ENTREVISTA COM O CARNAVALESCO ALEX SANTIAGO
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Técnica |
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FOLHA QUALQUER. “E
O FUTURO É UMA ASTRONAVE
Quando ele nos foi apresentado para assinar o carnaval da Piedade, juro a vocês que fiquei assustada pela sua falta de experiência no mundo do samba capixaba. Depois foi mostrando seus desenhos e o que ele poderia fazer a partir da setorização do enredo mostrado. Logo sentimos que ele daria trabalho. E deu mesmo, até ganhou o prêmio “FAISÃO DE OURO” de melhor carnavalesco. Faço público meu agradecimento a este menino. Quando me olhou e disse que tinha desenhado uma ala em minha homenagem. Foi à ala do “pente quente”, e eu seria a “nega maluca e chique”. Não entendi muito bem (RISOS), mas amei. Foi o meu melhor momento de desfile em toda a minha vida de samba. Agora imaginem vocês como ficou a labareda da minha vaidade... Este “cabra da peste” se chama Alex Santiago Duarte Leite da Silva. Nasceu na região do agreste pernambucano, no dia dezesseis de maio, na cidade de Pesqueira, próximo a Caetés, cidade do presidente do nosso país... Estudante de educação física pela Universidade Federal do Espírito Santo e de arquitetura e urbanismo pela faculdade Nacional, o Alex é muito tranqüilo, talvez porque ainda não adquiriu os “vícios”, no bom sentido, de um carnavalesco mais experiente. Agora recebeu proposta do GRES Pega no Samba para fazer o carnaval dois mil e dez e se diz muito entusiasmado com o novo desafio.
“DAS TREVAS À LUZ DO CONHECIMENTO – A ARTE DE EDUCAR”.
Este é o titulo do enredo 2010 de autoria do Alex Santiago
que a Pega no Samba vai mostrar na avenida. |
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Como
começou no samba? |
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x Em Pernambuco tem um universo cultural muito forte. Tem escolas de samba, tem blocos, tem artes... Comecei a desenhar nas paredes do meu quarto. Minha tia viveu no convento de São Francisco e eu tive educação religiosa. Nos projetos sociais eu aprendi com os padres muita coisa, inclusive trabalhar com imagens sacras, vitrais etc. Com nove anos, uma escola de lá tinha uma madrinha mirim e precisava de um costeiro. Ai eu desenhei e eles gostaram. Foi assim que cheguei ao samba. Acho que foi meu primeiro trabalho como carnavalesco (risos). Fiz muitas coisas para os blocos da minha cidade também, eles gostavam dos meus desenhos. x |
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E
em Vitória quando chegou? |
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X Na verdade eu cheguei primeiro em Santa Teresa. Casei-me, e depois vim para Vitória fazer arquitetura, que sempre foi meu sonho. Trabalhei em São Roque do Canaã como mobilizador cultural, e o município ganhou o prêmio da Unicef. Já em Vitória trabalhei como assistente do carnavalesco Osvaldo na Imperatriz do Forte e ficamos em segundo lugar do Grupo de Acesso, perdendo para a Mocidade Unida da Glória. Depois assinei como carnavalesco pela primeira vez na Unidos da Piedade. |
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E
a vaidade que o mundo do samba carrega, o que acha disso? |
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Eu lido bem com isso, acho que minha calma é um ponto positivo.
Eu acabo não falando o que deveria. Às vezes sofro com
isso, mas aprendi que dessa forma eu consigo muito mais o que eu quero.
Nunca faço um pré-conceito do ser humano antes de conhecê-lo. |
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Como
foi fazer um carnaval pela primeira vez numa escola de tradição
como a Piedade, mas que vinha com uma carga de problemas e dificuldades
tanto com a autoestima quanto financeiros? |
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Quando cheguei na Piedade já encontrei o enredo pronto e uma
equipe formada, e gostei muito. Contei com a experiência das pessoas.
Hoje vejo o carnaval com outros olhos, adquiri um amadurecimento profissional.
E o enredo ajudou muito no desenvolvimento do meu trabalho. |
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Se
você fosse presidente qual seria sua prioridade numa agremiação? |
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Na realidade o presidente e carnavalesco são os mais visados
dentro de uma escola de samba. O papel principal do presidente é
articular, ele tem que saber vender seu peixe, correr atrás,
ser firme nas decisões e dar a palavra final. Nunca ter medo. |
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Que tipo de enredo você prefere fazer? Com qual tema você
se indentifica mais? |
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Não tenho afinidade com enredos místicos, afros... Claro,
se preciso for farei da melhor maneira possível, mas não
é muito minha praia. Prefiro enredos mais modernos, mais futuristas,
mais lúdicos... Gosto de trabalhar com aquilo que não
se vê. A Rua Sete fluiu bem porque nós colocamos na avenida
o lado moderno e emotivo de cada época que a rua vivenciou, como
Madame Prado, Diário da Rua Sete, jóias, folheados e até
o pente quente, que hoje é chapinha, escova progressiva etc...
Adorei trabalhar este enredo na avenida. Gosto também de enredos
históricos. |
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Qual a maior dificuldade que você encontra dentro do barracão
de escola de samba? |
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A falta de recursos... A gente sonha e não podemos tornar este
sonho realidade. Seria muito bom se a iniciativa privada olhasse o nosso
carnaval com mais carinho. A falta de profissionalismo atrapalha muito
também. Sem contar com o fator desaparecimento de mercadoria,
que ninguém sabe pra onde vai. |
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Você
está assumindo uma nova agremiação que é
a Pega no Samba. Enfim, quais seus projetos, o enredo é seu ou
não? |
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Sim, já fechei com a Neuzinha. A princípio eu não
gostei da proposta de enredo que me foi apresentado. Então eu
pesquisei e estou fazendo um novo. Acabei vendo a educação
com novo contexto. O enredo não é adaptação
da “Amigos da Gurigica” como já foi colocado, é
um enredo novo. |
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Como
você mesmo disse, na Piedade quando chegou já tinha uma
equipe formada, e agora como está sendo seu trabalho? |
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Estou contando com algumas pessoas que me ajudaram, porque ninguém
faz nada sozinho. Alguns professores da história da arte estão
comigo também. Depois que eu coloquei comissão de frente
e carro alegórico no papel, eu fechei tudo. |
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Reza
a lenda que a Pega no Samba lhe ofereceu cobrir qualquer proposta que
lhe propuserem, inclusive a cobertura total de sua faculdade. É
verdade? |
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Não é verdade. Na realidade, eu recebi proposta também
da “Rosas de Ouro”. Mas eu gostei da postura da Neuzinha,
a achei muito objetiva e decidida. Mostrou-me que a escola vai se estruturar
com toda uma logística de apoio. Senti muita confiança.
E o tema mexeu comigo. |

Carnavalesco
Alex Santiago e Iamara

Neuzinha
do Pega, Alex Santiago e Iamara Nascimento
