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NOS
FALEM SOBRE A CHEGADA DE VOCÊS NO SAMBA? |
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Cheguei aos sete anos. Comecei desfilando na ala infantil da Jucutuquara,
depois fui passista mirim, logo o carnaval entrou em recesso. Mas
em Jucutuquara tinha o bloco que todo ano ia para as ruas do bairro,
eu acompanhava a Elaine como porta estandarte. Em noventa e nove já
com o retorno do carnaval, fui chamado para ser mestre sala mirim
da Jucutuquara junto com minha prima Simone. Em dois mil estreei como
primeiro junto com a Thalita.
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Durante o recesso das escolas minha mãe me fantasia e eu acompanhava
o bloco no carro de som junto com meu tio Xavier que era intérprete
e meu pai. Com o retorno das escolas desfilei no carro alegórico
da Jucutuquara. Em noventa e nove entrei no projeto do Genivaldo para
casais de mestre sala e porta bandeira, mas desfilei como passista
mirim, só desfilei como porta bandeira em dois mil. Na verdade
eu e o Bruno fomos convidados para sermos o segundo casal, mas houve
um contratempo com o primeiro casal que era o Darlô e a Débora
na época, ai eu e o Bruno assumimos o papel de primeiro faltando
pouco mais de um mês para o desfile.
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PORQUE
A DECISÃO DE SEREM MESTRE SALA E PORTA BANDEIRA? INFLUÊNCIA
DE FAMÍLIA, OUTROS CASAIS, OU SIMPLESMENTE POR GOSTAREM DO BAILADO? |
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Na verdade eu ficava meio que dividido. Eu não sabia se queria
ser passista ou mestre sala. Lembro que gostava muito de ver o Maurinho
dançando. Mas a minha influência mesmo foi com o Beto
e a Verônica. Quando eu os via bailando sempre falava a minha
mãe que queria ser como eles. Desde pequeno eu passava a noite
toda assistindo o desfile do Rio de Janeiro só para ver os
casais de mestre sala e porta bandeira, e ficava tentando imitá-los.
Eu adoro ser mestre sala, acho que está no meu sangue sempre
fico encantado ao ver um mestre sala bailando.
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Eu não tive influência familiar, apesar de ser filha
de sambistas, meu pai sempre foi de dirigir a harmonia, sempre fez
parte da diretoria e minha mãe era passista e eu já
bem pequena colocava um pano de prato na vassoura e dava uma de porta
bandeira. Sempre tive um encantamento ao ver um casal de mestre sala
e porta bandeira dançando. É muito bonito você
assistir um desfile com todo mundo sambando em um ritmo e no meio
tem só aquele casal dançando de forma diferente. A minha
inspiração também veio do Beto e Verônica.
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THALITA, VOCÊ RECUSOU UM CONVITE QUE A MAIORIA DAS PORTAS BANDEIRAS
ACEITARIAM COM LOUVOR, O DE SER PRIMEIRA PORTA BANDEIRA DA UNIDOS DE
JUCUTUQUARA PARA O CARNAVAL DOIS MIL E DEZ, PORQUE ESTA RECUSA? |
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Bom quem conhece a minha história e a do Bruno, até
mesmo a própria Bernadeth que nos ajudou muito no começo
de tudo sabia que esta hipótese estaria fora de cogitação.
Não que eu não saiba dançar com outro mestre
sala e que o Bruno não saiba dançar com outra porta
bandeira, nós estamos preparados. Jamais vou me desfazer de
qualquer mestre sala, quero que isto fique bem claro. Mas eu e o Bruno
nos encaixamos de uma certa maneira com o nosso jeito de dançar
que eu não me vejo dançando sem ele. E também
nós temos uma história juntos como mestre sala e porta
bandeira. Na reunião quando aconteceu o convite eu respondi
que o Bruno é o meu amor e ele eu não largo, é
pessoal mesmo, antes dele ser meu parceiro ele é meu amigo
e nós não abrimos mão disso a nossa história
não é só de carnaval, é também
de vida, o Bruno é meu irmão de coração
e de outras vidas também. Tem coisas que a gente não
consegue explicar, mas conseguimos sentir. O Bruno é a extensão
do meu corpo quando estou dançando. O João Felipe é
um excelente mestre sala, eu sei disso. Mas eu e o Bruno somos parceiros,
temos a química certa, somos amigos enfim, eu recusei o convite
e não me arrependo jamais. Eu me emociono muito quando falo
nisso. A Bernadeth foi muito criticada quando ela nos colocou como
primeiro casal, porque éramos muito jovens, mas ela confiou,
e confiou muito na gente. Hoje nós temos o direito de fazer
nossas escolhas, temos maturidade para assumir o posto de primeiro
casal. Mas eu não abro mão do Bruno e nem ele de mim.
Esta foi a minha decisão e será sempre.
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E
VOCÊ BRUNO, SUA REAÇÃO AO VER A POSSIBILIDADE DE
NÃO DANÇAR COM A THALITA, O QUE SENTIU AO SABER QUE ESTA
PARCERIA PODERIA SE DESFAZER? |
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Confesso que a minha reação não foi muito agradável,
eu não gostei mesmo. Até porque eu já sabia desta
história toda e também sabia da decisão da Thalita,
no entanto eu deixei para ela responder. Eu também não
esperava este tipo de convite, até porque as pessoas sempre
reconheceram nosso trabalho sempre apostaram e confiaram na gente.
Então eu fiquei surpreso e decepcionado ao mesmo tempo. Mas
nós não temos uma vida só de escola de samba,
temos uma vida fora também, uma vida de amizade, carinho e
respeito um pelo outro. Acho que nosso destino foi traçado.
Se hoje nós temos este reconhecimento e respeito foi com muito
esforço para conquistarmos um espaço no carnaval capixaba.
Já passamos por isso antes, só que foi o inverso. Quando
eu recebi o convite de desfilar sem a Thalita em dois mil e três,
eu recusei, ai a diretoria voltou atrás e nós continuamos
juntos, mas a pressão foi muito grande então saímos,
voltamos em dois mil e cinco como segundo casal. Mas toda escola tem
que ver o que é melhor para ela e nós somos hoje profissionais
do carnaval e hoje sabemos que temos potencial para voar mais alto.
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QUANDO
FOI ANUNCIADA A SAÍDA DO SEGUNDO CASAL DA JUCUTUQUARA, SABEMOS
QUE O ASSÉDIO DE OUTRAS AGREMIAÇÕES FOI MUITO GRANDE,
PORÉM O MUNDO DO SAMBA TINHA A CERTEZA QUE ESTE MESMO CASAL IRIA
PARA A SÃO TORQUARTO POR MOTIVOS ÓBVIOS, PORQUE NÃO
FORAM, O CONVITE NÃO ACONTECEU? |
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Convite não, aconteceu um contato, a escola nos procurou para
saber o que o casal queria, colocamos toda a situação,
falamos o que nos era importante, porque a Jucutuquara sempre nos
deu toda estrutura de espaço de fantasia... Sempre tivemos
boas fantasias, porque o Carlão é excelente sempre caprichou
na nossa roupa, pra mim ele é o melhor. Mas a São Torquato
nos ouviu e não nos fez uma proposta. A Andaraí nos
procurou na pessoa do Paulo Balbino na época, e nos fez propostas
boas, mas também não aconteceu. Depois disso nós
conversamos diretamente com o presidente Thiago Nunes e decidimos
ficar na Andaraí porque ele nos deu uma boa estrutura, o que
realmente a gente precisava, como o direito de se apresentar bem.
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VOCÊS ESTÃO COM A RESPONSABILIDADE DE SEREM O PRIMEIRO
CASAL DEFENDENDO O PAVILHÃO DA CO-IRMÃ ANDARAÍ,
E AGORA?
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Estamos seguros, mas ao mesmo tempo apreensivos, foram cinco anos
como segundo e isso requer um pouco mais de preparo e muito mais cuidado.
Tem cobrança, tem, e isso é natural porque saímos
de uma escola grande, e mesmo como segundo casal nós fizemos
um nome. Sempre tem um friozinho na barriga até porque estamos
indo para uma agremiação diferente, que não é
sua, não é da sua comunidade. Acho que se fosse na nossa
escola a cobrança seria menor até pelo fato de sermos
da comunidade. Mas a Andaraí confiou no nosso trabalho e nós
vamos fazer o máximo para retribuir. Assim como a Bernadeth
nos falou que a Jucutuquara tem dois grandes casais, acho que está
na hora de um casal sair e ir para outra escola mostrar seu trabalho.
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Realmente é uma grande responsabilidade, mas não topamos
esse desafio do nada. Nós poderíamos ficar muito bem
quietinho com o papel de segundo casal seria bem confortável
para nós. Se não tivéssemos confiança
de que somos capazes de defender uma agremiação não
iríamos, vamos dar todo o nosso potencial, não prometemos
notas porque isso é com os jurados, mas prometemos entrega
total. Confio muito no meu mestre sala e ele também confia
em mim. Sabemos que vamos fazer um bom trabalho e estamos batalhando
para isso.
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UM MOMENTO MARCANTE DURANTE ESTA TRAJETÓRIA DE DESFILE?
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O carnaval de dois mil e dois na Jucutuquara, o retorno do Sambão
do Povo e todo mundo nos apoiando, eu tinha quinze anos e o Bruno
dezesseis, a comunidade toda nos abraçou, eu vinha representando
Iemanjá e o Bruno Ogum, e foi justamente no dia dois de fevereiro
dia de Iemanjá. Era tudo muito novo para nós, depois
de muitos anos o carnaval voltou a ter jurados, e nós éramos
o primeiro casal e conquistamos a segunda maior nota, perdemos apenas
para o casal da Imperatriz do Forte que eram do Rio. Nossa, foi de
uma importância muito grande,mesmo com parte da escola acreditando
e a outra parte questionando nós conseguimos ajudar a nossa
escola ser campeã.
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Pra mim também foi dois mil e dois. Nós já entramos
na avenida com uma grande responsabilidade. Sem contar com a chuva
que estava, mas na hora do desfile da Jucutuquara o céu estrelou,
foi maravilhoso. O desfile foi muito emocionante. E quando nós
desfilamos pela primeira vez no Rio, mesmo não sendo numa escola
de samba. Mas quando pisamos na Marquês de Sapucaí pela
primeira vez desfilando com a escolinha do mestre Dionísio,
foi muito legal, foi tudo muito lindo.
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COMO
QUE É ADMINISTRAR A VAIDADE NO SAMBA? |
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Quando eu era mais nova era muito difícil lidar com isso. Dois
adolescentes com uma grande responsabilidade. Então era papai
e mamãe sempre puxando a gente para controlarmos a nossa vaidade,
senão a gente saia voando mesmo. Nosso trabalho sempre foi
muito bem visto e elogiado. Se a gente absorvesse tudo que ouvíamos
seriamos um casal insuportável. Hoje é muito mais difícil
lidar com a vaidade e o ego de outras pessoas, o nosso a gente controla
a gente sabe até onde temos que ir... Já tentaram fazer
conflitos internos entre nós e o João Felipe e a Andressa,
mas não conseguiram, porque nós quatro administramos
bem isso. Existem pessoas que quando estão com o ego exaltado
e o poder na mão se tornam extremamente perigosas. É
muito chato e difícil administrar isso.
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Eu pra ser sincero já fui de me preocupar muito com isso, já
fui muito mais esquentado, eu não era muito de aceitar colocações
de certas pessoas. Agora eu estou mais amadurecido, sei que sou profissional,
tenho a humildade de aceitar qualquer tipo de critica, mas também
sei como rebater. Como começamos muito novos, a nossa vida
era dançar, éramos mestre sala e porta bandeira mas
não sabíamos o verdadeiro significado de ser um mestre
sala e porta bandeia, então as pessoas falavam coisas que às
vezes eu não entendia o porque estavam falando aquilo, eu queria
era dançar.
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MENSAGEM PARA O MUNDO DO SAMBA: |
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Primeiro eu quero agradecer ao presidente Thiago Nunes da Andaraí
e toda a comunidade que nos abraçou. É muito legal a
maneira que estamos sendo tratados lá, onde estamos se tem
alguém da escola eles vêem até nós nos
cumprimentam tiram fotos...
Agora a mensagem que vou deixar é para os casais que estão
iniciando, “não desistam nunca, vão à luta,
batalhem pelo seus objetivos” e agora é rumo ao carnaval
dois mil e dez.
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Basicamente tudo o que o Bruno falou. Que os casais que estão
chegando acreditem no seu potencial, temos casais aqui que não
devem nada para os casais de fora, mas para sermos bons precisamos
e muito trabalho e dedicação. Seria bom se as agremiações
investissem mais nos casais de Vitória e nos profissionais
de Vitória. Aqui tem matéria prima pra isso. Desejamos
um bom carnaval a todos e rumo a dois mil e dez.
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