ENSAIO
TÉCNICO DA SÃO TORQUATO NO SAMBÃO DO POVO
por Gustavo Fernando
Primeiramente gostaria de pedir desculpas as agremiações
Novo Império e Pega no Samba por infelizmente não poder
estar presente em seus respectivos ensaios, sendo assim, vou ter que
aguardar ansioso pelo desfile oficial para descobrir todas as surpresas
preparadas por essas fortes e tradicionais escolas de samba do carnaval
capixaba, que segundo comentários, tiveram como destaque uma
participação maciça de suas comunidades e uma excelente
atuação de suas baterias.
Voltando ao ensaio da São Torquato que ocorreu no domingo dia 29, parabenizo a agremiação que apesar do público morno, esvaziado tanto por concorrer com dois grandes ensaios (MUG e Jucutuquara) que ocorriam no mesmo horário ou um finalzinho de domingo que não nos deixa sair de casa, foi a única das que ensaiaram no Sambão do Povo que respeitou o horário estipulado e começou seus trabalhos por volta das 20 horas.

A agremiação trouxe um número de componentes mediano mas todos os segmentos do desfile oficial estavam representados: Comissão de frente, mestre sala e porta bandeira (todos os casais), bateria, passistas, carro de som, velha guarda e um bom número de pessoas da comunidade.

A abertura do ensaio ficou por conta de uma comissão de frente com interessante coreografia (além de bem ensaiada) que deu ao público uma certa noção das surpresas guardadas para seu desfile oficial, logo após veio o primeiro casal de mestre sala e porta bandeira Kleyson e Alana, que debutam este ano nessa função, realizando uma coreografia correta mas confesso que senti falta da explosão da porta bandeira (sua característica nos giros e meia-voltas) e o fato do casal só dançar em frente as cabines dos jurados, fato preocupante e que nos últimos anos foi fator determinante em perda de décimos para os casais capixabas, além de outro fato também perigoso, a grande distância do casal durante a coreografia para a cabine de jurados, podendo resultar no entendimento do julgador, falta de proteção ao pavilhão e também falha no cortejo em relação a porta-bandeira.

O quesito samba, um dos grandes destaques do carnaval da escola e que presta uma merecida homenagem a carnavalesca Rosa Magalhães, teve uma apresentação correta mas abaixo do esperado, faltou vibração e também qualidade ao carro de som, conta ainda o fato do intérprete oficial Ricardinho estar com o microfone baixo (pouco podemos degustar de sua grande qualidade) revelando assim, uma certa fragilidade de sua equipe de apoio.

A bateria cumpriu sua missão de manter a sustentação e cadência do samba-enredo, além de realizar ousadas e criativas “bossas”, mas também senti falta de material humano em diversos segmentos da bateria para dar sustentação aos devaneios do mestre Renato, além disso, ao entrar no recuo, a bateria ousou em realizar uma entrada inovadora onde a ala de passistas e integrantes da bateria se misturam para evitar um possível problema na evolução, só que soa aos meus olhos como arriscar demais, uma vez que no manual do julgador pesa o fato do quesito EVOLUÇÃO falar em manutenção uniforme do espaçamento e retrocesso, encontro de alas, mas conforme conversa com o presidente Betinho, a agremiação prefere ser reconhecida pela ousadia e entreter o público do que supostamente perder alguns décimos por essa arriscada estratégia.

No todo,
o ensaio técnico da São Torquato foi correto, ousado,
um pouco morno para os padrões das últimas apresentações
da escola (vide ensaio do Pega no Álvares Cabral), mas pelos
fatos relacionados acima, foi um ensaio onde prevaleceu desafios e para
a agremiação, sucesso.
Viva o Samba é até o próximo ensaio técnico,
Abraços,
* O Colunista Gustavo Fernando é estudante de Comunicação Social, sambista, comentarista de carnaval da Rádio ES AM, compositor e pesquisador de Carnaval.
Sugestões, críticas, elogios, etc. Entrar em contato via e-mail: gusfcoutinho@yahoo.com.br