ENTREVISTA COM O DIRETOR MUSICAL DA LIESES RODRIGO TRISTÃO
| Ficha
Técnica |
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“É COM ESSE QUE EU VOU “O
CHEFE DA FOLIA PELO TELEFONE
Rodrigo Tristão. Nascido em Governador Valadares (MG), no dia vinte e dois de fevereiro de mil novecentos e sessenta e cinco. Mas veio para o Espírito Santo ainda muito pequeno. Sua profissão, músico com muito orgulho. Casado e pai de dois filhos. Já na adolescência formou um bloco com um grupo de amigos, onde ensaiava bossas e arranjos, baseados nas escolas de sambas capixabas e do Rio de Janeiro. Qualquer evento era motivo para reunir os amigos e começar a batucada. Aos dezessete anos tocava profissionalmente num grupo de samba e choro chamado “SONOROSO”. Nos anos noventa junto com vários músicos de peso, como: Heráclito, Ditão, meu querido Joaka, Walter Nogueira Campos, Mosquito, Marquinhos Bacalhau... Fundou o grupo “LINHA DE PASSE” que foi sucesso total na época. Daí não parou mais... Hoje tem uma banda de baile chamada “Banda Vix”, tem o grupo “Ilha” que é especializado em sambas, faz produções musicais em estudios. Já participou e ganhou vários festivais, dentre eles o de Alegre. Fez direção musical do Dallas Company. Enfim uma bagagem pra ninguém botar defeitos. O primeiro contato que tive com esse moço, foi por telefone, quando eu ainda fazia parte da diretoria de relações públicas da Piedade. Quando senti o quanto ele estava entusiasmado com a produção do CD das escolas para o carnaval dois mil e nove. Durante todo o desfile a sua dedicação foi única para proporcionar um bom andamento musical entre os intérpretes, bateria, foliões e público presente. Falo isso porque acompanhei de perto. O Rodrigo é muito simples, apaixonado pela música e pelo trabalho que faz. Sua satisfação é sempre buscar o melhor para um bom desempenho profissional. “O
CHEFE DA POLÍCIA |
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Como
foi a sua chegada ao mundo do samba? |
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Ainda
garoto no bairro de Nazareth onde morava. Acompanhava as batucadas que
aconteciam e já arriscava os primeiros instrumentos, e, freqüentava
os ensaios das escolas de sambas. |
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Ser
músico no nosso Estado, sei que se orgulha disso, mas como é
o mercado? |
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X |
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E
a experiência de produzir o CD das escolas de sambas? |
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Foi maravilhoso, juntou a fome com a vontade de comer. Quero agradecer
ao presidente da LIESES Rogério Sarmento, que acreditou no meu
trabalho, e ao mestre “Ditão” que me apresentou.
Logo depois do lançamento, recebi o reconhecimento de muitos
formadores e opiniões, ligados ao mundo do samba. Onde também
deixo o meu muito obrigado. |
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Qualidade
do samba e bom intérprete influenciam na hora da gravação? |
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Com certeza! Quando o samba é bom, a musicalidade chega mais fácil na hora da criação dos arranjos, e, também ajuda os intérpretes. O estúdio é um ambiente frio e sem emoção, fazendo com que nosso trabalho junto aos intérpretes passe a emoção da avenida para a gravação. |
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Aconteceu
algum tipo de dificuldade na hora da gravação? Qual e
por que? |
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É natural que se enfrente dificuldades, pois, temos que tirar o melhor do samba, dos intérpretes, dos técnicos, dos músicos... Tudo isso num curto espaço de tempo. |
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E fato interessante também existiram? |
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Sim! A criação desta mistura já é um fato interessante. Teve um intérprete que me fez rir na hora da gravação. Onde ele deveria cantar o samba, soltou um tipo “que beleza” que ficou muito natural e bonito. Isso acabou indo pro CD. |
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Como é administrar a vaidade das pessoas no samba? |
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Cada um tem o seu espaço no mundo do samba. Procuro respeitar as individualidades. Penso que todos contribuem para o espetáculo chamado carnaval. |
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Reza
a lenda que você vai produzir também o CD dois mil e dez
e já está cheio de novidades é verdade? |
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Fui convidado outra vez e me sinto honrado. Sinal que o meu trabalho
em dois mil e nove atingiu as expectativas dos dirigentes e do público.
A novidade é fazer o meu trabalho a altura das escolas, contribuindo
para um grande carnaval. |
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Alguns
sambas perderam décimos na avenida, por que os intérpretes
não souberam cantar, isto está claro nas justificativas
dos jurados. A quem devemos atribuir esta responsabilidade? |
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Um time quando ganha, é mérito de todos, e, quando perde
acredito que a culpa também é geral. Cabe a cada escola,
não só neste quesito, mas em todos analisar os erros e
não procurar culpados e sim soluções. |
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A
bateria, o coração da escola, o que acha disso? |
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É um quesito muito importante, mas em um desfile todos tem que
ser um só coração na mesma pulsação.
Isso é o que nos emociona e nos faz amar o carnaval. |
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Quem
gostaria de ver desfilando no nosso carnaval? |
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A
Juliana Paes. |
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Projetos
para dois mil e dez? |
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Continuar no mundo do samba, vou tentar a “LEI RUBEM BRAGA”,
para gravar um CD autoral do Grupo “Ilha”. Continuar meus
eventos musicais... Adoro meu trabalho... Minha agenda está sempre
cheia. Sinto-me muito bem no campo profissional. |
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Nos
deixe uma mensagem: |
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Tenho visto que as agremiações, por parte dos presidentes
e da Liga, possuem um ótimo relacionamento, todos unidos em fazer
o carnaval crescer. Que este propósito seja dimensionado a todos
do mundo do samba. Para que tenhamos mais turismo e maior voz no campo
político, trazendo mais recursos para o nosso carnaval. Que todos
desfrutem o melhor carnaval da nossa história. |

Rodrigo Tristão
e Iamara Nascimento

Diretores da LIESES: Ivan
Júnior, Rodrigo Tristão e Armando Chafik
