ENTREVISTA COM BERNADETE LADISLAU DA JUCUTUQUARA
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Técnica |
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"OUÇA
UM BOM CONSELHO,
Quem sabe daqui há muitos anos alguém vai falar dessa mulher que passou pelo carnaval capixaba e deixou o seu carimbo registrado? E ela está deixando mesmo, foi campeã do carnaval quando as escolas retornaram ao Sambão do Povo, foi uma das fundadoras e primeira presidente da LICES (Liga Capixaba das Escolas de Samba) e sem contar com o seu jeito de ser, que já é uma marca que não passa despercebida. Suas opiniões são sempre decisivas e fortes. Mas a Bernadete não é só samba não, quando esta fora do ar, ou seja, fora das quadras e reuniões de samba, está com seu filho (risos) Fred, que é um cachorrinho muito lindo, um pouco levado, mas é lindo. Adora estar junto de sua família e cozinhar para eles. Gosta muito de viajar e sempre que pode esta passeando.
A Bernadete está deixando o cargo de presidente da Unidos de
Jucutuquara, mas não está se despedindo do carnaval
não, como muitos fazem, ela continua fazendo parte do conselho
da escola e já falou que estará sempre ajudando no que
for preciso para o engrandecimento do carnaval capixaba. Vejam vocês
que até convite para ser presidente de uma agremiação
co-irmã ela recebeu. Pelo trabalho realizado dentro da Jucutuquara
e na presidência da Liga, que foi num momento muito difícil,
ela se considera hoje uma grande profissional do carnaval capixaba.
Como sempre, foi muito solícita com a Equipe Viva Samba, mais
uma vez fomos recebidos com muito carinho em sua casa, então
aproveitamos para bater um papinho e agraciar vocês leitores
com mais uma entrevista. |
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QUEM É A BERNADETH LANDISLAU NO CARNAVAL CAPIXABA? |
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SABEMOS
QUE VOCÊ ESTÁ NO SAMBA HÁ MUITO TEMPO, COMO SE DEU
ISTO? |
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E QUANDO O BLOCO VIROU ESCOLA, QUAL FOI SUA PARTICIPAÇÃO?
JÁ COMEÇOU EXERCENDO ALGUM CARGO? |
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E
SUA CHEGADA A PRESIDÊNCIA? |
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x Em dois mil eu já me sentia mais fortalecida, mais segura, mais preparada... Candidatei-me e venci por um voto, acho que é a minha sina (risos). Coloquei a escola em dois mil e um na avenida Jerônimo Monteiro, onde não houve concurso, mas no ano seguinte já no Sambão do Povo fomos campeões com o enredo “À noite seus encantos seus mistérios”. Foi um carnaval muito difícil, porque chovia muito, mas na hora que a Jucutuquara chegou na concentração o céu se abriu e nós passamos. Nos tornamos campeões com o retorno do carnaval no Sambão e isso deixou a Nação de Jucutuquara muito feliz. Fui eleita também em abril de dois mil e oito para fazer o carnaval de dois mil e nove e dois mil e dez. x |
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VOCÊ
TAMBEM FOI PRESIDENTE DA LIGA E COMO FOI SEU MANDATO, PORQUE NÃO
SE CANDIDATOU A REELEIÇÃO NA JUCUTUQUARA? |
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x Durante meu primeiro mandato na Jucutuquara, nós com o apoio do então prefeito Luiz Paulo Veloso Lucas, sentimos a necessidade de criar uma entidade que nos representasse. Começamos a nos reunir em quintal de casa, em botecos, no clube de pesca. Nos reuníamos para trabalhar o que seria esta entidade, pesquisamos os estatutos de ligas de várias partes do Brasil. Uma pessoa que nos deu uma ajuda muito grande foi José Fernando Duarte (Zé Bubu) ele pesquisava muito e procurava tudo quanto era estatuto, estudava e levava pra gente, ele foi fundamental neste momento de retorno do carnaval capixaba. Destas reuniões surgiu a LICES (Liga Capixaba das Escolas de Samba). Como nesta mesma época eu tive problemas políticos na Jucutuquara, vou dizer a verdade: “Eu sou ruim de voto pra caramba, me elejo uma vez, mas depois é difícil pra mim”. Porque eu não faço para agradar eu faço o que tem que ser feito. Eu não faço pra agradar a seu José, seu João e nem seu Antonio. Eu não me vendo e não me troco, eu me dôo, mas me dôo pelo justo, por aquilo que acho ser correto. E assim eu acabo me queimando. Se você tem idéias melhores que as minhas para administrar, não queira administrar no meu lugar, candidate-se e as faça valerem, mas não em cima das minhas. Então tentei a reeleição na Jucutuquara e não consegui, perdi por dez votos e com um campeonato na mão para o mesmo candidato ao qual eu tinha ganhado por um voto. Quando os presidentes das outras agremiações me viram sem mandato, decidiram me eleger a presidente da LICES. Porque eu estava livre e poderia tocar a entidade com mais tempo. Foi muito difícil, tínhamos material de pesquisa de estatuto e tal, mas não tínhamos noção do que era uma Liga de Escolas de Samba na realidade, pior não tínhamos um tostão para fazer um xerox, quanto mais movimentar a Liga. Tínhamos que tirar do próprio bolso. Registrar estatuto, registrar ata, tudo saía do presidente porque nessa hora todo mundo sai fora (risos). Administrei dois carnavais na LICES, dois mil e três e quatro. A partir daí eu me candidatei a reeleição, e como sou ruim de voto mesmo, perdi para o Ewaldo Nunes (risos). Mas enfim, não fica rusga, não fica raiva, não fica nada de ruim, porque? Porque eu me preparo. O poder inebria, mas eu não permito que ele me compre ou que me leve. Quando eu me candidato e ganho, já sei que vai acabar em dois anos, então eu já vivo o acabou. Eu não tenho a vaidade do poder, eu não subo no palco, fico sentada no último degrau esperando a minha hora de descer. x |
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VOCÊ FOI PRESIDENTE DA JUCUTUQUARA EM DUAS ÉPOCAS DIFERENTES,
A PRIMEIRA FOI QUANDO RETORNAMOS DE UM CARNAVAL À CINCO ANOS
HIBERNADOS, ONDE TINHAMOS QUE COMEÇAR DO ZERO, EM DOIS MIL E
QUATRO A JUCUTUQUARA FOI O “BIG BANG” DO CARNAVAL CAPIXABA,
COM UM ESPETÁCULO MARAVILHOSO, E VOCE ASSUMIU A ESCOLA COM UM
PESO E RESPONSABILIDADE DE UM TRICAMPEONATO INCOMPARÁVEL, QUAL
SUA REAÇÃO PARA ADMINISTRAR ISSO? |
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x Foi um grande susto, foi uma paulada, eu deixei a Jucutuquara em dois mil e dois campeã, quando voltei ela era tri e eu tinha a responsabilidade de dar o tetra para a Nação. Entre dois mil e dois e dois mil e oito ela cresceu, e cresceu muito, o que é natural, e quando eu retornei para colocar a escola na avenida em dois mil e nove eu peguei um monstro, claro que foi um monstro lindo e maravilhoso, mas era um monstro enorme. Não estou fazendo críticas, mas peguei a escola com dívidas e todo mundo sabe disso, o que é muito normal porque não existem escolas que não tenham dívidas. Eu confesso mais uma vez, eu me assustei muito com isso, e isso acabou prejudicando um pouco o nosso trabalho. Acabei fazendo mais dívidas para manter o nível de um bom carnaval que a Jucutuquara vinha fazendo, até porque vem a cobrança das pessoas, por outro lado eu tive pessoas maravilhosas do meu lado: Fabinho Nascimento que é um luxo, Maurinho, Braulino, todos os diretores que trabalharam comigo. Eu tive muita força, por isso que colocamos um carnaval maravilhoso em dois mil e nove e não menos bonito em dois mil e dez e eu acredito que consegui levar o mandato de maneira positiva, porque ninguém tem culpa de dívidas, as coisas são muito caras a mão de obra então é caríssima. As dívidas são um desenrolar natural de uma grande escola. As verbas públicas e os patrocínios não acompanham os gastos de uma escola que quer fazer um bom carnaval. Estou falando de uma escola como a Jucutuquara que tem uma quadra lotada e que de uma certa forma produz dinheiro e ainda assim tem grandes dificuldades. x |
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COLOCARAM UM RÓTULO NA JUCUTUQUARA DE QUE ELA É UMA ESCOLA
SEM COMUNIDADE, ONDE SÓ A ELITE PARTICIPA, ISTO EXISTE NUMA ESCOLA
DE SAMBA? |
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x Dizer que a Jucutuquara não tem comunidade é pura balela, eu sou um dos exemplos que a escola tem comunidade, nasci aqui nesta casa e sempre fui participativa com a Nação e ainda sou, igual a mim tem várias pessoas também da comunidade que derramam seu tempo e trabalho para a Nação. A Jucutuquara tem comunidade e uma comunidade forte que trabalha muito pela escola. Não temos culpas que pessoas de todas as classes sociais escolheram a nossa escola para também participar do carnaval, é um direito delas. E pra nós isto é muito bom, precisamos da comunidade no âmbito da diretoria, do trabalho, da mão de obra, da organização, e precisamos também de pessoas que vem para os nossos ensaios, que compram nossas fantasias, este ano vendemos todas, não sobrou uma sequer. Agora quando se fala em “comunidade”, o que isto significa? “Pobre”?? Não sei, a comunidade de Jucutuquara não tem “pobre”? Temos algumas pessoas carentes que ganham suas fantasias, que trabalham na escola, porque a escola também é geração de renda para quem precisa e quer trabalhar. Temos também pessoas “ricas” que tocam na bateria porque querem, temos pessoas “ricas” que estão na diretoria... Não podemos falar pra essas pessoas que elas não podem desfilar porque a escola é da comunidade. A Jucutuquara de tudo tem um pouquinho. A Jucutuquara nasceu no morro, todo mundo sabe disso, mas isso não quer dizer que ela nasceu, foi criada e vai ter que morrer ali não... Se você não abre para as pessoas chegarem, você esta fadada a morrer. Uma entidade como qualquer escola de samba tem que renovar, sendo da comunidade ou não, todos tem que ser bem vindos para trabalhar. Isto é o que eu penso. x |
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A JUCUTUQUARA NUNCA TEVE MADRINHA DE BATERIA, E SIM RAINHA QUE JÁ
ESTÁ NO POSTO HÁ MUITO TEMPO, E VOCÊ INOVOU CONVIDANDO
UMA MADRINHA, PORQUE? |
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x Todas as atitudes que tomei durante meus dois mandatos dentro da Jucutuquara foram apenas para somar no crescimento da escola. A Tatiana é excelente, me desculpem as outras rainhas, mas não temos ninguém melhor que ela no carnaval capixaba, o posto de rainha sempre foi dela. O cargo de madrinha nunca foi vendido, mas somou bastante, e Jucutuquara teve duas mulheres maravilhosas na frente da bateria. Eu só lamento muito com alguns episódios que aconteceram. x |
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UMA COISA QUE TE MARCOU NO CARNAVAL CAPIXABA E QUE FOI SATISFATÓRIA? |
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x Tive vários momentos bons no nosso carnaval, fui campeã quando o desfile retornou para o Sambão do Povo, consegui dar o tetracampeonato para a minha escola, não consegui ser pentacampeã, mas tenho consciência que fizemos o melhor e saímos de cabeça erguida e com o apoio da opinião pública. Mas se tem uma coisa que me deu muita satisfação e eu tenho orgulho disso, foi eu ter sido a primeira presidente da Liga com o retorno do carnaval, e mais, a primeira presidente da Liga e mulher. Eu e mais onze presidentes homens, onde eu me vi “caraca” agora é a hora! O fato de eu ter sido presidente da Liga foi um marco que dentro de mim deu uma consciência e certeza que eu tenho capacidade para fazer carnaval. Não é por vaidade e nem por orgulho, é com honra. Eu ainda me sinto honrada em poder ter sido a representante das escolas naquele momento tão difícil que foi o retorno do carnaval competitivo. Não fiz mais porque, nossa! Como é difícil fazer as coisas nesse carnaval. Meu pensamento era fazer com que todas crescessem igualmente. x |
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QUAL
O BALANÇO QUE VOCÊ FAZ SOBRE ESSES DOIS ANOS QUE ESTAMOS
COM JURADOS DE SÃO PAULO NO CARNAVAL CAPIXABA? |
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x Veja bem! O carnaval de São Paulo é especialmente diferente do carnaval capixaba. Nosso carnaval se assemelha ao carnaval do Rio de Janeiro. carnaval capixaba e carnaval carioca são dois carnavais “semelhantes” salvamos as diferenças de “grandiosidade” sem dúvida, mas o carnaval de São Paulo é muito diferente do Rio e do nosso. Em dois mil e nove eu já não gostei dos critérios de julgamento dos jurados de São Paulo, porque? Eu não sei o que foi pedido a eles que julgassem, mas o critério de julgamento não muda, está no papel desde que carnaval é carnaval. O que eu achei diferenciado foi o juízo de valor, exemplo você tem no papel para julgar samba enredo, mas o seu juízo de valor também influência, porque você tem que gostar ou não. Não me venham dizer que jurados julgam só por critérios técnicos que não é. Você já foi jurada e eu também. Não existe esta desculpa de critérios técnicos, porque quem está lá julgando não são robôs, são pessoas com coração, com cérebro, com sangue correndo nas veias e que se arrepiam ou não. Jurado que coloca na justificativa dizendo que faltou criatividade, que tipo de criatividade? A dele? O carnavalesco vai ter que adivinhar o gosto do jurado? Se ele gosta de colar de bolinhas e eu não? Como que fica? Eu pessoalmente não gostei dos critérios de julgamento dos jurados de São Paulo, talvez porque seja um carnaval diferenciado não sei. Afirmo, nosso carnaval tem muito mais identificação com o carnaval carioca. Quando terminamos o carnaval de dois mil e nove, eu fui a favor que não se repetisse os jurados de São Paulo. Não é por notas que a Jucutuquara obteve, é por notas e comentários de justificativas de todas as escolas, eu não brigo pela Jucutuquara, eu brigo por todas, se a minha se consagrar campeã, bom pra mim, se não for não tem problema. Mas eu vou continuar apontando aquilo que é erro, porque eu sou uma profissional, eu não me deixo levar pelo coração apenas, eu me levo também por aquilo que eu tenho de conhecimento técnico dentro do carnaval. Ano passado nós tivemos acesso ao currículo dos jurados, este ano pelo menos a Jucutuquara não teve. Somos julgados por pessoas que não sabemos quem são e não conhecemos a capacidade e nem o gabarito de julgamento deles. x |
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A
PRESIDENTE DA NAÇÃO DE JUCUTUQUARA JÁ EXPLANOU
NO SENTIDO TÉCNICO PARA O PÚBLICO O QUE ACONTECEU NO CARNAVAL
DE DOIS MIL E DEZ, AGORA EU QUERO PERGUNTAR A PESSOA FÍSICA BERNADETH
LANDISLAU NASCIDA NA COMUNIDADE E APAIXONADA PELA ESCOLA O QUE ELA PENSA
DISSO? |
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x Iamara! Você me perguntou antes uma das coisas que me marcou no carnaval positivamente e eu respondi que foi ter a honra de ter sido fundadora e presidente da LICES, e eu vou te dizer sem sombra de dúvidas: o que mais me marcou negativamente dentro do carnaval foi este episódio lamentável no carnaval de dois mil e dez, eu nunca vou esquecer isso, nunca. A Jucutuquara tem sete títulos, quatros seguidos e logicamente que a Jucutuquara foi para a avenida para conquistar mais um, pois é o direito que nós temos. Todo mundo que vai para a avenida vai para ganhar, não interessa quem seja, eu não sei o que as outras escolas pensam, mas sei que todo mundo vai pensando em ganhar, senão não iam. Que elas entram na avenida achando que todo mundo vai errar menos a sua escola, e isso pode acontecer, tudo pode acontecer porque é um jogo, um concurso onde existe uma competição. A Jucutuquara apesar de todas as dificuldades financeiras, mas que resolveram, graças a Deus, os nossos amigos nos deram uma injeção de ânimo financeiro na escola e nós conseguimos. Fomos para a avenida em busca do pentacampeonato e nos deram o quinto lugar. De qualquer maneira eu saí com o número cinco de lá, você percebeu né? Mas saímos bem, porque foi claro que não merecíamos o quinto lugar, a opinião pública, a imprensa, todo mundo sabe e viu o nosso carnaval, e afirmaram que não merecíamos o quinto lugar. Mas estamos bem porque estamos de cabeça erguida e com mais um grandioso carnaval que a Jucutuquara sabe fazer. Eu nutri sim, uma mágoa, uma angustia, que em um momento o carnaval de dois mil e dez me fez uma pessoa pior. Eu senti muita raiva, eu não pensei que a mágoa me jogaria tão pra baixo. Sei que tem pessoas que vão gostar de ler isso porque queriam mais que eu sofresse e vão estar morrendo de rir, mas não me importo, eu falo o que eu sinto. Então em um momento este carnaval me deixou pior do que eu sou como pessoa, eu nunca imaginei que eu fosse capaz de sentir tanta raiva, eu nunca imaginei que eu fosse capaz de detestar tanto situações, pessoas... Eu não sou uma pessoa leiga no carnaval capixaba, eu também já dirigi uma Liga. Com isto veio o questionamento: “Será que vale a pena? Você largar sua família, você largar seu amor, pessoas, emprego, tudo que mais te faz bem pra fazer um carnaval pra isso? Mas enfim, eu não sei onde está o antídoto para acabar com esse amor, porque a gente fala, fala que não quer mais e acaba ficando. O que me restou do carnaval de dois mil e dez foi uma grande lição, uma lição amarga e muito negativa de como não fazer carnaval. Este carnaval de dois mil e dez não atingiu a Jucutuquara, atingiu milhares de pessoas que gostam de carnaval e participam com amor e dedicação de uma forma ou outra, seja na arquibancada ou nas escolas. Tem gente comemorando e batendo palmas com o quinto lugar da Jucutuquara, eu comemoro o grande desfile que a Jucutuquara fez e a dignidade de saber fazer carnaval com profissionalismo. x |
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E O REGULAMENTO DO CARNAVAL, VOCÊ ACHA QUE TEM QUE SER REVISTO
PARA QUE NÃO ACONTEÇAM MAIS INCIDENTES? |
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x O grande problema do carnaval não foi o regulamento, foram COMPORTAMENTOS, o grande problema do carnaval dois mil e dez não foi o que estava no papel e sim o que foi resolvido exatamente fora do papel, fizeram punições que não estava no papel. Pega no Samba e Jucutuquara foram acusadas de terem atrapalhado a Piedade, não atrapalhamos, mas mesmo que houvéssemos atrapalhado, pelo regulamento não seriamos punidos, porque não existe nenhum item no regulamento dizendo que a escola que atrapalhar a outra perde um ponto. Pediram pelo amor de Deus para a Jucutuquara salvar o carnaval, a Jucutuquara foi lá e salvou, e depois? Quem nos salvou? Ninguém. Pelo fato de eu ter participado do regulamento desde a fundação da Liga, eu entendo um pouco, e como eu brigo sozinha por ele. Eu Robertinho e mais duas ou três cabeças brigamos pelo regulamento, de treze agremiações só uns três ou quatro coloca a cara na frente para brigar, tem presidente que não sabem o que está escrito no regulamento, eles vão para a avenida e não sabem o que estão fazendo. O locutor oficial no Sambão do Povo anunciou que nenhuma escola seria punida e fomos. Pediram para salvarmos o carnaval e nos massacraram, tinha sido determinado que a Pega no Samba desfilaria atrás da gente e ela foi impedida de desfilar em cima da hora, então o que foi isso no carnaval dois mil e dez? Tudo que pediram para nós fazermos nós fizemos. Todas as escolas tiveram três ou quatro punições por portar latinha, máquina fotográfica e tal, só uma que a Liga não viu e todo mundo viu, mas isso não vem ao caso agora, então tivemos a idéia de entrar com um recurso em conjunto, redigi a mão, de próprio punho e pedi para que esta punição fosse diminuída, porque o regulamento não diz que é um ponto para cada objeto encontrado e sim por inflação. A Piedade não perderia nenhum porque só a Liga que não viu nada. Tudo bem um ponto não fazia diferença pra ninguém, mas com este recurso em conjunto que fiz, nem todas assinaram tivemos apenas oito assinaturas, as escolas achavam que eu queria me beneficiar em cima delas, eu poderia ter feito um recurso só para mim, mas não fiz. Eu só quero a igualdade das escolas de samba e ver o carnaval capixaba crescendo cada vez mais. x |
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ACABOU O SEU MANDATO COMO PRESIDENTE, E AGORA, VOCÊ VAI FAZER
PARTE DA NOVA DIRETORIA, JÁ TEM ALGUM CARGO A SUA DISPOSIÇÃO,
QUAIS SUAS METAS PARA O CARNAVAL DE DOIS MIL E ONZE? |
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“SE VOCÊ TEM IDÉIAS MELHORES QUE AS MINHAS PARA ADMINISTRAR,
NÃO QUEIRA ADMINISTRAR NO MEU LUGAR, CANDIDATE-SE E FAÇA AS
SUAS IDÉIAS VALEREM”
(Bernadete
Ladislau )
Bernadete Ladislau durante
o desfila 2010 da Unidos de Jucutuquara
