ENTREVISTA COM GIBSON MUNIZ

Ficha Técnica

“EU HOJE FIZ UM SAMBA BEM PRA FRENTE
DIZENDO REALMENTE O QUÊ QUE EU ACHO
EU ACHO QUE MEU SAMBA É UMA CORRENTE
E COERENTEMENTE ASSINO EM BAIXO
HOJE É PRECISO REFLETIR UM POUCO
E VER QUE O SAMBA TÁ TOMANDO JEITO
SÓ MESMO EMBRIAGADO OU MUITO LOUCO
PRA CONTESTAR OU PRA BOTAR DEFEITO
PRECISA SER MUITO SINCERO E CLARO
PRA CONFESSAR QUE ANDEI SAMBANDO ERRADO
TALVEZ PRECISE ATÉ TOMAR NA CARA
PRA VER QUE O SAMBA TÁ BEM MELHORADO
TEM MAIS QUE SER É BEM CARA DE TACHO
NÃO VER A MULTIDÃO SAMBAR CONTENTE
ISSO ME DEIXA TRISTE E CABISBAIXO
POR ISSO EU FIZ UM SAMBA BEM PRA FRENTE “
Corrente (Chico Buarque)

Depois de um dia com muito samba e muita feijoada na “Mais querida Piedade”, resolvemos passar no mercado de Jucutuquara onde estava acontecendo um evento cultural. Logo de cara encontramos um sambista apaixonado por Escola de Samba.

Muitos não o conhecem, mas quem viveu o carnaval capixaba nos anos oitenta, deve lembrar desta figura irreverente e alegre que ele não deixa de ser nunca.

Estamos falando do Gibson Muniz, o “Gibão”. Pessoa que sempre foi muito querida no meio do samba. Sempre lutou pelo carnaval. Foi mestre-sala, e, ele mesmo assumia financeiramente suas fantasias e a de sua porta-bandeira. Não poupava, porque o mais importante, era ver sua escola e sua indumentária deslumbrante na avenida. Eu sou testemunha disso. Quantos bordados em paetês com miçangas já fizemos para ele desfilar... Somos amigos de longas datas. Uma vez ele estava tão cansado que pisou nos óculos e quebrou uma lente, ai foi colocar a lente de contato para esterilizar (olha que coisa mais antiga, risos), a lente derreteu. O pior que era véspera do desfile. Mas ele não deixou a peteca cair, foi para a avenida assim mesmo. Tudo por amor ao samba.

Gibson Dall Orto Muniz da Silva nasceu em Vitória no dia treze de agosto no Morro do Moscoso, onde passou sua infância. Engenheiro mecânico graduado pela Universidade Federal do Espírito Santo. Especialista em engenharia de matérias e segurança do trabalho. Professor, casado com a nossa amiga Lavínia. Já foi vereador da nossa capital, mestre sala, presidente da Lira do Moscoso... Hoje ele se limita a fazer samba enredo em parcerias com alguns amigos. Sugeriu o tema de enredo para a Novo Império, que é o centenário da Escola Técnica Federal do Espírito Santo, atual IFES.

Gibson promete ser um dia presidente do Novo Império ou da Unidos da Piedade. Pois sonha com estas escolas que ele tanto gosta, a voltarem ao seu lugar de destaque no carnaval capixaba.


Como chegou ao Mundo do Samba?

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Nasci no Morro do Moscoso, e cresci com a Acadêmicos. Aos seis anos eu fui mestre-sala junto com a Salomé.
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O que significa ser um mestre-sala?

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Proteger o pavilhão da agremiação e cortejar a figura que conduz este pavilhão. Antigamente ganhava quem fosse lá e conquistasse a porta bandeira.

Quais as Escolas que você passou?
Novo Império, Andaraí, Rosas de Ouro, Piedade, Chegou o que Faltava.
O que concluiu ao passar por tantas agremiações?
Veja bem, eu sempre fui mestre-sala. Quando o Beto não podia, eu o substituía. Percebi o seguinte: no nosso carnaval, quando você desfilava numa escola de grande porte a nota era dez. Se fosse numa escola menor este dez jamais acontecia. Quando o Beto e a Verônica foram para a Mocidade Serrana, tiraram notas baixas. E eu na Piedade tirei a maior nota com apenas três dias de ensaio. Este era o nosso carnaval.
Nos fale do Carnaval antes e depois do recesso:
Na verdade o nosso carnaval era mais amador, ainda somos amadores, mas antigamente além do amadorismo era menos transparente. O recesso foi bom porque o carnaval ficou um pouco mais profissional. Não podemos nos igualar ao Rio de Janeiro. O Rio é muito comercial e isso tira a essência do samba.
Se fosse presidente hoje de uma agremiação, qual seria sua prioridade?
Faria em primeiro lugar um planejamento, a falta do mesmo destrói as escolas. Daqui a quatro ou cinco anos, eu estarei na frente da Novo Império ou Piedade, escolas que eu amo de coração. Um dia verei estas duas escolas no lugar onde elas nunca deveriam ter saído. Terei condições financeiras pra isso.
Tu achas que está preparado para assumir tais agremiações que carregam uma bagagem de tradição dentro do nosso carnaval?
Sim, estou me preparando para isto. Conheço bem as duas escolas e tenho um trânsito bom nas comunidades. Quando a escola que eu for presidente entrar na avenida, não terei erro nenhum. Quando fui presidente da Lira do Moscoso fiquei em segundo lugar do Grupo de Acesso.
Fale de você como compositor:
São horas com o traseiro na cadeira, respiração zero... O compositor precisa da alma do carnavalesco para entender o que ele realmente quer.
Você já ganhou algum samba?
Sim, na Novo Império. O título foi “O livre arbítrio, a escolha entre o Céu e o inferno”..
Deixe seu recado para o mundo do samba:
Pessoal: Bruno só tem um. Todos os mestres-salas deveriam ser como o Bruno. Ela é o cara.

 


Gibson Muniz e Iamara Nascimento

 

 


 

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