ANÁLISE DOS SAMBAS CAPIXABAS DE 2010

Infelizmente essa coluna vai chegar primeiro que o CD de 2010, a felicidade geral de todo o mundo do samba capixaba que em 2009 viu o mesmo chegar antes do natal não aconteceu esse ano e só resta esperar que o CD de 2010 chegue antes do grito de guerra da primeira escola a desfilar no Sambão do Povo, uma fatalidade imperdoável para o samba capixaba.

Vamos falar de samba, essa análise foi baseada em uma cópia do CD original realizada pelo produtor do CD 2010 e diretor musical da LIESES, Rodrigo Tristão, sendo assim, muito mais perceptível e digno de uma audição do que a qualidade das obras que estão disponibilizadas no site da própria LIESES (perdem qualidade dependendo do som). Com relação à gravação oficial, que vêem recebendo muitas críticas em relação ao andamento da bateria, sambas lentos e voz dos intérpretes muito nítidas (demonstrando facilmente suas limitações), concordo em parte.

Com relação ao andamento da bateria no CD, conforme o próprio Rodrigo Tristão afirma, foi gravada com 144/143 bpm, nada tão distante de uma realidade que gira em torno de 145/146/147 bpm das baterias capixabas ou cariocas, sendo assim, a maior diferença percebida por mim e por todos que escutaram o CD é a diferença gritante entre o samba e a atuação do intérprete no CD em relação a sua apresentação na quadra das agremiações, talvez por isso, seja uma tendência no carnaval carioca a gravação AO VIVO e com coro, uma vez que facilita a transparência e características reais de um desfile oficial (baterias com andamento acelerado e intérpretes com mais “ginga”, menos técnica e muito mais alegria). No restante, o CD foi muito bem produzido, realizado com muito cuidado e tentando ao máximo manter a qualidade e melhorar as obras desse ano, um ano em que os grandes sambas são melhores do que os do ano passado, mas no geral temos uma safra fraca em relação ao ano passado (tanto em letra quanto melodia), mas podemos com um respaldo maior, obter obras ainda mais qualitativas e bem estruturadas. Chamo atenção para as ótimas passagens do Violão de sete cordas e cavaquinho durante todo CD, recurso muito bem utilizado que só abrilhanta os sambas e demonstram o cuidado com que os mesmos foram gravados, aliás, é bom também notarmos quanto os sambas melhoram na segunda passada do samba, intérpretes mais a vontade e junções Samba/bateria perfeitamente casadas, uma maravilha de se ouvir.

Novamente, só para situar o leitor, o quesito Samba-Enredo foi analisado assim como será julgado no desfile oficial, avaliando letra e melodia da obra, o intérprete não conta ponto, mas sua interpretação ajuda no sucesso da obra defendida, por isso será também analisado.
* Adequação da letra ao enredo;
* Riqueza poética, beleza e bom gosto;
* Objetividade, clareza e precisão;
* Adaptação de letra com melodia, perfeito entrosamento dos versos com desenhos melódicos;
* As características rítmicas do samba;
* A riqueza, beleza e bom gosto dos desenhos musicais;
* A capacidade de sua harmonia musical facilitar o canto e a dança dos desfilantes;

Os sambas estão na ordem do desfile oficial.

SEXTA-FEIRA (05/02)

01-CHEGOU O QUE FALTAVA
“ Docete Omnes Gentes-A Academia vai ao samba”
Compositores: Zinho, Attilio, Maneco, Arildo e Marquinho

O samba sobre a UFES se inicia muito bem, com um refrão principal de boa letra e bela melodia (O meu cantar vai ecoar, quanta alegria/passei no vestibular/Hoje tem Chegou na academia), melodia que emociona e abrilhanta toda primeira parte do samba .Esse primeiro trecho do samba é gostoso de ouvir e sua melodia apesar de simples é diversificada, chegando ao ápice com seu ótimo refrão do meio (Na engenharia, construí/no campo do direito me formei/salvei vidas, na medicina/nas letras me realizei), um dos melhores refrões do ano. Já na segunda parte o samba se perde e muito, a sua qualidade se mantém até o trecho (“perdidos nas imensidões...), depois disso a melodia e letra perdem qualidade, se tornando simples e mal estruturadas, facilitando para um samba admirável e belo não conseguir manter sua qualidade. Esse trecho poderia ser esquecido ou melhor trabalhado “As formaturas no teatro, sensacionais/revelando lideranças, nacionais”. A Chegou o que Faltava, se conseguir desfilar essa ano, vai contar com um bom samba para acrescentar e muito em seu desfile. NOTA 9.5

02- BARREIROS
“ Na Evolução dos Transportes, Barreiros avança atrav´s dos tempos”
Compositores: Marquinho, Attílio, Maneco, Arildo, Zinho, Washington

Marquinho Gente Bamba inicia o samba 2010 da Barreiros com seu refrão que acaba não saindo da cabeça da gente, no ano passado a agremiação teve um dos melhores sambas mas esse ano perdeu um pouco em qualidade, continua com a característica da escola, uma obra animada e de fácil assimilação para os componentes, mas abordou de maneira menos abrangente um enredo que poderia render um ótimo samba. O refrão principal é empolgante e cumpre o seu papel perfeitamente (animação), o primeiro trecho da obra possui boa letra, com ótimas soluções(Movendo civilizações/no avanço da ciência construiu/a maior de suas invenções), fazendo um elo com o refrão do meio, totalmente oba, oba (Roda gira, gira roda, vamos girar/ no embalo dessa roda minha escola vai passar), uma solução bem idealizada pelos compositores. Mas não gosto do fato da melodia ser “atropelada” ao final tanto do primeiro trecho (A maior de suas invenções) quanto do segundo (vai conquistando o espaço sideral), a sensação a todo tempo é a falta de mais uma linha estrutural (também melódica) nesses dois trechos. Na segunda parte do samba, o mesmo mantém sua qualidade (letra/melodia), sem grandes erros e muitas qualidades. Um dos mais empolgantes sambas do ano. NOTA 9.8

03- SÃO TORQUATO
“ Na fanfarra ou na folia meu prazer é você rir, no embalo desse trem, vou brincando até Muqui”
Compositores: Júlio Negada e Marlon Stefanini

O intérprete Pipo mais uma vez nos brinda com uma boa e empolgante atuação, o samba confesso, é um dos meus prediletos. O refrão principal é “pra cima”, animado ao extremo e curto (Vem no balanço do trem...), o primeiro trecho do samba é inspirado e com lindas passagens melódicas (nos trilhos me entrego a emoção/Muqui a menina do meu coração) até seu refrão principal, melodicamente marcheado, mas totalmente funcional. O enredo foi muito bem trabalhado pelos compositores, que fugiram das mesmices e soluções praticas para construírem um ótimo samba, com melodia e letra bem estruturadas, de momentos inspiradores e sem perder a animação. NOTA 9.9

04-IMPERATRIZ DO FORTE
“ Adonai EL Líbano: plantai em todos as terras a árvore do amor”
Compositores: Renilson e Leley

O Samba da Imperatriz foi um dos que mais me surpreenderam no CD, não canso de ouvir, sua melodia é cadenciada e adorável. O enredo sobre a colônia libanesa foi muito bem “aparado” pela ótima dupla de compositores, se tornando um dos grandes sambas do ano. Os seus refrões são corretos (nada brilhantes), apenas funcionais e com o claro objetivo de empolgar público e componentes, mas essa obra ganha vida é na primeira e segunda parte da obra, onde todo o enredo é belissimamente trabalhado. No primeiro trecho temos um momento inspirado (Tentando encontrar a paz/que em sua pátria amada não havia mais/ e prosperou com nosso povo varonil/e as maravilhas do Brasil). No segundo trecho o samba mantém sua qualidade melódica/letra não apresentando problemas, um bom samba da Imperatriz. NOTA 9.9

05- MOCIDADE UNIDA DA GLÓRIA
“ Deixei de ser Moderna para ser eterna...Brasília, da profecia de D. Bosco à realidade de JK!”
Compositores: Diego Nicolau, Mauricio Bona, Claudinho Vagareza e Thiago Britto

Simplesmente fantástico, um dos melhores sambas do ano e da história da agremiação. Novamente Ricardinho da MUG, na minha humilde opinião, o melhor interprete capixaba, tem uma atuação esplendorosa e vibrante, mas ainda aquém do espetáculo proporcionado por ele e este samba em sua quadra, que são de arrepiar. O refrão principal é magnífico e simplesmente emocionante ( A flor do cerrado vai desabrochar/ Minha Mocidade vem te exaltar/ e hoje todo capixaba é Candango/ Brasília é arte que me faz sonhar), o primeiro trecho é repleto de belas variações melódicas (A terra prometida foi gerada) e uma letra incorrigível. O refrão do meio (curto e padronizado) é funcional (empolgante), e no segundo trecho o samba tem seu ápice, tanto melódico quanto em letra, trechos como (Aplausos, é lindo ver essa mistura) e (JK deixou seu relicário/eternizado em nossos corações) são imensamente bem estruturados e marcantes, uma pequena obra prima. NOTA 10,0

06- BOA VISTA
“ Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que balança cai”
Compositores: Xumbrega, Bid do Cavaco, Sidney Mingau, Douglas Jacaré e Júlio Negada

A Boa Vista mantém o padrão de bons sambas dos últimos anos, apesar de considerar este, um dos mais fracos. Novamente Emerson Xumbrega tem uma grande atuação mais não consegue abrilhantar ainda mais uma obra que para muitos parece ser repetitiva melodicamente. O refrão inicial é animado, empolgante e dentro do enredo (Boa Vista é paixão/Faz bater mais forte o coração, Minha águia é meu tesouro/nem tudo que reluz é ouro). O samba de desenvolve bem no primeiro trecho até a grande sacada do refrão do meio, apesar de às vezes termos a sensação de um atropelo de letra/melodia (Negro que bate tambor...), o samba continua com boa melodia no segundo trecho e algumas variações melodias que chamam atenção (e hoje, enfeito um sonho encantado/onde o profano e o luz do teu olhar). A agremiação possui um samba coerente com o enredo, de boa melodia que pode crescer ainda mais no desfile oficial. NOTA 9.8

 

SÁBADO (06/02)

01- ROSAS DE OURO
“ Rosas Brancas, Rosas Vermelhas, Rosas Amarelas!E no carnaval tem Rosas de Ouro na Avenida”
Compositor: Adilson Magrinho, Flavio Tradição, Gilson das Rosas, Gibson Muniz e Renato

O Samba da Rosas de Ouro aborda de maneira coerente o enredo, tendo características descritivas e variando de ótimas passagens para o excesso de informações que nada contribuem para abrilhantar a obra. Outro fato significante é possuir apenas um refrão, que por sinal tem ótima letra (Sou jardineiro da paz e garimpeiro do amor/na minha vida semeei, nasceu a flor/ dentro todas a mais bela/Rosas de Ouro foi a que desabrochou). Um ponto importante que pode prejudicar a harmonia da agremiação é o fato do samba ser extenso, de andamento mais cadenciado e faltar empolgação. Durante toda extensão do samba temos momentos de brilhantismo contrastando com ingênua simplicidade, seguem dois exemplos desse contraste, primeiro de pura beleza e bom gosto musical (Areia a terra, cultivei nasceu a flor/ veio revestida em fantasia/e foi assim que nosso samba começou) ou (hoje já é jubileu de prata/o mais lindo gol de placa/que o galo de ouro já marcou), esses dois trechos demonstram qualidade e ótima solução para o enredo, cito como trecho inoportuno (O rei Nabucodonosdor por ela se apaixonou e nosso imperador criou comenda para homenagear), algo totalmente desnecessário. Um samba que poderia ser melhor, mas ainda assim tem seus méritos e seus acertos superam os erros, um bom samba. NOTA 9.5

ANDARAÍ
“ O pão nosso de cada povo-argamassa da vida e medula dos mortais”
Compositores: Thiago Bandeira, Douglas Jacaré, Fabio Alves, Hudson Sabiá, Mc Niel e Bruna Medeiros

A Venenosa de Maruípe já teve sambas melhores, a obra da Andaraí para 2010 é demasiadamente descritiva, longo, de letra simples e melodia rebuscada, um samba que perde qualidade na falta de criatividade em letra, poesia e variações melódicas. O samba possui um bom refrão principal (Sou argamassa da vida, pão de cada dia, sou Andaraí), o primeiro trecho tem uma momento bem trabalhado melodicamente (conheci o Nilo e toda sua adoração/lancei-me em caminhada na solene procissão) e muitas combinações de rima sem brilhantismo, imperar com inspirar e perfeição/região, chamadas rimas pobres quando ocorrem entre substantivos ou ação, outro ponto fraco é a mudança fonética em “agricultura” na última estrofe do primeiro trecho. O refrão do meio e funcional e foi bem idealizado (tomai-comei!ofertou o nosso senhor/alimentando com ensinamentos os filhos do criador), já no segundo trecho o samba melhora na letra mas poderia também aproveitar ótimos trechos para trabalhar uma melodia mais variável e ousada, tais como “magia, bruxaria assombravam/ moinhos causavam espanto”, toda em uma tonalidade mais baixa quando na verdade uma “subida” poderia contribuir ainda mais para melhorar o samba. Um samba apenas razoável e se não for à força da comunidade/agremiação, pode até atrapalhar o desfile devido a ter um andamento excessivamente cadenciado, muito longe até mesmo do bom samba do ano passado. NOTA 9.2

TRADIÇÃO SERRANA
“ Fogão, lenha, brasa, o amor se conquista pela boca”
Compositores: Tonico, Attilio, Arildo, Marquinho, Maneco, Zinho e Thiago

O samba mais fraco do ano, uma obra irregular em que o bom Intérprete William acaba “atrapalhando” ainda mais pelos excessos de extensões vocais nos finais das frases, algo sempre usual pelo mesmo, mas totalmente desnecessárias. O refrão principal é animação total (Acendi o meu fogão e botei, lenha pra queimar), mas sem qualquer diferenciação qualitativa, a letra do primeiro trecho é simples e sem grandes momentos, assim como sua melodia. Temos ainda um refrão do meio de acordo com enredo, simples e sem brilho, no segundo trecho o samba mantém as mesmas características, letra simples e melodia sem brilho. NOTA 8.6

UNIDOS DA PIEDADE
“ De Maraú e Andirá, os Maués celebram a energia Wara-ná”
Compositores: Lourival das Neves, Sérgio Índio, Lorran e Lauro

O samba vencedor da Piedade tinha vários problemas, tanto melódicos quanto na adequação ao enredo, para facilitar a percepção do enredo este passou por várias mudanças que praticamente transformaram todo segundo trecho da obra. A gravação se inicia com o clássico alusivo na voz marcante de Papo Furado (“eu moro naquela montanha...), totalmente obrigatório, logo depois temos um refrão principal forte e empolgante (é carnaval, é festa, é alegria/a mais querida vem para celebrar/ a fonte grande de energia/o guaraná), prosseguindo, temos um primeiro trecho simplório melodicamente e em letra, passando superficialmente e sem qualidades pelo enredo, logo após temos também a lenda do guaraná no funcional refrão do meio. No segundo trecho, a obra se mantém cadenciada, simples e sem beleza poética ou variações melódicas até o trecho “ A Piedade é minha rainha/ berço do samba igual não há/encantadora na avenida/energizada a desfilar”, sem dúvida, o ápice da obra. NOTA 9.0

UNIDOS DE JUCUTUQUARA
“ Espírito Santo Azul”
Compositor: Íbis Bernardo

Nunca antes o intérprete Kleber Simpatia se saiu tão bem em uma gravação oficial, é perceptível sua alegria, domínio da obra e melhoria da mesma em suas mãos. O samba da tetracampeã do carnaval capixaba transporta o enredo para uma obra maravilhosamente lúdica, poética e interpretativa, um samba repleto de momentos marcantes, letra irretocável e uma deliciosa melodia cadenciada. Seu refrão principal apesar de longo não perde qualidade e transporta em sua letra tanto o enredo quanto o nome da agremiação (com alegria de viver, eu vou/Jucutuquara é paixão meu grande amor). Na primeira parte do samba temos momentos memoráveis (mitologia e crenças de um povo/ que nasce ouvindo o som do imenso mar) e (Olhar pro horizonte e poder sonhar/unir o azul do céu e o azul do mar), sem dúvida um momento inspirado do compositor e o melhor trecho dos sambas capixabas em 2010. O refrão do meio mantém o padrão alto e consegue mudar de tonalidade da primeira para segunda passada, aumentando ainda mais sua qualidade musical (a razão de uma conquista a inspirar/o Espírito que é santo a lutar). Já no segundo trecho (mais descritivo), a obra cita trechos do enredo com a mesma qualidade, unindo bom gosto e boas variações em sua melodia. Um samba antológico e brilhantemente composto. NOTA 10,0

PEGA NO SAMBA
“ Das Trevas à luz do conhecimento- a arte de educar”
Compositores: Izaias Anaanatur, Lourival das Neves, Moacyr Alves, Neno e Kell

A primeira versão do samba da Pega no Samba, ainda antes da junção é infinitamente superior a está obra “Frankestein”, isto é, uma junção melódica e de letra, totalmente retalhada, mal trabalhada, que só serviu para alongar o samba e prejudicar uma obra que poderia e muito ajudar no desfile oficial. Outro fato interessante com relação ao samba do Pega foi a drástica mudança melódica e de andamento que o samba sofreu na gravação oficial, totalmente contrário ao ritmo/característica do mesmo samba em seus ensaios. Aproveito para parabenizar a boa atuação da grande promessa do samba capixaba, o intérprete Danilo Cezar, firme durante toda gravação. O samba se inicia com um refrão empolgante e dentro do enredo, apesar de ter um trecho mal idealizado (Hoje o Sambão vai tremer/poeira vai levantar), no primeiro trecho temos uma boa letra apesar do excesso de simplicidade, o que nos leva a um dos destaques do samba e motivo de tantas discussões, o bom e marcante refrão do meio “páginas, muitas páginas/ na arte de educar não tem mistério/páginas, muitas páginas/ edificou em nosso chão um magistério”, já o segundo trecho da obra é seu deslize mais grave, excessivamente longo, mal trabalhado e muito atrapalhado pela junção, uma pena, pois a possibilidade de um enredo tão interessante acabou se transformando em uma samba apenas funcional. NOTA 9.5

NOVO IMPÉRIO
“ Das mãos que forjaram o passado aos cérebros que pensam o futuro:IFES- Um século de excelência”
Compositores: Vagareza, Thiago Daniel, Dudu Botelho, Silvia Botelho, Douglas Jacaré e Thiago Brito

Talvez, o samba do ano, uma obra maravilhosa e definitivamente a melhor dos últimos 20 anos da agremiação, uma marco na grandiosa história da agremiação. O sucesso desse samba se inicia nos caminhos escolhidos pelos autores do enredo para trabalharem o tema IFES (ex.Escola Técnica), fugindo da mesmice e adentrando um mundo de possibilidades na história da humanidade e sua busca pelo conhecimento. O samba é “pra cima”, empolgante, de letra bem trabalhada e ótima melodia, uma junção de alegria, bom gosto e ótima percepção do enredo. Seu refrão principal conquista e transmite emoção (Sou eterno aprendiz, que alegria/ no Instituto a desenvolver/ Conhecimento e tecnologia/O homem alimenta seu saber), o primeiro trecho é repleto de variações melódicas (subidas e descidas), que engrandecem essa obra e aumentam sua qualidade de descrever o enredo com beleza tanto em letra quanto melodia, do seu refrão do meio não podemos deixar de perceber a maneira sublime na qual os compositores citam o enredo, descritivos sem perder a qualidade (No giro da moeda vi surgir o capital/inaugurando nova Era Industrial). O segundo trecho do samba mais cadenciado é belíssimo e no trecho “Na busca incessante do saber/na velocidade da informação/com criatividade à florescer/meu Novo Império é campeão” temos seu grande momento. A Novo Império possui um sambaço que pode contribuir para o tão sonhado título da família imperiana. NOTA 10,0

 

Gustavo Fernando

por Gustavo Fernando*
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* O Colunista Gustavo Fernando é estudante de Comunicação Social, sambista, compositor e pesquisador de Sambas de Enredo.

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