ENTREVISTA COM O PRESIDENTE FÁBIO SARMENTO DA BOA VISTA

Ficha Técnica

"HÁ UM PUNHADO DE HOMENS QUE CONSEGUEM ÊXITO, SIMPLESMENTE PORQUE PRESTAM ATENÇÃO AOS PORMENORES QUE A MAIORIA DESPREZA”.
(Henry Ford)

“O SAMBISTA É UM ARTISTA
E O NOSSO TOM, É O DIRETOR DE HARMONIA
OS FOLIÕES SÃO EMBALADOS
PELO PESSOAL DA BATERIA
SONHO DE REIS, DE PIRATA E JARDINEIRAS.
PRA TUDO SE ACABAR NA QUARTA FEIRA.”
(Pra tudo se acabar na quarta feira – Martinho da Vila)

O que vou contar agora é uma história que não acabou na quarta-feira como diz Martinho da Vila, mas sim, começou. Começou numa quarta-feira dez de fevereiro de dois mil e dez quando na somatória das notas deu-se o grito: “Boa Vista é campeã do carnaval capixaba!”

É a historia de uma agremiação que nasceu no alto da colina. Bem esta agremiação ainda é bem jovem, pois começou como bloco e só em oitenta e quatro se tornou escola de samba. E agora ela recebe seu primeiro título passando para a história do nosso samba. Por conta disso a Equipe Viva Samba resolveu bater um papo com um dos personagens deste episódio, que é o presidente Fábio Sarmento.

Nascia no dia treze de outubro de mil novecentos e sessenta e seis na cidade de Vitória (ES) o responsável maior para fazer toda uma comunidade, ou porque não, grande parte de um Município chorar de emoção. Esta pessoa se chama Fábio Sarmento, casado, dois filhos e tem orgulho de ser de Cariacica e não só torcer, mas amar sua escola de samba que hoje é a única do Município. Sempre soubemos que o Fábio é muito calado, não gosta de dar entrevistas e está sempre na dele, mas quando nossa Equipe o procurou a resposta foi: “só vocês do Viva Samba pra fazer isso comigo”.

Sentamos numa bela manhã num lugar lindo que é o Parque Moscoso, ele ainda tomado pela emoção do campeonato fazia declarações que também me emocionava, porque sentia que ele falava com o coração, em alguns momentos vi lágrimas em seus olhos, mas logo se defendia dizendo que não era muito de expressar sentimentos, e eu também tinha que me conter para não chorar, porque o amor que ele explana pela Boa Vista é muito profundo e verdadeiro, e toca no interior do nosso emocional.

O Fábio é uma pessoa extremamente simples e passa muita segurança no que diz. Muito feliz, feliz mesmo com o campeonato, mas em nenhum momento demonstrou grau de vaidade além dos limites, muito pelo contrário, ele diz que vão tentar melhorar a cada ano onde erraram, porque para ser bom, só se eles tivessem fechado as notas com trezentos pontos. Durante todo tempo de nossa entrevista ele sempre citava o nome de sua diretoria, equipe de trabalho e a garra e confiança que a comunidade tem. “Sem eles seria impossível colocar nossa escola na avenida”.

“BOA VISTA É PAIXÃO
FAZ BATER MAIS FORTE NO CORAÇÃO
MINHA ARTE MEU TESOURO
NEM TUDO QUE RELUZ É OURO”.

(Nem tudo que reluz é ouro, nem tudo que balança cai -
Emerson Xumbrega, Bid do Cavaco, Sidney Mingau, Douglas Jacaré e Júlio Negada)


O QUE É A ESCOLA DE SAMBA BOA VISTA, COMO QUE SURGIU?

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Bem, a Boa Vista nasceu em mil novecentos e setenta e cinco no bairro de Alto Boa Vista. Até pouco tempo a escola era concentrada só na região da grande Itaquari, onde as pessoas tinham participação não só direta, mas indiretamente também. Hoje a Boa Vista talvez por ser a única escola do nosso município ganhou outra dimensão e agrega toda Cariacica.

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E VOCÊ, COMO SE INSERIU NO MUNDO DO SAMBA?

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Fui coordenador de um bloco que tinha no meu bairro, começamos em noventa e cinco, até paramos com ele porque estava ficando muito grande a violência começou a aumentar e nós não estávamos dando conta, e também ajudava a Boa Vista no que se pedia dentro da minha área que é a contabilidade, mas não desfilava. Minha esposa, irmãs, minha mãe, todo mundo desfilava e eu ficava em casa assistindo pela televisão e tomando conta das crianças. Só em dois mil e cinco que desfilei na harmonia porque me indicaram para acompanhar a comissão de verificação. Fui do conselho fiscal da escola também, minha participação sempre foi em volta da escola. Participava dos ensaios, dos acontecimentos...

COMO CHEGOU A PRESIDÊNCIA E COMO É SER PRESIDENTE DA ÚNICA ESCOLA DO MUNICIPIO DE CARIACICA?

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Para o carnaval de dois mil e seis houve um movimento no bairro para mudança da diretoria da escola, como toda mudança gera polêmicas, na nossa escola não foi diferente. No final da história entre acordos e desacordos a diretoria decidiu que sairia, mas não deixaria qualquer pessoa assumir. Meu nome foi indicado, me fizeram o convite e eu aceitei, “se tivesse que voltar atrás, não sei se aceitaria não” risos. Agora ser presidente de qualquer escola é ter que trabalhar muito e ser criticado o tempo todo. Mas o mais importante em qualquer liderança é ter uma equipe em que você possa confiar. Nunca centralizo nada, tudo é decidido em conjunto. Agora ser presidente da única escola do município tem algumas vantagens em mostrar para as pessoas o nome do município, e também hoje temos um prefeito que gosta de escola de samba e isto ajuda muito, não estou falando em recursos financeiros porque o município é carente não tem tanta arrecadação e existem outros setores da cultura para serem olhados também. Mas num município como o nosso a presença do governante maior traz a credibilidade para a escola junto as comunidades.

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COMO SE AGREGA UMA COMUNIDADE COM ESCOLA DE SAMBA? FALO ISTO PORQUE VEJO NA BOA VISTA UMA RESPEITABILIDADE MACIÇA DA COMUNIDADE. A ADMINISTRAÇÃO COMUNIDADE/ESCOLA FUNCIONA? VOCÊ CONSEGUE FAZER COISAS QUE ESCOLAS MAIS ANTIGAS E DE TRADIÇÃO NÃO CONSEGUEM, QUAL O SEGREDO?
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Quando assumimos para o carnaval de dois mil e seis, inicialmente a necessidade era que a Boa Vista apresentasse um trabalho melhor. Tínhamos muitas dificuldades, até porque os recursos eram poucos. Não que a comunidade estivesse afastada, mas ela não participava muito do trabalho da escola, a preparação, organização para se colocar a escola na avenida, e até mesmo os dez quesitos que são competitivos. O que era fundamental naquele momento era mostrar a cara da Boa Vista para o carnaval capixaba. E logo no primeiro ano da nossa diretoria conseguimos o terceiro lugar, e na época ouvimos o tempo todo que a escola iria cair. O terceiro lugar acendeu uma chama que a Boa Vista tinha potencial, mas não foi a chama da vaidade, foi a chama do pé no chão. A partir daí começamos a acreditar que o trabalho traz benefícios sim. E a comunidade contribuiu muito neste momento. Buscar a comunidade para participar foi muito importante para a escola naquele momento.
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VOCÊ ACHA QUE ALÉM DA ADMINISTRAÇÃO UM BOM ENREDO AJUDA PARA UM BOM DESEMPENHO DA COMUNIDADE NA ESCOLA?
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Claro! Em dois mil e seis, o enredo falava de Cariacica, isso foi um grande passo para agregar a comunidade na escola. A comunidade passou a ter orgulho de ser de Cariacica, não que tivesse vergonha, jamais eu falaria uma coisa dessas, mas o enredo mostrou o que é Cariacica, o lado bom do município que até então ninguém sabia, e a comunidade ficou orgulhosa disso, e o resultado foi o terceiro lugar, mesmo com poucos recursos. O enredo chamou muita a atenção da comunidade, era o que pretendíamos, primeiro fazer valer que em Cariacica existia uma escola de samba e que a comunidade precisava saber disso, ou acordar para isto. Este trabalho foi de extrema importância para a Boa Vista. Foi um enredo que mostrou que o município de Cariacica existe e que tem coisas boas lá. Ai foi a volta da participação da comunidade e da prefeitura municipal de Cariacica, onde começou a enxergar a escola de samba como um peso cultural dentro do municipal. Não falo em termos de recursos, mas em reconhecimento.
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CARIACICA PODE SER UM MUNICÍPIO COM POUCA ARRECADAÇÃO, MAS NÃO É TÃO PEQUENO, A ESCOLA SE EXPANDIU DE UMA MANEIRA RAZOÁVEL NUM PERÍODO BEM CURTO, NOS CONTE COMO FOI?
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Como já havia lhe falado, o fato de sermos a única no município hoje, nos ajuda muito, mas a participação da prefeitura foi fundamental, em termos de divulgação, participação, querer que a escola cresça... Outra coisa que ajudou muito foi que nós começamos a fazer ensaios em outros bairros do município também, ora como convidados, ora como parceiros... E assim conseguimos ter componentes de todo o município, o que antes não era realidade.
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QUAL A MAIOR DIFICUDADE QUE VOCÊ ENCONTRA NO GERENCIAMENTO DE SUA ESCOLA, ALÉM DA FALTA DE RECURSOS?
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Ter um público constante na quadra. Os ensaios não são uma fonte de recurso, infelizmente não conseguimos fazer com que o público apareça em massa, o público só aparece nos últimos ensaios, onde nós conseguimos ter um recurso maior, mas na realidade os ensaios acabam sendo uma troca de figurinhas. A geração de recursos ainda é um fator muito complicado para nós. Outra dificuldade muito grande é a venda de fantasias. Não podemos investir muito na confecção das mesmas porque a nossa comunidade não dispõe de tantos recursos para a compra, temos poucas alas fechadas. O restante da escola não tem tanta dificuldades, pois por nossa escola ser de comunidade, o intérprete, o mestre de bateria, a diretora de carnaval, vice-presidente, coreógrafo, ritmista... Praticamente toda a escola bota a mão na massa e trabalha. Até o nosso casal de mestre-sala e porta-bandeira que são de fora, mas estão conosco a cinco anos, vem por amor. Eles não cobram nada da escola, não gostam de ficar em hotel porque é muito impessoal. Quando eles vêm ficam hospedados em nossas casas e participam de tudo da escola.
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A MAIORIA DAS ESCOLAS RECLAMAM PELA FALTA DE ESPAÇO PARA ALEGORIAS, QUAL SERIA A SOLUÇÃO?
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Hoje uma das coisas que mais nos faz falta é um barracão. Perdemos muito materiais pela falta deste espaço. Temos que alugar sempre um local que é muito caro. Sou completamente a favor da cidade do samba. A partir do momento que as escolas tiverem um lugar decente para construírem suas alegorias, o carnaval vai melhorar e muito.
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NEM TUDO QUE RELUZ É OURO, MAS VOCÊS ENCONTRARAM A MINA ONDE O OURO NÃO ERA DE “TOLO”, ONDE ESTAVA ESTE VERDADEIRO TESOURO?
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Todo mundo que vai para a avenida, mesmo com as dificuldades sonha em ser campeão e nós não somos diferentes. Ai começamos a trabalhar deste que assumimos a escola. Mas sempre com a convicção que carnaval é quesito. Sabíamos que fazer alegorias e fantasias competitivas eram muito difícil, até porque não dispúnhamos de recursos, e, estes dois quesitos gastam praticamente oitenta por cento do recurso do carnaval. Então focamos nos oitos quesitos restantes. Mas a gente sabia que o nosso samba era bom pela receptividade da quadra, sabia que a nossa bateria era boa, temos um casal que está com a gente há cinco anos e sempre tiram dez, nosso coreógrafo também já está conosco há um bom tempo e com boas notas. Por nossa escola ser a maioria da comunidade a harmonia é forte, porque eles cantam o samba na avenida, já estamos trabalhando a evolução há algum tempo. Ano passado tivemos uma melhora considerável em fantasia, vinhemos vestidos dos pés a cabeça. Este ano nós procuramos melhorar o que fizemos ano passado, cumprimos o enredo e mantivemos tudo que a principio foi idealizado pelo carnavalesco, todas as fantasia foram para a avenida, todos os carros também. Nós procuramos não cometer erros para obtermos boas notas. Nós tivemos onze notas dez no total, mas oito delas foram em mestre-sala e porta-bandeira, samba enredo e harmonia, nossas notas não foram supervalorizadas, em relação ao carnaval de dois mil e nove, mantivemos a média, mas com melhoras onde realmente acreditamos que conseguiríamos, e apostamos nisso. Mas o verdadeiro tesouro foi todo mundo trabalhar e acreditar, em nenhum momento houve vaidade desde do nosso intérprete e compositor ao vice-presidente, todos colocaram a mão na massa para ajudar a escola. Dividimos as funções e graças a Deus deu certo.
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REZA A LENDA QUE QUANDO VOCÊS OPTARAM PELO CARNAVALESCO ORLANDO JUNIOR, JÁ ERA O INÍCIO DA TACADA CERTA PARA GANHAR O CARNAVAL É VERDADE?
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Veja bem, trabalhamos dois anos com dois carnavalescos do Rio, que são excelentes, mas houve um certo desgaste, e quando isso acontece à gente tem que mudar. Então conversamos com alguns carnavalescos daqui, neste momento o Orlando Junior saiu da Jucutuquara, mas ficamos sabendo que havia um interesse da parte dele em continuar fazendo carnaval em Vitória. Além do trabalho maravilhoso que ele fez na Jucutuquara que todo mundo reconhece, a gente via nele a vontade de disputar para ganhar e principalmente que ele poderia mudar o nosso carnaval com aquela coisa criativa, diferente, maior... Chegamos até a conversar com outros, mas com ele as coisas foram se acertando, e havia uma aprovação maior com o nome dele. Houve um desgaste da relação dele com a Boa Vista, mas a questão foi que a escola não tinha recurso nenhum para repassá-lo antes, e ele gostaria de receber adiantado. Pesou também que ele gostaria de ter uma estrutura que nós não podíamos oferecê-lo, que era o que ele tinha na Jucutuquara. Estrutura de fazer fantasias mais cedo, carros mais cedo, barracão... Alugamos um barracão caríssimo com boa estrutura, cobertura, mas não conseguimos manter. Mas a passagem do Orlando em nossa escola foi excelente até porque a gente precisa aprender a fazer carnaval, para não ficar dependendo a vida toda do Rio de Janeiro, e ele é um grande profissional.
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E O ENREDO DOIS MIL E DEZ FOI OPÇÃO DE VOCÊS OU DO CARNAVALESCO?
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Na verdade, a escola abriu para todos que quisessem apresentar enredo, não queríamos enredo comercial até porque nunca se consegue nada com este tipo de enredo, em matéria de patrocínio, é pura ilusão. Então o carnavalesco nos ofereceu o “Nem tudo que reluz é ouro” e achamos interessante e que daria um samba muito bom. O Orlando nos falou que não sairia tão caro (apesar de que saiu bem carinho). Abraçamos a causa e deu certo.
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O QUE MAIS TE EMOCIONOU NO CARNAVAL CAPIXABA?
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O primeiro título da Boa Vista. Acho que qualquer coisa que vier acontecer daqui para frente vai ficar em segundo plano. Por mais que a gente acreditasse a comunidade também podia acreditar, mas não esperava. O momento marcante pra mim não foi nem o título em si, mas ver a comunidade depois da apuração comemorando, chorando se abraçando. Este momento eu jamais vou esquecer na minha vida. Está fixado dentro do meu coração.
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ESTE ANO DE DOIS MIL E DEZ ACONTECERAM ALGUNS INCIDENTES NO NOSSO CARNAVAL, TIPO TRÊS ESCOLAS ENVOLVIDAS COM O ATRASO DO SÁBADO, PROBLEMAS COM A URNA, ENVELOPES VIOLADOS, O QUE VOCÊ PENSA SOBRE ISSO?

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Eu não estava no local, já ouvi várias versões diferentes. Já comentei várias vezes que aquele espaço é pequeno e não temos estrutura. A formação dos carros tem que ser feita cedo, porque depois você não forma mais, é muito complicado para chegar ali com carros depois que está tudo tomado. É muito importante que as escolas cheguem antes na avenida e não faltando poucos minutos só para cumprir um regulamento, tem que haver coerência. Quando a formação era de um lado e de outro era pior ainda. Continuo dizendo as escolas tem que chegar cedo. A minha opinião é: “ou todo mundo teve culpa, ou ninguém teve culpa”. Acho que não houve a preocupação em resolver a situação cedo, porque com um pouco de boa vontade resolveria. Acho que as escolas envolvidas em nenhum momento pensaram no carnaval, pensaram simplesmente na própria escola. Talvez a LIESES não tenha agido de forma firme naquele momento. A Liga é responsável pelo espetáculo, mas as escolas também têm que ter responsabilidades. Quanto a comissão de verificação, na sexta-feira uma pessoa falou que nós não poderíamos manter os tripés acoplados por correntes no carro abre alas, ai eu por telefone falei que manteríamos porque no regulamento não tinha nada dizendo que não podia, e isto já tinha sido decidido em reunião. Então a gente percebe o despreparo. A pior parte do carnaval é justamente a concentração, todo ano dá problema. Acho que no mínimo tinha que ter uma pessoa da comissão de verificação para cada escola na avenida, não para punir, mas para ajudar as escolas em qualquer eventualidade, para não atrapalhar o carnaval. A função da Liga é fazer o carnaval. Procurar se está faltando alguma coisa, um ponto de energia, algum fio atrapalhando... No carnaval não tem que se punir ninguém, tem que ajudar e deixar as escolas decidirem o título na avenida. Decidirem nos quesitos e pronto.

Quanto a urna e envelopes, este problema tem que ser resolvido para dar transparência ao nosso carnaval. Não adianta a gente dizer que não houve problemas porque houve sim, não é normal você ter envelopes violados na apuração, isso não deve acontecer nunca. Temos que ter mais gente realmente para dar uma certa transparência. Não estou acusando ninguém e nem quero acusar , porque todo mundo tem boa vontade. Prefiro acreditar e acredito que não houve má fé em momento algum. Tem pessoas que falam que foi pra ajudar a Boa Vista, pelo amor de Deus, quero que isto seja apurado, em momento algum a Boa Vista pediu ajuda deste tipo para ganhar carnaval. A gente vem trabalhando gradativamente desde dois mil e seis. Basta vocês acompanharem as notas da Boa Vista desde aquela época e tirarem suas conclusões. Nossas notas não foram superfaturadas, mas acredito que teve escolas que poderiam ter notas melhores, vamos aguardar as justificativas.
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COM TODOS OS ACONTECIMENTOS DO CARNAVAL OUVIMOS MUITO NOS BASTIDORES QUE O PROBLEMA ESTÁ NO REGULAMENTO, NÃO SÓ NA CONCENTRAÇÃO, MAS NA DISPERSÃO TAMBÉM, VOCÊ COMO PRESIDENTE CAMPEÃO, O QUE TEM A NOS DIZER?
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Existem alguns pontos que tem que ser revisto, o regulamento tem que ser conversado, basicamente ele já tem uma feitura onde não há muito que mudar. Agora foi o que conversamos antes, a comissão de verificação ou de concentração, realmente ela tem que funcionar o tempo todo, ela tem que estar ali identificada claramente pra gente e com o regulamente em baixo do braço e sabendo decifrá-lo. Gosto da idéia de se ter uma pessoa para cada escola, como se fosse fiscal de obra. Esta pessoa tem que ficar ali para ajudar e até esclarecer questões do regulamento que às vezes passam despercebidos. A questão da comissão de verificação ficar fiscalizando quem leva cerveja, bolsa pendurada, pra mim é punir duas vezes, já que os jurados lá em cima também já estão julgando. As escolas devem ser orientadas a trabalharem isso na sua diretoria de harmonia e não receber castigo já entrando na disputa perdendo. Um problema grave que aconteceu foi aquele fio atravessado de um lado a outro na concentração, onde só perceberam depois que atrapalhou as escolas.
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O QUE DEVE SER MUDADO NO CARNAVAL CAPIXABA DENTRO DE SUA VISÃO DE SAMBISTA?
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Não vou falar em recursos, porque eles estão chegando, e chegam no caminho que é nosso carnaval, não me adianta querer falar que todo mundo tem que ajudar, se o produto não interessa para a empresa o recurso não vai entrar, você tem que ter primeiro o produto para depois vendê-lo. Hoje conseguimos um bom trabalho através da Liga. Devido os problemas que aconteceram as pessoas não estão reconhecendo, mas a LIESES já conseguiu muita coisa para as escolas. Através do Rogério Sarmento as escolas já conquistaram muito para colocar o carnaval na avenida, sei que não é suficiente, mas já melhorou bastante. Mudanças têm que haver sim, mas o mais importante é buscar agora resolver os problemas que aconteceram este ano, isto seria uma forma de mudança, está na hora de se juntar e sentar para resolver este problema. O regulamento foi sim discutido entre as escolas, as próprias escolas deram bastantes opiniões no regulamento, o que não se modificou porque não acharam necessidade modificar. Este problema de modificação de ordem de desfile, isso não deve acontecer novamente, o regulamento não diz que isso pode. Deu a hora da escola entrar a avenida ela tem que estar lá, não importa como, se não estiver... O regulamento é claro nisso. Para resolvermos os problemas e encontrarmos soluções, temos que discutir o assunto de maneira seria. Sou a favor da construção da cidade do samba ou outro nome que seja. As escolas têm que ter um espaço para construírem seus carros alegóricos, espaço decente para dar igualdade a todo mundo.
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QUAL A MENSAGEM QUE VOCÊ NOS DEIXA:
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Não vou deixar mensagem, mas um agradecimento a nossa comunidade que sempre acreditou que a Boa Vista é uma escola de samba que tem garra. Teve um ano que o recurso da prefeitura de Cariacica não tinha saído ainda, fomos ao Chiquinho (da Loja Babado da Folia) para comprar o material para fazermos as fantasias, o Chiquinho com todo direito nos falou que não poderia fornecer o material porque tinha que receber alguma coisa, e a escola já devia algo lá. Passamos a situação para ele que tínhamos recurso para receber e que nós mandaríamos, corremos atrás, o próprio Juninho que era do circuito municipal de cultura entrou para conversar direto com o Chiquinho, fomos até o Ewaldo Nunes que era o presidente da LIESES na época, porque o Chiquinho nos falou que se o presidente da Liga autorizasse ele liberaria o material. Com isso tudo se passaram dez dias, e nós não conseguimos nada. Depois conseguimos um empréstimo de vinte mil reais mandamos para o Rio e nosso material chegou na quinta-feira pela manhã, nós desfilaríamos no sábado. Fizemos nosso carnaval em três dias. Uma e meia da manhã tiramos nosso último carro do barracão, a sorte que seríamos a última escola a desfilar, tivemos muitas dificuldades para passar com nossos carros, mas conseguimos. Hoje eu não faria mais isso, fazer carnaval em três dias é loucura, não digo que é impossível, porque a Boa vista conseguiu, mas conseguiu simplesmente pela garra e vontade de mostrar que a escola estava ali com orgulho e não por vaidade. Só tínhamos um carro guincho para tirar as alegorias, então tivemos que tirar de um em um mas conseguimos. Então a minha mensagem é de agradecimento, hoje estou feliz porque somos campeões e com nossos compromissos honrados sem dever a ninguém.
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“QUESTIONAR QUEM DEVE SER O CHEFE, É COMO DISCUTIR QUEM DEVE SER O SAXOFONISTA NUM QUARTETO: EVIDENTEMENTE QUEM O SABE TOCAR”
(Henry Ford)


Presidente da Boa Vista Fábio Sarmento

 



 

 

 

 


 

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