FINAIS DE SAMBA NA JUCUTUQUARA E MUG
No próximo
Domingo (23/09), as duas maiores e mais populares escolas de samba do
carnaval capixaba vão conhecer quais serão seus sambas
oficiais para o carnaval 2010. A Unidos de Jucutuquara dividiu 15 sambas
enredos concorrentes em duas chaves, onde quatro se classificaram em
cada domingo restando assim 08 sambas para a final, já a Mocidade
Unida da Glória resolveu selecionar 06 sambas de um total de
23 inscritos para se apresentarem aos jurados e desses 04 vão
estar na grande final do próximo domingo. Confesso que não
gostei da decisão da MUG, uma vez que todos sabemos quanto um
samba pode crescer na apresentação na quadra, são
inúmeros exemplos em diversas disputas de samba, com isso, vários
composições de qualidade devem ter sido excluídas
para o pesar do sambista capixaba. Com relação à
safra dos sambas para o carnaval 2010, acho que o nível da Mocidade
e Imperatriz do Forte muito boa e da Jucutuquara e São Torquato
de qualidade um pouco inferior, com exceção de seus melhores
sambas de altíssimo padrão. Então povo do samba
capixaba, é aguardar para ver, quais serão os sambas escolhidos,
que vençam os melhores com justiça e sem “bairrismos”
por parte dos jurados e que pelo visto, teremos em 2010 um carnaval
com sambas melhores que do carnaval 2009.
Um
abraço a todos, parabéns aos compositores e façam
seu melhor, sem esquecer!
UM VIVA AO SAMBA
FINAL
DA UNIDOS DE JUCUTUQUARA
ENREDO: ESPÍRITO SANTO AZUL
Samba de Íbis Bernardo - Íbis Bernardo construiu uma obra de letra poética e melodia diferenciada, um samba maravilhoso que chega entre os favoritos para final da Unidos de Jucutuquara. Vencedor duas vezes de sambas da Jucutuquara (2005-Quem é você? e 2006-Linhares), o compositor retorna com um samba muito bem construído em melodia, que possui sem comparações a melhor e mais bela letra entre todos os sambas concorrentes. Sua melodia é cadenciada, possuindo desenhos musicais belíssimos e de extremo bom gosto musical. Contra o samba pesa o fato de ser muito técnico, considerado por alguns cadenciado demais, o que deixa o samba cansativo na avenida, outro ponto negativo foi a apresentação na quadra, achei que o samba caiu um pouco, faltou vibração a um samba que pode unir beleza com alegria. Encerro com um trecho que considero sublime “Olhar para o horizonte e poder sonhar, unir o azul do céu e o azul do mar”.
Samba de Leley do Cavaco e Renilson Rodrigues - Outro bom samba composto pela parceria, uma dupla de compositores que deu certo, com várias vitórias no carnaval capixaba. Esse samba composto para Jucutuquara cresceu muito na apresentação oficial, sendo o samba mais empolgante do primeiro dia de apresentações. A obra possui boa letra, melodia empolgante e muito bem construída aliada a dois ótimos refrões. Um samba compacto, leve e animado. Chamo atenção para o ótimo trecho do final da primeira parte do samba, simplesmente lindo “Mergulhei em lendas, mitos e magias/ e naveguei, na esperança de encontrar/ minha sereia a cantar, Janaina nesse lindo azul do mar”.
Samba de Ewerton, Leonardo, Kell do Cavaco, Michelly e Rapha - O samba desse ano da parceria Bicampeã da Unidos de Jucutuquara infelizmente não repetiu o sucesso e a qualidade das obras anteriores, o samba desse ano é também de letra interpretativa (até demais) e melodia muito marcheada, o que tira o brilho melódico da obra. Seu corpo é compacto, bem idealizado, com um bom refrão principal e confesso uma certa preocupação com o refrão do meio, simples e sem brilho. Uma obra que tentou repetir a receita das vitórias anteriores (letra simples, melodia harmoniosa, samba pequeno), mas sem a qualidade anterior, disputa a vitória mas sem o favoritismo de antes.
Samba de Thiago Bandeira, Douglas Jacaré, Mc Niel, Sabiá e Fabio Alves - A parceira optou por um samba descritivo, de letra coerente com o enredo, sem grandes passagens poéticas ou qualidades melódicas dignas de menção. É um samba que conquista e agrada através de seus fortes refrões, principalmente o principal, letra funcional e uma apresentação oficial que fez crescer e muito o samba a quadra. Não gosto da segunda parte do samba, em alguns momentos melodia e letra ficam emboladas, mas depois o samba de recupera no trecho “vem dá-nos proteção, linda sereia/rumo ao progresso navegar/orgulho do meu Brasil, destaque internacional/na exploração petróleo e gás natural”.
Samba de Fabio Alves, Lambari e Ruyther Helmer - Uma boa apresentação garantiu o samba da parceria na final, sua obra possui boa melodia e letra adequada ao enredo. Um samba bom, animado e com sua força concentrada em refrões fortes. Não é forte concorrente a vitória em decorrência do alto nível dos participantes, mas os compositores construíram um samba qualificado para o carnaval da Jucutuquara e buscam surpreender.
Samba de Júnior e Serginho - O samba apresenta vários problemas, o acho muito extenso e repleto de informações desnecessárias, o que atrapalha e muito a obra, também é um samba de letra sem beleza, simples e, não transmite o enredo com beleza e bom gosto. Já sua melodia tem visíveis problemas em seus desenhos musicas e versos melódicos, no fim da primeira parte do samba assim como no refrão do meio, melodia e letra se embolam, fazendo o intérprete acelerar o ritmo para adequar letra ao arranjo harmônico. O principal trunfo do samba é seu ótimo refrão principal, um samba regular que poderia se tornar, com os devidos cuidados, um grande samba.
Samba de Vicente, Rosiani, Nega Tânia e Luiz Cláudio - Mais uma vez a parceria compôs um bom samba na Unidos de Jucutuquara. O samba tem um corpo enxuto, com letra e melodia simplificadas, mas funcionais e bem elaboradas. Estamos falando de um samba correto, sem erros, com um refrão principal forte e empolgante “Ouro negro a jorrar, a jorrar...”. Com relação ao refrão do meio o acho um pouco ingênuo, porém eficaz. A única grande ressalva com relação à obra é quanto à segunda parte do samba, muito simples e possui o trecho “feirinhas de artesanatos”, que ao meu ver, seria desnecessária e pouco poética em uma obra tão agradável. O samba teria mais chances com uma apresentação melhor do que ocorreu na primeira eliminatória, o samba é bom e a apresentação pode ser melhor ainda.
Samba de Chico Português, Danilo Cezar, Marina Zanchetta, Roni e Lelinho do Cavaco - O samba apresentando pelos compositores foi a sensação da segunda eliminatória da Unidos de Jucutuquara, um samba leve, extremamente empolgante, possuidor de uma melodia sem muitos desenhos musicais mas qualificada e letra interpretativa (às vezes demasiadamente), isto é, um bom samba, contagiante, bem estruturado mas que pode não agradar a todos pois, o enredo está presente, mas alguns podem achar que apenas de maneira superficial. Chamo atenção para os dois sensacionais refrões, principalmente o do meio, simples, contagiante e muito bem caracterizado para levantar o público e mais uma vez parabenizo a grande apresentação do samba e a interpretação de Danilo Cezar, um show que todos esperamos rever na grande final.
FINAL
DA MOCIDADE UNIDA DA GLÓRIA
ENREDO: DEIXEI DE SER MODERNA PARA SER ETERNA... BRASÍLIA! DA
PROFECIA DE DOM BOSCO À REALIDADE DE JK
Samba de Felipe Viana e João Vitor - Um fortíssimo concorrente, um samba de letra em momentos interpretativa e outros, belissimamente descritiva. É um samba encorpado, de grande qualidade e totalmente diferenciado de qualquer coisa que ouvi esse ano, é um grande samba mas diferente, sua melodia tem ótimas passagens, os refrões são tão contagiantes quanto poéticos, totalmente alinhado ao enredo e de personalidade musical clássica. Não é uma obra para empolgar, é uma samba para emocionar, mais uma grande obra dos compositores Felipe Viana e João Vitor.
Samba de JB, Evandro Bellumat, Silas, Ed e João do Rio - O samba composto pela parceria é apenas mediano é não me agrada muito, como atrativos tem uma letra bem construída, correta, de acordo com o enredo mas peca pela falta de criatividade e ser longo e por momentos, cansativo. Sua melodia é cadenciada, sem criatividade melódica, apenas com algumas passagens melódicas dignas de menção. Resumindo, ao samba faltou empolgação e uma melodia mais aguerrida, sendo empolgante e popular a boa escolha de seus refrões, o principal mais bem trabalhado e o do meio simples e popular. Acredito que dificilmente deve ser o samba escolhido pela agremiação para o carnaval 2010.
Samba de Diego Nicolau, Mauricio Bona, Claudinho Vagareza e Thiago Britto - Simplesmente o melhor samba do ano entre todos que escutei e tive a oportunidade de apreciar, uma obra fantástica, empolgante, de letra irrepreensível e melodia diferenciada. A obra se inicia com um refrão tão empolgante quanto singelo “A flor do serrado vai desabrochar/Minha Mocidade vem te exaltar/ e hoje todo capixaba é candango/Brasília é arte que me faz sonhar”. Emociona, simplesmente emociona, o restante do samba é uma explosão de bom gosto musical, passagens melódicas belíssimas, letra criativa, desenhos musicais de riqueza impar, uma obra histórica no carnaval capixaba. Mas isso não é tudo, na segunda parte do samba a obra ganha ainda mais força e beleza poética, os trechos são de arrepiar, segue minha parte predileta, prestem atenção na junção da letra com a melodia: “aplausos, é lindo ver essa mistura/num placo de tanta cultura/um caldeirão de foliões/JK deixou seu relicário/ eternizado em nossos corações”. O samba só perde para ele mesmo, isto é, se repetir a regular apresentação da primeira eliminatória, podemos deixar de ver esse grande samba no carnaval 2010.
Samba de Nilton Fafá - A grande surpresa da primeira eliminatória, um samba empolgante e de grande apelo popular. É um samba de letra e melodia simplificadas, funcionais, sem grande apuração melódica ou mesmo algum diferencial. O refrão principal é demasiadamente longo mas surpreendentemente funciona, não gosto do fato de possuir três refrões e chamo atenção para o melhor momento do samba tanto em letra quanto melodia,o trecho “Deixou de ser moderna no cenário brasileiro pra ser eterna em nosso carnaval”, não é um samba favorito, corre por fora mas pode surpreender na colocação final.
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O Colunista Gustavo Fernando é estudante de Comunicação
Social, sambista, compositor e pesquisador de Sambas de Enredo.
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