saudações... Volto a esta coluna pra lembrar um
pouco do nosso carnaval, e mais especificamente da época da inauguração
do Sambão do Povo até os dias de hoje, vocês assim como
eu temos saudades dos carnavais que passaram? Somos amantes do samba que
ao contrário do que muitos pensam, que deveria ser igual ao carioca,
eu penso que nosso carnaval tem beleza própria, em 1987 o sonho se
tornava realidade para o sambista capixaba, o SAMBÃO DO POVO, um
espaço merecido pra quem lutou contra todo o preconceito por ser
sambista, e ele é testemunha de fortes emoções do nosso
carnaval, vamos relembrar algumas delas? ... Agora o samba tem casa.
1987 - Quando o Sambão do Povo recebia pela 1ª vez o espetáculo capixaba, depois do título da Unidos da Piedade em 1986 na Reta da Penha, as escolas começavam a escrever a nova era do nosso carnaval, uma rivalidade acirrada ainda rendia muitas emoções, Novo Império e Unidos da Piedade mantinham a hegemonia, desta vez a Novo Império teria a vantagem de “jogar em casa” e não foi diferente a Família Imperiana bateu no peito e gritou “Sou eu, Sou eu” a escola de Caratoíra é a primeira campeã da era Sambão do Povo, com a Unidos da Piedade chegando em 2º num belíssimo carnaval, destaque para a MUG em 3º, Unidos de Jucutuquara campeã do Grupo de Acesso e a irreverência de Originais do Contorno e União Jovem de Itacibá.
1988 - A Novo Império confirma o favoritismo deixando a principal rival a Unidos da Piedade pra trás e se consagrando bicampeã em plena “Magia da Noite” era bonito de ver a torcida imperiana sempre fiel, e o destaque deste ano se da ao vice-campeonato da Unidos de Jucutuquara que vinha do Grupo de Acesso e da Lira do Moscoso que conseguia subir pro Grupo 1.
1989 – A Novo Império se sagra tricampeã, deixando claro a sua hegemonia, e grita “Acorda Brasil” surge uma 3ª força no nosso carnaval Unidos de Jucutuquara é vice-campeã mais uma vez num desfile emocionante tentando ser “Rei por um dia”, no desfile das campeãs a escola foi aclamada pelo público com gritos de “é campeã!”, destaque para Chegou o que Faltava com o “Periquito da Sorte” conseguindo o 3º lugar, pra Arco-Íris que subia pro Grupo 1 e para Originais do Contorno com a polêmica e irreverente “Tevezona canal 2001” lembram disso ?
1990 - A Unidos de Jucutuquara confirma a sua ascensão fazendo “Na mistura da torta a nossa mistura” e ganha o título do carnaval capixaba, com a MUG chegando em 2º (essa rivalidade prometia), Novo Império, São Torquato e Unidos da Piedade vão ficando pra trás, a coruja fez um desfile belíssimo com o dia claro e marcou de vez o seu nome no carnaval capixaba, destaque para a ausência da Lira do Moscoso (que pediu dispensa do desfile) e pra Boa Vista que subiu para o Grupo 1.
1991 - Eis que surge uma polêmica, São Torquato e Unidos da Piedade fazem desfiles magníficos e dividem como nunca o favoritismo do carnaval, a São Torquato como “Sinfonia de um Espectro” vence e a Unidos da Piedade ficou com o vice-campeonato, mas as estruturas do samba estavam abaladas, regulamentos estranhos e 3 ligas... Começou ai os problemas do nosso carnaval, desta vez o destaque é negativo, um balaio de gato que ninguém entendia e faltava transparência para as decisões.
1992 - Chega 1992 e com ele o caos na organização do carnaval, na avenida foi emocionante São Torquato e Novo Império fazem o público chorar e refletir com seus enredos, a São Torquato leva o bicampeonato merecido, mas fica “A hora e a vez do Descaso” com a organização do carnaval, sem gravação dos sambas e sem nenhum crédito na organização, em protesto a Unidos de Jucutuquara não passou pela avenida e terminava assim a participação do Sambão do Povo na vida do folião capixaba... Terminava?
Em
breve a continuação desta história...
* Jackson Luiz é ritmista da Unidos da Piedade.
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