ENTREVISTA COM OS MESTRES MARCELINO E MACAQUINHO
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Técnica |
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“QUALQUER COISA QUE ENCORAJE O CRESCIMENTO DE LAÇOS EMOCIONAIS
TEM QUE SERVIR CONTRA A GUERRA" “EXISTEM
PESSOAS QUE VÃO PARA A AVENIDA E NÃO QUEREM PASSAR COMO
SAMBISTA, E SIM COMO UMA VITRINE... ISSO É VAIDADE... O CARNAVAL
É UM TEATRO A CÉU ABERTO, ONDE TEMOS, DESEMPREGADOS,
POLITICOS, DOUTORES... TODO TIPO DE VAIDADE” “UMA
LUZ QUE BRILHA, VEM BRILHAR
Senhor Marcelino Montenegro Moledo, nascido em Vitória, no bairro de Santo Antônio, no dia vinte e oito de novembro. Eletricista. Casado a vinte e sete anos com a senhora Ângela Maria, que também é ritmista da escola. Seus filhos Isabela e Ângelo Vinicius não desfilam, mas admiram e acompanham o trabalho do pai com muito orgulho. Mestre Marcelino é tranqüilo e de poucas palavras. Adora futebol. Falaram que seria difícil ele conceder entrevista pra alguém, mas não encontramos dificuldades. Este autodidata libera uma sabedoria que poucos tem. A sabedoria de saber viver e conviver com o mundo que o cerca. Marcos Aurélio Pereira dos Santos, nasceu no dia vinte e oito de abril de mil novecentos e setenta e três, em Vitória, mais precisamente na Ilha do Príncipe, onde mora até hoje. Profissão portuário. Casado com Giovania, e faz questão de explanar seu amor e carinho por ela. Pai do Alan, Luciene e da linda Larissa. Mestre Macaquinho, assim como gosta e ser chamado diz que a bateria da Novo Império é uma extensão da sua família. Fala da mesma com orgulho, e gostaria que outros setores da escola se dedicassem também da forma que eles o fazem. O que mais gosta de fazer é estar junto de sua mulher e dos seus filhos. Mestre Macaquinho também é um autodidata do samba. Acompanha o mestre Marcelino, com esta bateria que não deixa ninguém ficar parado quando começa a tocar. |
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Como
chegaram ao Mundo do Samba? |
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Em
mil novecentos e setenta e oito, no Novo Império. Comecei como
ritmista. Depois fundamos a Originais do Contorno, onde eu fui mestre
de bateria. |
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x No “GRES Nossa Presença da Ilha do Príncipe”, aos doze anos de idade. Eu era um curioso na bateria, meu primeiro instrumento foi o agogô. Instrumentos que poucas escolas valorizam, a exceção do Império Serrano no Rio. x |
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Mestre
Macaquinho quando veio para a Novo Império? |
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X Em oitenta e quatro eu apenas freqüentava a quadra, em oitenta e sete, entrei na ala de tamborim, onde fui tricampeão do carnaval capixaba. |
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Mestre
Marcelino como chegou a ser mestre de bateria da Império? |
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Fui convidado nos anos noventas, mas logo acabou o carnaval. Com o retorno
do mesmo, fui convidado mais uma vez, onde estou até hoje. |
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Se
fossem presidente de alguma agremiação, quais seriam suas
metas? |
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Eu não gostaria de ser presidente nunca. Primeiro porque você tem que mexer com várias comunidades. Isso é muito complicado. Gosto só de bateria. |
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Tentaria trazer a comunidade para a escola, pessoas que queiram trabalhar
honestamente. Mesmo sem dinheiro, se você quiser e souber fazer,
a escola vai pra avenida. |
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O
que a bateria significa para vocês? |
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Muita coisa que eu não sei explicar. Muitos destes meninos eu vi pequenos como iniciantes. Os tenho como filhos. Vai chegando garoto eu deixo, vou fazendo adaptação, e assim eu levo minha bateria. |
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É o setor que pulsa mais, onde a bateria passa deixa marcas contagiantes.
Ela arrepia. Hoje nossa escola está marcada pela bateria, é
o setor que é respeitado por todos. A bateria do Império
está sempre com novidades. Eu não me imagino longe da
bateria. Nossos ritmistas são tudo pra mim. Dou conselho, falo
do uso da camisinha, do mal que a droga faz... Quando a bateria do Império
vai para a avenida, eu me realizo como ser humano. Esta bateria é
tudo pra mim. União, força, garra, esta é a bateria
da Império. |
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Bateria x Samba x Intérprete o que é isso? |
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O intérprete tem que ter ritmo, para a bateria ter uma boa cadência, se o mesmo não tiver ritmo, o samba não funciona com a bateria. |
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Se a bateria fizer um bom trabalho com o samba, a harmonia da escola
fica boa. Um bom samba ajuda muito, e um bom intérprete é
tudo para termos um bom desempenho. Tudo é um conjunto. |
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Qual a maior dificuldade que vocês encontram hoje na Escola? |
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A falta de recursos. |
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Recursos que a escola não dispõe. Pra você ter um
instrumento de qualidade é difícil. Você quer dar
o melhor pros ritmistas e a escola acha que outros setores merecem mais.
Sem falar no material humano que também é complicado.
O Disque-Silêncio está atrapalhando muito. As autoridades
deveriam olhar com mais carinho para as escolas, principalmente as que
não tem quadra. |
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Mestre
Marcelino, o que o senhor acha do Carnaval Capixaba? |
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De uma época pra cá melhorou um pouco. Mas a profissionalização
ainda está precária. |
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Mestre
Macaquinho e os Projetos para Dois Mil e Dez? |
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Eu gostaria que o presidente que assumisse a escola, levasse a mesma
a sério. Que a LIESES e a Prefeitura de Vitória continuem
melhorando nosso carnaval. Que as escolas se unam cada vez mais, porque
a briga é na avenida. |
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Nos
deixem uma mensagem para o sambista capixaba: |
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Gostaria
que o carnaval capixaba se tornasse profissional. Que alguns presidentes
fossem mais honestos, não só com as escolas, mas com as
comunidades também. Assim as escolas ganhariam muito mais. Um
abraço a todos os ritmistas capixabas. |
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Que todas as escolas tratem seus sambistas com carinho, porque são
eles que fazem o carnaval ir para a avenida. Um abraço a todos
os mestres de bateria. Gostaria de agradecer aos ritmistas do Império
e ao Mestre Marcelino pela oportunidade. Minha homenagem especial ao
ritmista Wander, já falecido. Para a minha esposa Giovania, quero
dizer a todos que a amo de paixão. E que ela continue sendo esta
grande mulher que é ao meu lado. |

Mestre
Macaquinho, Iamara nascimento e Mestre Marcelino

