ENTREVISTA COM O DIRETOR MUSICAL DA LIESES RODRIGO TRISTÃO

Ficha Técnica

“É COM ESSE QUE EU VOU
SAMBAR ATÉ CAIR NO CHÃO
É COM ESSE QUE EU VOU
DESABAFAR NA MULTIDÃO...”
É com esse que eu vou - (Pedro Caetano – compositor)

“O CHEFE DA FOLIA PELO TELEFONE
MANDOU ME AVISAR
QUE COM ALEGRIA
NÃO SE QUESTIONE PARA SE BRINCAR.”
Pelo Telefone (Donga e Mauro de Almeida – compositores)


Todo bom sambista tem conhecimento que o primeiro samba gravado que se tem registro na história, foi este citado acima (Pelo Telefone). E esta gravação foi produzida pela “produtora Edison” em mil novecentos e dezessete. Hoje estamos no século vinte e um e as produções continuam ainda melhores, com auto nível de tecnologia e com profissionais cada vez mais competentes e dedicados. A Equipe Viva Samba pensou, pensou... e porque não bater um papo com o nosso produtor do CD das Escolas de Sambas Capixabas? Afinal de contas, é com este CD que nós vamos “sambar até cair no chão”, como já dizia o Pedro Caetano.

Rodrigo Tristão. Nascido em Governador Valadares (MG), no dia vinte e dois de fevereiro de mil novecentos e sessenta e cinco. Mas veio para o Espírito Santo ainda muito pequeno. Sua profissão, músico com muito orgulho. Casado e pai de dois filhos. Já na adolescência formou um bloco com um grupo de amigos, onde ensaiava bossas e arranjos, baseados nas escolas de sambas capixabas e do Rio de Janeiro. Qualquer evento era motivo para reunir os amigos e começar a batucada. Aos dezessete anos tocava profissionalmente num grupo de samba e choro chamado “SONOROSO”. Nos anos noventa junto com vários músicos de peso, como: Heráclito, Ditão, meu querido Joaka, Walter Nogueira Campos, Mosquito, Marquinhos Bacalhau... Fundou o grupo “LINHA DE PASSE” que foi sucesso total na época. Daí não parou mais... Hoje tem uma banda de baile chamada “Banda Vix”, tem o grupo “Ilha” que é especializado em sambas, faz produções musicais em estudios. Já participou e ganhou vários festivais, dentre eles o de Alegre. Fez direção musical do Dallas Company. Enfim uma bagagem pra ninguém botar defeitos.

O primeiro contato que tive com esse moço, foi por telefone, quando eu ainda fazia parte da diretoria de relações públicas da Piedade. Quando senti o quanto ele estava entusiasmado com a produção do CD das escolas para o carnaval dois mil e nove. Durante todo o desfile a sua dedicação foi única para proporcionar um bom andamento musical entre os intérpretes, bateria, foliões e público presente. Falo isso porque acompanhei de perto. O Rodrigo é muito simples, apaixonado pela música e pelo trabalho que faz. Sua satisfação é sempre buscar o melhor para um bom desempenho profissional.

“O CHEFE DA POLÍCIA
PELO TELEFONE MANDOU ME AVISAR
QUE NA CARIOCA TEM UMA ROLETA PARA SE JOGAR...”


Como foi a sua chegada ao mundo do samba?
Ainda garoto no bairro de Nazareth onde morava. Acompanhava as batucadas que aconteciam e já arriscava os primeiros instrumentos, e, freqüentava os ensaios das escolas de sambas.
Ser músico no nosso Estado, sei que se orgulha disso, mas como é o mercado?

X
Atualmente acho o mercado mais restrito. Profissionalizei-me muito cedo. Hoje colho os frutos da minha experiência. Não fico focado apenas no samba. Na área da música atuo de diversas formas.


E a experiência de produzir o CD das escolas de sambas?
Foi maravilhoso, juntou a fome com a vontade de comer. Quero agradecer ao presidente da LIESES Rogério Sarmento, que acreditou no meu trabalho, e ao mestre “Ditão” que me apresentou. Logo depois do lançamento, recebi o reconhecimento de muitos formadores e opiniões, ligados ao mundo do samba. Onde também deixo o meu muito obrigado.
Qualidade do samba e bom intérprete influenciam na hora da gravação?
Com certeza! Quando o samba é bom, a musicalidade chega mais fácil na hora da criação dos arranjos, e, também ajuda os intérpretes. O estúdio é um ambiente frio e sem emoção, fazendo com que nosso trabalho junto aos intérpretes passe a emoção da avenida para a gravação.
Aconteceu algum tipo de dificuldade na hora da gravação? Qual e por que?
É natural que se enfrente dificuldades, pois, temos que tirar o melhor do samba, dos intérpretes, dos técnicos, dos músicos... Tudo isso num curto espaço de tempo.
E fato interessante também existiram?
Sim! A criação desta mistura já é um fato interessante. Teve um intérprete que me fez rir na hora da gravação. Onde ele deveria cantar o samba, soltou um tipo “que beleza” que ficou muito natural e bonito. Isso acabou indo pro CD.
Como é administrar a vaidade das pessoas no samba?
Cada um tem o seu espaço no mundo do samba. Procuro respeitar as individualidades. Penso que todos contribuem para o espetáculo chamado carnaval.
Reza a lenda que você vai produzir também o CD dois mil e dez e já está cheio de novidades é verdade?
Fui convidado outra vez e me sinto honrado. Sinal que o meu trabalho em dois mil e nove atingiu as expectativas dos dirigentes e do público. A novidade é fazer o meu trabalho a altura das escolas, contribuindo para um grande carnaval.
Alguns sambas perderam décimos na avenida, por que os intérpretes não souberam cantar, isto está claro nas justificativas dos jurados. A quem devemos atribuir esta responsabilidade?
Um time quando ganha, é mérito de todos, e, quando perde acredito que a culpa também é geral. Cabe a cada escola, não só neste quesito, mas em todos analisar os erros e não procurar culpados e sim soluções.
A bateria, o coração da escola, o que acha disso?
É um quesito muito importante, mas em um desfile todos tem que ser um só coração na mesma pulsação. Isso é o que nos emociona e nos faz amar o carnaval.
Quem gostaria de ver desfilando no nosso carnaval?
A Juliana Paes.
Projetos para dois mil e dez?
Continuar no mundo do samba, vou tentar a “LEI RUBEM BRAGA”, para gravar um CD autoral do Grupo “Ilha”. Continuar meus eventos musicais... Adoro meu trabalho... Minha agenda está sempre cheia. Sinto-me muito bem no campo profissional.
Nos deixe uma mensagem:
Tenho visto que as agremiações, por parte dos presidentes e da Liga, possuem um ótimo relacionamento, todos unidos em fazer o carnaval crescer. Que este propósito seja dimensionado a todos do mundo do samba. Para que tenhamos mais turismo e maior voz no campo político, trazendo mais recursos para o nosso carnaval. Que todos desfrutem o melhor carnaval da nossa história.

 


Rodrigo Tristão e Iamara Nascimento

 


Diretores da LIESES: Ivan Júnior, Rodrigo Tristão e Armando Chafik

 

 


 

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