ENTREVISTA COM DONA LÊDDA - CONSELHEIRA DE JUCUTUQUARA

Ficha Técnica

“O SAMBA ME DEIXA EMOCIONADA...
MEU AMOR NASCEU NO SAMBA...
ENQUANTO EU TIVER DISPOSIÇÃO
É ESTA LEMBRANÇA QUE QUERO COMEMORAR”
( Dona Lêdda)


“QUANDO EU NÃO PUDER
PISAR MAIS NA AVENIDA
QUANDO AS MINHAS PERNAS
NÃO PUDEREM AGUENTAR
LEVAR MEU CORPO
JUNTO COM MEU SAMBA
O MEU ANEL DE BAMBA
ENTREGO A QUEM MEREÇA USAR”
(Edson Conceição e Aloísio)


E a Dona Lêdda está passando este anel bonitinho, pois a sua quarta geração de bambas já está dando conta do recado, ela conta com emoção quando fala do samba no pé da sua bisneta que mal começou a caminhar.

Leida Nunes Lima, aposentada, nasceu no dia dois de abril de mil novecentos e vinte oito e tem orgulho em dizer que tem oitenta e um anos completos. Conta que, embora no cartório, por um erro, tenha sido registrada como Leida, foi batizada com o nome de Ledda (com dois “d”) e é assim que sempre foi chamada.

Lembra muito do carnaval que aconteceu na praça Oito de Setembro quando foi decretado o fim da guerra. Ela se casou com o seu primeiro namorado, o Sr. Moacir Lima (in memorian). Hoje tem cinco filhos, dez netos e seis bisnetos. Nasceu no bairro de Santo Antônio, mas cresceu na Fonte Grande, onde foi rainha da Mocidade, batucada existente na época e rival do Chapéu do Lado. Mas não foi só isso não! É uma das fundadoras do bloco Unidos de Jucutuquara, lá sempre deu sua contribuição. Quando o bloco virou escola de samba, desfilou na Ala das baianas, em que também já foi diretora, além de Tesoureira e Diretora Social.

Hoje faz parte do Conselho Deliberativo da Escola e desfila na Velha Guarda, onde sua filha Regina é responsável. Adora ouvir um bom samba e tem o dom de ser alegre. Gosta de costurar e fazer alguns bordados, quando quer se distrair pega logo uma agulha e linha. Nunca sai de casa sem batom e maquiagem, diz que é pra ficar bonita.

Chegamos à sua casa e ela já estava pronta para nos receber, vestida, é claro, com a camisa da Nação de Jucutuquara, sua escola do coração.


Como foi sua chegada ao Mundo do Samba?
Aos quinze anos de idade, quando desfilei pela primeira vez na Mocidade, que era batucada na época. Aliás, era a grande concorrente do Chapéu do Lado, e que por ironia do destino seu avô foi um dos fundadores (risos).
E a concorrencia entre as agremiações aconteciam?

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Sim, era muito boa, a briga era só na hora do desfile. Depois tudo era na paz, as amizades eram as mesmas. Quando a Mocidade acabou eu passei a ir pular carnaval no clube Náutico Brasil, onde o Moacir Lima, meu marido (já falecido), e que foi meu primeiro namorado, era músico e tocava na banda do Hélio Mendes.

E a sua vinda pra Jucutuquara como foi, já que a senhora e o seu Moacir eram lá da Fonte Grande?
Nós nos casamos em 1953 e viemos morar em Jucutuquara. Como eu já frequentava o Náutico, continuei. Mas aqui tinha a batucada do seu Orestes Monteiro, pai do Guilherme, que é nosso vizinho. Só muito depois é que o bloco Unidos de Jucutuquara foi fundado, isto é, em 1972. Eu ajudei a fundar o bloco, eu ajudava nas fantasias e também na organização.
O bloco virou escola de samba, qual foi à reação das pessoas?
Ah, minha filha, a reação foi maravilhosa porque a comunidade estava querendo isso. O bloco ganhava sempre e já estava ficando sem graça. Então quando viramos escola a alegria foi geral.
Como a senhora conciliava, família, trabalho e samba?
A gente sempre dava um jeito. Eles já foram nascendo com o samba nas veias. Eu trabalhava de dia, criava os filhos e à noite ainda tinha tempo para o samba.
Nos fale do seu melhor momento durante esses anos de desfile?
Foi em 2002, quando o desfile voltou pro Sambão. Choveu muito, muito mesmo. Eu era diretora da ala das baianas. Na hora em que a Jucutuquara desfilou parou de chover e mesmo assim nós ganhamos o carnaval.
Se hoje a senhora fosse presidente qual seria sua prioridade dentro da escola?
Criar a paz entre os diretores, porque hoje ninguém mais se entende. Eles pensam só neles, é um querendo engolir o outro. Aí as escolas ficam prejudicadas.
Quem a senhora gostaria de ver desfilando na sua escola?
Eu já vejo isso, não só desfilando, mas trabalhando pela escola, que são meus filhos. Este ano já vi minha neta e pretendo ver meus bisnetos, se Deus quiser.
O que a senhora aprecia no samba?
A alegria de todos e todas.
Deixe uma mensagem para nós do Mundo do Samba:
Que todos encarem o samba com alegria e não deixem o samba acabar, porque sem o samba o mundo não anda. O samba me deixa emocionada...

 


Dona Lêdda Rainha da Batucada Mocidade


Iamara entrevista Dona Lêdda


Dona Lêdda - Conselheira e uma das matriarcas da Unidos de Jucutuquara

 

 


 

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