ENTREVISTA COM O INTÉRPRETE MARCINHO DIOLA
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Técnica |
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“SÃO
NAS COISAS SIMPLES E ANÔNIMAS “ALÔ,
IMPERATRIZ DO FORTE “VIVER
E NÃO TER A VERGONHA DE SER FELIZ
Seu nome de batismo é Márcio Antonio Alves. Nasceu no dia vinte e sete de março de mil novecentos e setenta e sete, na Pró-Matre, maternidade tradicional em nossa capital. Cresceu no Morro do Cruzamento, onde mora até hoje. Filho do senhor Diolindo Francisco Alves e da senhora Maria Natalícia Alves. Profissão, funcionário público. “Cuida da higienização das vias urbanas da nossa capital, para manter o bem estar da nossa população”. Atenção,
meninas do samba, ele é bonito e solteiro, mas já tem
uma namorada pela qual é apaixonado. O Marcinho nos encanta
pela sua simplicidade, que é singular. Muito elegante, simpático
e verdadeiro. Ama tudo o que faz, adora trocar informações.
Na sua concepção a troca de conhecimento é um
grande aprendizado para a vida. Acredita que; se as comunidades das
escolas pequenas se unirem, o carnaval capixaba ganha muito com isso.
Porque são nesses redutos que existem grandes passistas, ritmistas...
Enfim, acredita que nas comunidades estão as bases das escolas
de samba. |
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Como
chegou ao samba? |
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x Em noventa e um, defendi um samba na Imperatriz do Forte, mas ele não ganhou. Em noventa e dois meu irmão Marquinhos do Cavaco, hoje evangélico, fez um samba pra Jucutuquara e eu o ajudei a defender. Ganhamos, mas o carnaval acabou e o samba não foi para a avenida. Em noventa e oito, ainda na Jucutuquara, através do meu irmão Deo, que já era intérprete, fiz um teste. Passei e por lá fiquei durante cinco anos. Já entrei no mundo do samba como intérprete de apoio. x |
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E
na Imperatriz do Forte? |
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X Na verdade eu tinha me afastado do samba, por conta de aborrecimentos. Numa conversa com o Kleber Simpatia, fui convidado para ser seu apoio na Imperatriz. Com sua saída para a Jucutuquara, eu assumi o cargo de intérprete oficial e, graças a Deus, me dei bem. O samba ficou com dois “dez” e um “nove ponto oito”, perdendo apenas para a Jucutuquara, que ficou com três “dez”. O samba era do Zinho Furão, Attilio Juffo e Lourival das Neves. |
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Como
que é ser intérprete de apoio e oficial, já que
você tem as duas experiências? |
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Todos têm a mesma responsabilidade. O intérprete oficial
é responsável pela sustentação do samba,
pela motivação que o samba tem que ter na avenida O oficial
tem obrigação de cativar o público, tanto o que
desfila, quanto o que está assistindo. Mas na maioria das vezes
o intérprete de apoio não entende a importância
dele no grupo. Aí quer passar por cima do oficial. O que nunca
foi o meu caso. Sempre soube onde era o meu lugar. Mas depois que passei
a ser oficial tive problemas com o apoio. Já vi intérprete
de apoio (não são todos) fazendo de tudo para atrapalhar
o oficial. Isso tá errado, porque quem perde é o samba.
Se o conjunto não tiver sintonia, o samba não é
desvendado na avenida. Hoje vejo que temos duas escolas que tem excelentes
grupos. São elas Jucutuquara e Boa Vista. Nós da Imperatriz
estamos melhorando, fazendo planos, deixando um pouco a vaidade... Hoje
é difícil conseguir um grupo de apoio, porque todo mundo
quer ser oficial. É aquela história, todo mundo quer ser
destaque no samba. O grupo atual da Imperatriz tem uma harmonia muito
boa. Busquei isso na comunidade e acredito que está dando certo. |
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Intérprete
x Samba x Bateria? |
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Três quesitos que se tornam um. Primeiro, se você tem uma
boa bateria e um bom samba, você tem um intérprete. Às
vezes as pessoas falam: este samba é feio, mas na voz de fulano
de tal ficou bom. Mas na verdade o conjunto musical ajuda muito. Uma
boa bateria, um bom cavaco, um bom violão... Você pode
não melhorar o samba como um todo, mas pode transformá-lo.
Agora se você já tem um ótimo samba-enredo em suas
mãos, quero dizer, em sua voz, (risos), já é meio
caminho andado. |
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Qual
a maior dificuldade encontrada dentro do samba na sua visão? |
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Infelizmente o carnaval capixaba não consegue crescer, por falta
de quadra fixa, principalmente em escola de comunidade como a nossa.
Não conseguimos ter uma arrecadação digna para
fazermos um carnaval decente. Mas tem uma coisa na Imperatriz do Forte
que me cativa muito. Se eu já tinha amor pela escola, o meu amor
aumentou, porque a comunidade vai lá, trabalha e faz. Se uma
comunidade pudesse ter oportunidade de pelo menos ter cinqüenta
por cento da renda, com recursos próprios, o carnaval seria mais
duro. Seria mais competitivo. |
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Se você fosse presidente de alguma agremiação, qual
seria sua prioridade? |
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Poder formar uma diretoria certa e honesta, começar do zero para
fazer uma escola competitiva e séria. Infelizmente muitas escolas
não levam o carnaval como deveriam. |
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E sobre a vaidade no mundo do samba, o que me diz? |
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Atualmente não me deparo com isso na Imperatriz, mas já
aconteceu comigo em outros lugares. E isso existe muito no nosso carnaval.
Às vezes você traz até um empresário, ou
uma pessoa que tem uma mente mais avançada que sabe fazer um
bom trabalho. Ai você se depara com determinadas pessoas que não
dão aquela oportunidade que vai ser essencial para a escola.
Porque tem gente que acha que, com a inclusão de outras pessoas,
vai acabar perdendo seu lugar dentro da escola. E isso atrapalha o crescimento
da agremiação. Mas no momento, graças a Deus, não
vejo isso na Imperatriz. A Diretoria da Imperatriz trata todos com respeito
e igualdade. |
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Durante
este tempo de avenida, o que mais te marcou? |
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Quando eu dei pela primeira vez o grito de guerra como intérprete
oficial da escola Imperatriz do Forte. Ali eu me senti muito emocionado.
Tive que segurar bastante, porque se você perde a concentração
pode até atravessar o samba na avenida. Foi onde eu senti um
arrepio das pontas dos pés até o último fio de
cabelo. Este momento eu jamais esquecerei. |
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Reza
a lenda que você tambem é compositor, é verdade? |
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Bem, já fizemos vários sambas para o carnaval capixaba.
Mas ainda não conseguimos ser contemplados. Já concorremos
na Jucutuquara, Andaraí, Amantes na Minha Piroga, Caprichosos.
Mas ainda não conseguimos ter um samba vencedor. Sabemos que
escolhas de samba no carnaval capixaba são muito complicadas.
A gente que entende de samba sabe como é isso. Na maioria das
vezes a escola já tem o samba escolhido. |
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Quem
gostaria e ver desfilando na sua escola? |
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Na verdade eu gostaria de ver por completo. Eu queria mesmo que toda
a comunidade chegasse mais e abraçasse nossa escola, para que
o público visse o que é o carnaval de comunidade. |
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Você
concorda que a bateria é o coração da escola? |
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Concordo e discordo. A bateria faz parte do coração da
escola, ela não é totalmente o coração.
O coração da escola se refere a comunidade, bateria, velha
guarda e os novos integrantes que são o futuro. Agora, se a escola
não tiver um presidente forte, com uma diretoria bem formada,
não tem coração. Na verdade, quando a escola entra
na avenida, ela já entra com dez em todos os quesitos. Se ela
pecar, vai perder ponto. Por isso todos são importantes dentro
da escola. Hoje temos agremiações que pagam ritmistas
para desfilar. Temos ritmistas que tocam em tudo quanto é escola.
Eu discordo neste sentido que a bateria é o coração. |
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E
o casamento entre Marcinho e Imperatriz? |
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Acho que está perfeito. Eu gosto muito de trabalhar com a comunidade.
Hoje tenho uma harmonia muito boa com o presidente, diretores, bateria... Já recebi dois convites, mas prefiro ficar na Imperatriz. Eu ainda tenho muito que aprender. As portas estão se abrindo para mim e eu devo isto à Imperatriz. |
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Qual
a mensagem que você deixa para o samba capixaba? |
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Vamos ter um pouco mais de união, vamos nos unir, solucionar
as falhas do carnaval capixaba para podermos crescer. A verba deveria
ser mais apropriada. Infelizmente tem gente que usa o samba de má
fé. Se tivermos união, poderemos voltar a ser o segundo
melhor carnaval do Brasil. |

Marcinho Diola
e Iamara Nascimento

Marcinho dando entrevista ao Viva Samba

Marcinho defendendo o samba da Imperatriz no Sambão do Povo

Marcinho e o amigo Kleber Simpatia
