ENTREVISTA COM O CARNAVALESCO DA MUG PETTERSON ALVES

Ficha Técnica

 

"A CIGANA LEU O MEU DESTINO, EU SONHEI!
BOLA DE CRISTAL, JOGO DE BÚZIOS, CARTOMANTES.
E EU SEMPRE PERGUNTEI:
O QUE SERÁ O AMANHÃ
COMO VAI SER O MEU DESTINO
JÁ DESFOLHEI O MAL-ME-QUER
PRIMEIRO AMOR DE UM MENINO"
(O amanhã – União da Ilha do Governador - João Sérgio)

A pessoa que conversamos não precisou ir até a cigana para saber do seu destino, porque este destino já estava traçado e todo mundo já sabia. Se sua mãe estivesse aqui entre a gente hoje com certeza estaria bastante orgulhosa.

Rapaz simples... Eta lelê! Simples nada! Muito vaidoso, vaidoso mesmo, e administra esta vaidade com muita simplicidade. Eu heim! Vaidade com simplicidade?! Vocês entenderam alguma coisa? Nem eu! Mas estou fazendo uso da licença poética, o texto é meu e escrevo do jeito que eu quero e pronto. Ele tem motivo suficiente para ser vaidoso, e um deles foi quando foi campeão pela Mocidade Unida da Glória pela primeira vez. Vamos deixar de blá, blá, blá e começar logo com a introdução do enredo.

Estou falando do Petterson Alves, carnavalesco da Mocidade Unida da Glória, filho da Neuza Maria Alves e que nasceu no dia oito de fevereiro. Graduado em comunicação social, mas, sua real profissão é ser carnavalesco e desempenha esta atividade com muito afinco e paixão.

Não gosta de ser associado como o Petterson da MUG, mas sim, como o profissional que é, remunerado para desenvolver o seu trabalho porque ninguém é eterno, e um dia pode ser que ele esteja em outra escola de samba, então será o Petterson Alves. Como diz a música do Billy Blanco: “não carrega embrulho”, ele não carrega porque o embrulho é muito pequeno, prefere carregar enredo e colocá-lo na avenida junto com fantasias, alegorias e adereços e tudo o mais que tem numa escola de samba. Procura sempre manter a memória da sua mãe viva no carnaval capixaba, e com razão, pois a Neuza foi uma figura muito marcante, principalmente quando se tratava da Independente de São Torquato, sua escola de coração, onde ela defendia com unhas e dentes e o mastro da bandeira se necessário.

Chegamos à quadra da Mocidade justamente no dia da entrega da sinopse para o carnaval dois mil e onze, e nem precisamos dizer o quanto ele estava empolgado com mais uma criação sua que vai para a avenida. Explana um carinho muito grande pela Mocidade Unida da Glória e afirma o porque: “quando ainda muito jovem apresentou um projeto a escola, eles aceitaram e a escola foi campeã do carnaval.” Ele precisa dizer mais alguma coisa? Voltando a mais um trecho da música do Billy Blanco: “a vaidade é assim, põe o bobo no alto e retira a escada, mas fica por perto esperando sentada.” Mas ele que não é bobo nem nada tem sempre um pára-quedas para amortecer sua descida. Não tem restrições em dizer que o carnaval tem que ter luxúria e ostentação, e muito bom seria se todas as escolas do carnaval capixaba brigassem em igualdade.

“Esta é a banca do destino”. E Viva o Samba.



NOS CONTE UM POUCO COMO CHEGOU AO MUNDO DO SAMBA, DESENHANDO FANTASIAS OU PESQUISANDO ENREDO?

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Comecei no útero da minha mãe! E como ela foi porta bandeira, presidente da Independente de São Torquato, eu desde criança a acompanhei nesse mundo que é uma coisa louca que é o carnaval, principalmente o carnaval capixaba, com isso fui crescendo e me apaixonando, até porque na minha casa só se falava em carnaval de escolas de samba e sempre era cheia de sambistas, então não tinha como eu não gostar. As reuniões da São Torquato aconteciam sempre na minha casa e a gente mesmo criança acabava participando indiretamente deste movimento.

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E A INSPIRAÇÃO DE CARNAVALESCO, COMO SURGIU?

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A minha mãe era São Torquato, a minha casa era cheia de gente da São Torquato, cresci vendo o carnavalesco Luiz Antonio Priscisval fazendo carnaval, quantas vezes que ele puxava minhas orelhas quando estava trabalhando nas maquetes e eu quebrava seus isopores, daí nasceu a minha inspiração. Eu vivia o cotidiano de um ano inteiro de como se fazia carnaval, a preparação de um desenho, de uma maquete, aquela preparação toda de como se fazia uma fantasia.
Comecei na verdade de uma brincadeira, fazendo uma fantasia para o Rogas, (que Deus o tenha em um bom lugar) que era destaque da Jucutuquara, fazia a comissão de Frente da Novo Império. Começamos no ateliê do Marcelo Jancke confeccionando a fantasia dele, então ele, o Beto, aquela turma toda ficavam me incentivando dizendo que eu tinha talento para ser carnavalesco e devia pegar uma escola de samba para fazer e eu brincava dizendo: “Deus me livre, é uma responsabilidade grande e carnaval em Vitória ninguém tem dinheiro para fazer e eu vou querer fazer coisas mirabolantes e ai é difícil porque eu acompanhava a dificuldade que o Carlito Carlos tinha na Novo Império, a Bernadete na Jucutuquara e mais um monte de gente.
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QUANDO VOCÊ ASSINOU PELA PRIMEIRA VEZ UM TRABALHO DE CARNAVAL?

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Em dois mil e quatro eu fiz um projeto de carnaval e apresentei na Novo Império a pedido de amigos, mas eles ficaram meio que receosos pelo fato de ser um menino muito novo e não poderiam acreditar que eu pudesse fazer carnaval, e eles não queriam tirar o Carlito, mas eu falei que não era para tirar ninguém, eu só queria colocar o projeto para eles tocarem, eu só gostaria de ver o projeto concluído. Enfim meu trabalho não aconteceu na Novo Império. Logo em seguida fui convidado para ir num aniversário na casa do Arion e do Tadeu, levei a pasta com o projeto e mostrei os desenhos, eles me convidaram para apresentar o projeto na Jucutuquara porque iria acontecer um processo de seleção de enredo, mas eu decidi por não colocar. Um dia o Marcelo Viana viu meus desenhos e através dele fui apresentado na Mocidade Unida da Glória e mostrei meu projeto. O Jô que era na época o presidente da comissão de carnaval gostou do meu trabalho e o Robertinho fechou comigo, ai eu senti aquele friozinho, “agora vai”. Entrei para o grupo de comissão da MUG como carnavalesco do projeto e por grande coincidência a MUG se tornou campeã do carnaval com um trabalho meu. “Grécia uma viajem fantástica ao templo dos Deuses” de lá pra cá até hoje estou como carnavalesco da MUG.

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REZA A LENDA QUE VOCÊ JÁ FOI PRESIDENTE DE ESCOLA DE SAMBA, NOS CONTE ESTA HISTÓRIA?
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Sim! Com o retorno do carnaval a São Torquato queria voltar resgatando a história da escola, então eles me elegeram presidente por eu ser filho da Neuza Maria Alves, e o fato dela ter sido um nome muito importante na história do carnaval e na Independente de São Torquato principalmente, eles achavam que eu poderia dar continuidade à escola porque a vida da minha mãe era aquilo ali. Mas começamos a trabalhar e vieram às desavenças, a escola começou a crescer, mas houve desavenças internas, então larguei e falei que não queria mais saber de escola de samba, a escola não foi para a avenida, mas eu cumpri o meu mandato mesmo com a escola sem desfilar. Depois houve outra eleição. O meu destino não era para ser presidente de escola.
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NOTA-SE QUE VOCE É UM CARNAVALESCO QUE GOSTA DE DESENVOLVER O SEU PRÓPRIO ENREDO, PORQUE?
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Não é bem assim. No ano da Amazônia, nós fizemos um enredo que não era meu, foi uma releitura do enredo do Sury de Souza, eu trabalhei em cima de uma idéia que já existia e foi muito bom. Na verdade aqui na Mocidade não é de costume abrir concurso para enredo, inclusive ano passado nós questionamos e gostaríamos muito que tivesse concurso, às vezes sou alfinetado por conta disso, tem muita gente dizendo que eu quero ditar as regras do carnaval, não é assim, não sou ditador. Simplesmente eu faço o meu enredo e coloco na mesa e quem quiser pode fazer também, mas cabe a escola aceitar. Aqui na Mocidade a diretoria prefere que o carnavalesco desenvolva tudo. Por outro lado quando eu faço uma sinopse, eu consigo visualizar melhor o que eu quero, não é fácil pegar um trabalho escrito por você, onde ali esta sua idéia, pra outra pessoa trabalhar, de repente você não vai se sentir bem com aquilo que eu vou ver. De repente quem fez o enredo pode ter uma idéia sobre uma alegoria e o carnavalesco pensa em outra coisa, ai pode começar um estresse. O enredo não precisa ser escrito pelo carnavalesco, mas sim de uma pessoa de confiança do carnavalesco, assim eles vão trabalhar em conjunto. Eu torço muito para que a Mocidade aceite um enredo de fora e que eu pudesse desenvolver, para mim seria um desafio.
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VOCE É RAIZ DA SÃO TORQUATO, JÁ PASSOU PELO NOVO IMPÉRIO, MAS HOJE QUANDO SE FALA NO CARNAVALESCO PETERSON ASSOCIA-SE A MOCIDADE UNIDA DA GLÓRIA, COMO QUE ACONTECEU ESSA QUÍMICA?
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Eu digo para todo mundo que eu não sou MUG e não sou da MUG, sou um profissional ao qual fui contratado pela escola e exerço o meu trabalho, se amanhã eu for para a Jucutuquara, Boa Vista, serei o Petterson Alves trabalhando com o mesmo desempenho de um profissional sério. Quando cheguei para ser carnavalesco muitas pessoas queriam que eu adotasse o Petterson da MUG, eu não quis, brinco muito e falo: “eu tenho nome e sobre nome.” Sou o profissional do carnaval. Lógico que eu visto a camisa da MUG, brinco dizendo que minha mãe era vermelho e branco, salgueirense, São Torquato e agora eu estou na MUG e sou vermelho e branco. Tem certos assuntos que são internos da diretoria e às vezes eles querem que eu participe, claro que eu participo porque eu defendo o patrimônio, quero dizer, o carnavalesco esta aqui para fazer com que a escola sempre brilhe, que sempre seja um top de linha as idéias viáveis ou não. Mas a gente tenta fazer o máximo para que as escolas sempre estejam nas páginas de jornais e sempre em evidência. Acho que a função do carnavalesco também é essa.
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COMO VOCÊ ADMINISTRA A VAIDADE DENTRO DE UMA ESCOLA DE SAMBA?
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A vaidade é muito complicada, a começar quando se fala em escolha de samba. Quando eles falam: o samba de fulano não presta o meu que é melhor, o filho do outro que ganhou é feio o meu é lindo, o meu tinha que ganhar. Eu tive um problema em dois mil e cinco com o carro da ciência, quando eu tinha decidido a fantasia e um tipo de tecido para uma pessoa e ela queria outro, ai eu falei que eu era o carnavalesco, e eu ditava as regras, usei a minha vaidade mesmo. Claro que eu sou bem maleável, mas tem horas que a gente não pode abrir mão de muita coisa, então as pessoas começam a falar que estamos com estrelismo. Tem destaques também que às vezes são complicados, teve um ano que um destaque caiu do carro e quis culpar a escola, mas ele esqueceu que estava completamente bêbado, ele caiu porque não estava conseguindo ficar em pé no chão firme, quanto mais em cima de um carro alegórico em movimento. Ainda bem que ele estava numa altura mais baixa e não teve graves consequências. Mas isso são detalhes de carnaval.
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E O ENREDO DOIS MIL E ONZE SOBRE A CERVEJA, A IDEIA FOI SUA OU JÁ ESTAVA ENCOMENDADO PARA A ESCOLA DESENVOLVER, E A EXPECTATIVA PARA COLOCAR ESTE ENREDO NA AVENIDA?
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Assim como o enredo de dois mil e dez, este da cerveja foi à escola que definiu também, e eu só desenvolvi a pesquisa, para podermos tocar o carnaval. Eu realmente tinha vontade de fazer um outro enredo, tinha duas propostas, mas quando as coloquei na mesa eles me falaram que as propostas eram maravilhosas, mas a escola precisava de um enredo para captar recursos, o famoso enredo caça níquel, então vamos tocar o barco, é esse que vocês querem, vamos levar adiante. Entreguei a sinopse para a escola e a parte de captação monetária vão montar o projeto para correr atrás, porque tem empresa que só esta esperando o projeto ficar pronto para trabalhar em cima. Temos uma grande expectativa para fazer um bom carnaval, não estamos fazendo apologia ao alcoolismo de maneira nenhuma. Vamos mostrar na avenida a história da cerveja. Inclusive eu nem bebo, e nem sou fã da cerveja como bebida.
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VOCÊ TEM VONTADE DE FAZER CARNAVAL NA SUA ESCOLA DE ORIGEM, NO CASO A INDEPENDENTE DE SÃO TORQUATO, MESMO QUE FOSSE PARA FAZER UM ÚNICO GOL?
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Quando terminou o último carnaval, criou-se uma especulação, em torno de minha saída da Mocidade, mas dias depois que fechei o contrato com a MUG, o pessoal da São Torquato esteve em minha casa para conversar sobre as mudanças que estavam acontecendo lá. Então surgiu a conversa que eu estava indo para o Rio de Janeiro. Respondi que isso era pura polêmica que o povo gosta de fazer, recebi o convite sim, perguntaram-me quanto que eu cobrava, falei que eu não sou um carnavalesco caro, caro é minha massa cinzenta, caro é o que eu penso, o carnaval que gosto de fazer é caro, o carnaval é vaidade, luxúria, penso que carnaval é pra quem pode. Agora o fato de gostar de fazer um carnaval caro, não quer dizer que eu não possa fazer carnaval com recurso menor, porque você ser carnavalesco profissional não é só fazer carnaval com quem tem dinheiro não, claro que o dinheiro lhe dá as possibilidades de você fazer um mega espetáculo, mas se não tiver, você pode fazer um carnaval mais simples e também bonito. Agora não adianta uma escola ter dinheiro para pagar o carnavalesco e não ter dinheiro para estruturar a escola, qualquer escola de Vitória se tiver dinheiro para pagar o “Paulo Barros” é fácil, e a estrutura para ele poder trabalhar e as condições financeiras? Claro que eu aceitaria fazer carnaval para qualquer escola, principalmente a São Torquato, mas para isso eu preciso que me paguem, porque eu pago minhas contas, e preciso de estrutura para trabalhar e mostrar o meu trabalho. Em qualquer escola eu quero fazer meu trabalho bem feito. Quando você está fazendo um trabalho numa determinada escola é o seu nome como profissional que esta ali, se vai dar certo ou errado o povo não quer saber, e se der errado quem vai ser crucificado, quem vai tomar tinta, é o carnavalesco, e se der certo o presidente ganha todos os méritos. Mas eu brinco muito aqui na MUG dizendo que se der errado eu levo mais dois para a cruz comigo que é o presidente e o diretor de carnaval (risos). Nós três andamos de mãos dadas, somos os mentores do carnaval da Mocidade.
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NOS DIGA UM MOMENTO MARCANTE NA SUA HISTÓRIA DE CARNAVAL?
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Foi em dois mil e sete (silêncio)... A quebra do carro (suspiro e silêncio de novo)... Ai gente como era o nome do carro? Agora você me pegou, não consigo lembrar o nome do carro. Na verdade nós tínhamos feito o carnaval, estava todo mundo extremamente empolgado com tudo. A MUG estava como se fosse uma massa de bolo cheia de fermento que você vai batendo e vai crescendo. A Mocidade estava alcançando o status de escola de samba grande, ela estava atingindo um patamar. Aconteceu aquela tragédia... (silêncio). Engraçado que naquele dia, estávamos todos reunidos no hotel, quando o Robertinho me chamou para brindar, então eu falei: ”não, brindam vocês porque eu quero brindar depois”. Naquele dia eu não estava me sentindo bem, parecia que eu já estava prevendo que aconteceria alguma coisa. Não consigo esquecer aquele acontecimento fatídico, até hoje não consigo assistir o dvd. Engraçado que eu achava que o néon do carro abre-alas que não funcionaria, não sei porque. Todo mundo fala que o carro era extremamente pesado, mas não era, ele era feito todo no isopor. Foi ai que eu passei a conhecer o lado da derrota, porque eu entrei no carnaval em dois mil e cinco e fui logo campeão, no ano seguinte fui vice. Quando vi aquela tragédia na minha frente eu fiquei assustado e com um sentimento que eu ainda não conhecia no carnaval, o sentimento da derrota. Mas eu tomei isso como um aprendizado.
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A DOBRADINHA PETTERSON E MOCIDADE UNIDA DA GLÓRIA, COMO O ROBERTINHO AGUENTA PITI DE UM ÚNICO CARNAVALESCO POR TANTO TEMPO?
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(risos) o Robertinho nos falou que um dia apareceu uma pessoa dizendo que queria ser carnavalesco aqui, o Robertinho educadamente falou que primeiro esta pessoa teria que vir e conhecer a escola para depois ver se realmente queria trabalhar aqui. Então esta pessoa perguntou: ”e como o Petterson veio parar aqui, como que ele conseguiu?” O Robertinho respondeu de novo: “o Petterson foi um caso a parte, foi uma f$#@ bem dada". "Porque além dele ser bom profissional ele é cria da Mocidade também, porque a mãe dele que batizou a MUG. A mãe dele foi porta bandeira da MUG em mil novecentos e oitenta e quatro”. Hoje eu tenho um carinho muito grande pela Mocidade, o Petterson Alves existe porque existe o carnaval, porque existe a MUG. E o meu apreço é muito maior porque foi a MUG que abriu as portas para mim num momento que eu não tinha nenhuma experiência como carnavalesco, a MUG me depositou confiança, se amanhã eu não estiver aqui, eu sempre vou me emocionar na hora que a MUG passar, porque foi aqui que eu coloquei meu primeiro trabalho. E graças a Deus hoje eu conheço o caminho das pedras da Mocidade, e projeto o carnaval em cima do que a MUG me oferece, isso facilita muito em nossa convivência.
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E ESTA HISTÓRIA DE VOCÊ IR PARA O RIO DE JANEIRO FAZER CARNAVAL EXISTE MESMO, OU É PURO BUXIXO?
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Menina isto começou quando o presidente da Estácio de Sá esteve aqui na quadra, ele veio aqui umas três vezes acompanhou os protótipos e tal, então começaram as especulações que eu iria para o Rio. Eles vendem o passe da gente sem a gente saber. Lógico que se aparecer uma oportunidade com certeza eu vou, nem que seja para fazer carnaval na Intendente Magalhães, nem que seja para fazer o Grupo C, se a oportunidade aparecer eu vou, vou porque eu acho que é uma somatória pro seu currículo, eu que gosto de carnaval se for convidado, vou e de preferência fazendo a MUG aqui e outra no Rio, faria as duas com muito prazer. Na verdade a função do carnavalesco é projetar o carnaval e daria para eu fazer duas escolas numa boa.
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VOCÊ COMO CARNAVALESCO, QUAL A MAIOR DIFICULDADE ENCONTRADA DENTRO DAS ESCOLAS DE SAMBA CAPIXABAS?

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A ausência de equipe e profissionais qualificados para que o carnaval capixaba possa crescer. Outra coisa, as pessoas confundem muito o trabalho do carnavalesco, carnavalesco é a cabeça pensante, ele vai idealizar o espetáculo e não executar, ele tem que ter uma equipe para fazer esta execução. A função do carnavalesco é projetar o carnaval e aqui em Vitória as pessoas têm uma concepção que o carnavalesco tem que ser polivalente, isto é, tem que ser costureiro, pintor, escultor, aderecista, ferreiro, até se o néon não acende de um carro alegórico a culpa é do carnavalesco, se o gerador da problemas, a culpa é do carnavalesco. Aqui o carnavalesco tem que ser eletricista e mecânico também. Eu gosto de fazer de estar junto das pessoas trabalhando, eu gosto de ir lá iniciar um trabalho, mas se a pessoa tiver uma outra ideia melhor que a minha, eu aceito numa boa, sou a pessoa mais maleável possível, não sou um carnavalesco radical, mas também tem gente que se você deixar muda toda uma concepção de fantasia sem autorização do carnavalesco.

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CARNAVAL CAPIXABA O QUE TEM A NOS DIZER?

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Vou falar dos jurados: sou a favor dos jurados capixabas, A LIESES tem condições de preparar nossos jurados, basta trazer um profissional do Rio ou mesmo de São Paulo, já que eles querem trazer tanto jurados de São Paulo; tragam o coordenador e o coloca para dar um curso aqui, para dar uma capacitação e formarem jurados, e que aqueles jurados trabalhem com dignidade e honestidade, julgar aquilo que esta dentro de nossa realidade e com coerência e embasamento naquilo que ele esta vendo passar naquela hora. Você trás um jurado de fora, como ficamos sabendo, que esses jurados eram do interior de São Paulo e fizeram um arraso, uma destruição. Eu não vi, a matéria, só vi a chamada, por que eu me revoltei e nem quis lê a matéria. Porque os jurados chegam ficam escondidos fazem as besteiras e depois vão embora e fica tudo por isso mesmo, porque não se pode mostrar a cara dos jurados como acontece no Rio de Janeiro? No Rio se é divulgado o nome e o currículo do jurado para todo mundo antes do carnaval, ai se ele fizer besteira todo mundo fica sabendo, porque aqui não pode ser assim? Eu cobrei dele, fui em cima do Robertinho e disse: “como é que você me trás os jurados e deixa os jurados fazerem isso com a gente?” É difícil você trabalhar com as dificuldades do carnaval capixaba, principalmente em arrecadar recursos para você conseguir colocar um carnaval melhor na rua e você vê um trabalho de toda uma agremiação indo de água a baixo, por mais que tivemos erros àquela coisa toda você vê a discrepância horrorosa que houve nas notas. A questão de mestre sala e porta bandeira mesmo, os dois bailam juntos, depois ela baila sozinha e ele baila sozinho, depois eles voltam para saírem, o casal tem que estar em sintonia com o pavilhão, não tem mistério, e os jurados deram justificativas absurdas. No carnaval de dois mil e nove o nosso casal tirou um 9.8, sabe qual foi a justificativa do jurado? “Supostamente o mestre sala teria colocado o joelho no chão”, onde esta escrito que isso é proibido, isso não existe, e jurado não pode supor ele tem que ter certeza. A mesma coisa é a comissão de frente, a função da comissão é apresentar a escola saudar o público e os jurados, este malabarismo todo que se foi criado, foi para o espetáculo ficar bonito, foi invenção dos carnavalescos, só que os jurados justificam tudo menos o que eles tem que ver numa comissão de frente, dão nota baixa justificando que houve falta de criatividade, o jurado não tem que ensinar carnavalesco a ter criatividade, ele tem que julgar o trabalho que foi pedido e pronto. A comissão de frente não precisa exatamente estar no contexto do enredo, a função dela é o que já falei: ”apresentar a escola, saldar o público e os jurados. Nosso estado tem condições sim de formar jurados competentes e mostrar a cara deles mesmo, porque se eles derem uma nota que não condiz, ele vai prestar conta com a sociedade do samba que vai estar de olho nele, se no Rio funciona porque aqui não pode funcionar? Mas não somos nós que decidimos isso, são os presidentes de escola, e eu só posso cobrar do meu presidente.

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O QUE VOCÊ ACHA QUE DEVE SER MUDADO NO NOSSO CARNAVAL?

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O conservadorismo, as escolas têm medo de apostarem nos jovens, elas preferem ficar com as pessoas conservadoras que não se reciclam nunca, do que mudar. Elas têm medo de arriscar, medo de mudanças, medo de cabeças mais jovens. Eu costumo dizer que aqui na MUG, eu fui uma pessoa de sorte, porque eu entrei com vinte e seis anos sem nunca ter feito carnaval e acreditaram no meu trabalho, eu era um menino em vista do Carlito, do Sury... Todos eles me viram criança, e de repente aquela criança se deparou com os gigantes brigando de igual pra igual. Tem muita gente nova que tem vontade de ser carnavalesco, mas as escolas não dão oportunidade, acho que tem que existir credibilidade, lógico que você não vai entregar a escola de vez para a pessoa, quando eu cheguei aqui existia uma comissão de carnaval que me amparava e dava uma certa segurança para a escola e pra mim, esse grupo era como se fosse meu anjo da guarda. O conceito em cima do carnavalesco também tem que ser mudado, ele precisa ser mais valorizado, tenho amigos que já fizeram carnaval e sequer receberam um obrigado, quanto mais os honorários. O carnavalesco tem que ser o primeiro a receber, ele é o mentor da obra.

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E A MENSAGEM QUE NOS DEIXA?

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Eu gostaria muito que os foliões se juntassem novamente, porque parece que esta havendo uma divisão, as escolas tem que se unirem para fazer o nosso carnaval crescer. Gostaria que as treze escolas fossem para a avenida brigar com igualdade e fizessem um grande espetáculo, e acabasse esta triagem de MUG, Jucutuquara e agora Boa Vista. E que as empresas privadas os governos, municipais, estadual, federal e principalmente a LIESES se empenhassem em torno de um só objetivo, que é o carnaval. Quando eu falo em nosso carnaval falo do carnaval em todo o Brasil, nosso carnaval é o maior espetáculo a céu aberto. E acho que se nós foliões capixabas nos unirmos só faremos nosso carnaval crescer. E quem ganha com isso são as escolas de samba.

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“COMO SERÁ O AMANHÃ,
RESPONDA QUEM PUDER
O QUE IRÁ ME ACONTECER
O MEU DESTINO SERÁ
COMO DEUS QUISER”
( O amanhã – União da Ilha do Governador - João Sérgio)



 

 


 

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