ENTREVISTA COM OS MESTRES MARCELINO E MACAQUINHO

Ficha Técnica

“QUALQUER COISA QUE ENCORAJE O CRESCIMENTO DE LAÇOS EMOCIONAIS TEM QUE SERVIR CONTRA A GUERRA"
(Sigismund Schlomo Freud – filósofo e psicanalista austríaco)

“EXISTEM PESSOAS QUE VÃO PARA A AVENIDA E NÃO QUEREM PASSAR COMO SAMBISTA, E SIM COMO UMA VITRINE... ISSO É VAIDADE... O CARNAVAL É UM TEATRO A CÉU ABERTO, ONDE TEMOS, DESEMPREGADOS, POLITICOS, DOUTORES... TODO TIPO DE VAIDADE”
Marcos Aurélio P. dos Santos (Mestre Macaquinho)

“UMA LUZ QUE BRILHA, VEM BRILHAR
É A FAMILIA IMPERIANA
QUE ACABA DE CHEGAR”
(Gigi do Império)


Estamos em mais uma confraternização entre as baterias. Jogo de futebol. Jucutuquara x Novo Império. O resultado prefiro não comentar (risos). Terminado o jogo os atletas se preparam para a cerveja gelada e o churrasco que já está pronto. Equipe Viva Samba como sempre, está em todas. Aproveitamos para conversar com os responsáveis pela bateria ganhadora do troféu “FAISÃO DE OURO” dois mil e nove. Mais uma “dupla que dá certo”. Durante os dias que antecederam a festa de premiação que o site Viva Samba ofereceu, tivemos um contato maior com alguns integrantes desta bateria. Fiquei admirada com o carinho e dedicação que eles tem. Não me resta duvida, eles são uma verdadeira família... São a família Imperiana.

Senhor Marcelino Montenegro Moledo, nascido em Vitória, no bairro de Santo Antônio, no dia vinte e oito de novembro. Eletricista. Casado a vinte e sete anos com a senhora Ângela Maria, que também é ritmista da escola. Seus filhos Isabela e Ângelo Vinicius não desfilam, mas admiram e acompanham o trabalho do pai com muito orgulho. Mestre Marcelino é tranqüilo e de poucas palavras. Adora futebol. Falaram que seria difícil ele conceder entrevista pra alguém, mas não encontramos dificuldades. Este autodidata libera uma sabedoria que poucos tem. A sabedoria de saber viver e conviver com o mundo que o cerca.

Marcos Aurélio Pereira dos Santos, nasceu no dia vinte e oito de abril de mil novecentos e setenta e três, em Vitória, mais precisamente na Ilha do Príncipe, onde mora até hoje. Profissão portuário. Casado com Giovania, e faz questão de explanar seu amor e carinho por ela. Pai do Alan, Luciene e da linda Larissa. Mestre Macaquinho, assim como gosta e ser chamado diz que a bateria da Novo Império é uma extensão da sua família. Fala da mesma com orgulho, e gostaria que outros setores da escola se dedicassem também da forma que eles o fazem. O que mais gosta de fazer é estar junto de sua mulher e dos seus filhos. Mestre Macaquinho também é um autodidata do samba. Acompanha o mestre Marcelino, com esta bateria que não deixa ninguém ficar parado quando começa a tocar.


Como chegaram ao Mundo do Samba?
Em mil novecentos e setenta e oito, no Novo Império. Comecei como ritmista. Depois fundamos a Originais do Contorno, onde eu fui mestre de bateria.

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No “GRES Nossa Presença da Ilha do Príncipe”, aos doze anos de idade. Eu era um curioso na bateria, meu primeiro instrumento foi o agogô. Instrumentos que poucas escolas valorizam, a exceção do Império Serrano no Rio.
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Mestre Macaquinho quando veio para a Novo Império?

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Em oitenta e quatro eu apenas freqüentava a quadra, em oitenta e sete, entrei na ala de tamborim, onde fui tricampeão do carnaval capixaba.

Mestre Marcelino como chegou a ser mestre de bateria da Império?
Fui convidado nos anos noventas, mas logo acabou o carnaval. Com o retorno do mesmo, fui convidado mais uma vez, onde estou até hoje.
Se fossem presidente de alguma agremiação, quais seriam suas metas?
Eu não gostaria de ser presidente nunca. Primeiro porque você tem que mexer com várias comunidades. Isso é muito complicado. Gosto só de bateria.
Tentaria trazer a comunidade para a escola, pessoas que queiram trabalhar honestamente. Mesmo sem dinheiro, se você quiser e souber fazer, a escola vai pra avenida.
O que a bateria significa para vocês?
Muita coisa que eu não sei explicar. Muitos destes meninos eu vi pequenos como iniciantes. Os tenho como filhos. Vai chegando garoto eu deixo, vou fazendo adaptação, e assim eu levo minha bateria.
É o setor que pulsa mais, onde a bateria passa deixa marcas contagiantes. Ela arrepia. Hoje nossa escola está marcada pela bateria, é o setor que é respeitado por todos. A bateria do Império está sempre com novidades. Eu não me imagino longe da bateria. Nossos ritmistas são tudo pra mim. Dou conselho, falo do uso da camisinha, do mal que a droga faz... Quando a bateria do Império vai para a avenida, eu me realizo como ser humano. Esta bateria é tudo pra mim. União, força, garra, esta é a bateria da Império.
Bateria x Samba x Intérprete o que é isso?
O intérprete tem que ter ritmo, para a bateria ter uma boa cadência, se o mesmo não tiver ritmo, o samba não funciona com a bateria.
Se a bateria fizer um bom trabalho com o samba, a harmonia da escola fica boa. Um bom samba ajuda muito, e um bom intérprete é tudo para termos um bom desempenho. Tudo é um conjunto.
Qual a maior dificuldade que vocês encontram hoje na Escola?
A falta de recursos.
Recursos que a escola não dispõe. Pra você ter um instrumento de qualidade é difícil. Você quer dar o melhor pros ritmistas e a escola acha que outros setores merecem mais. Sem falar no material humano que também é complicado. O Disque-Silêncio está atrapalhando muito. As autoridades deveriam olhar com mais carinho para as escolas, principalmente as que não tem quadra.
Mestre Marcelino, o que o senhor acha do Carnaval Capixaba?
De uma época pra cá melhorou um pouco. Mas a profissionalização ainda está precária.
Mestre Macaquinho e os Projetos para Dois Mil e Dez?
Eu gostaria que o presidente que assumisse a escola, levasse a mesma a sério. Que a LIESES e a Prefeitura de Vitória continuem melhorando nosso carnaval. Que as escolas se unam cada vez mais, porque a briga é na avenida.
Nos deixem uma mensagem para o sambista capixaba:
Gostaria que o carnaval capixaba se tornasse profissional. Que alguns presidentes fossem mais honestos, não só com as escolas, mas com as comunidades também. Assim as escolas ganhariam muito mais. Um abraço a todos os ritmistas capixabas.
Que todas as escolas tratem seus sambistas com carinho, porque são eles que fazem o carnaval ir para a avenida. Um abraço a todos os mestres de bateria. Gostaria de agradecer aos ritmistas do Império e ao Mestre Marcelino pela oportunidade. Minha homenagem especial ao ritmista Wander, já falecido. Para a minha esposa Giovania, quero dizer a todos que a amo de paixão. E que ela continue sendo esta grande mulher que é ao meu lado.

 


Mestre Macaquinho, Iamara nascimento e Mestre Marcelino


 

 


 

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