ENTREVISTA COM O CARNAVALESCO BRÁULIO MALHEIRO
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Técnica |
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“SE
ALGUÉM QUER MATAR-ME DE AMOR
Bráulio Malheiro, brasileiro solteiro natural do Rio de Janeiro, nascido no dia quinze de agosto. Profissão pedagogo. Mais um autodidata no mundo do samba. Apaixonado pela Estácio de Sá, sua escola de coração. Já trabalhou com nomes de peso no carnaval carioca, como a Lílian Rabelo, Silvio Cunha, Roberto Szanieski. Tem uma experiência grande com o Mauro Quintaes, pois já trabalham juntos há seis anos. Já teve passagem no carnaval de Sampa e Belo Horizonte. O Bráulio não é de tudo um desconhecido de nossa cidade, pois sua tia mora em Santo Antônio, bem próximo do Sambão do Povo. Também participou da nossa mostra capixaba de samba, em janeiro deste ano, acompanhando o Mauro Quintaes. Este menino está prometendo fazer um carnaval de primeira linha na “mais querida”, e, está com muita sede de fazer uma estréia com um título, o título de ser campeão. A equipe Viva Samba teve o privilégio de bater um papo muito agradável com este carnavalesco simpático, e com um grande desafio e responsabilidade para o carnaval de dois mil e dez. E
TENDE “PIEDADE” DE NÓS |
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Como
chegou ao mundo do samba? |
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x Da minha casa dava pra ouvir a bateria da Estácio de Sá. A primeira quadra que eu conheci. Meu tio comprava os discos gravava a fita tirava cópia das letras e me entregava no envelope. Foi ele que me levou pra este mundo. x |
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Quais
escolas você já passou? |
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X Eu comecei com o presidente da Estácio de Sá, o Acir, neste ano a mesma ganhou. Mas no ano anterior tinha passado um momento muito ruim. Então este carnaval me emocionou muito. Passei pela Viradouro e São Clemente. |
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Você
já assinou alguma escola sozinho? |
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Sozinho
não, só comissão de carnaval. A Piedade esta sendo
um desafio muito importante pra minha carreira. Tenho certeza que vou
desempenhar da melhor maneira possível e com resultado satisfatório. |
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Qual
enredo você acha mais interessante de desenvolver? |
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Eu gosto de chegar e sentir o espírito da escola. A história
da escola me dá um gás, porque na realidade estou fazendo
um enredo que tem identidade e essência da escola. Você
interagindo com a escola fica mais fácil de se trabalhar. Independente
do enredo que lhe é proposto. |
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E
quanto à pesquisa, você prefere desenvolver a sua ou não
tem problemas em fazer enredos de outros autores? |
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Acho que fazer o enredo. É uma opinião, não estou
generalizando dizendo que só trabalho com esse mote. Mas quando
você chega com seu enredo, você já tem em mente o
que se quer. Se você já tem enredo, já é
o início, meio e fim traçado. Quando o presidente Robson
foi conversar comigo no Rio, falamos de uma proposta que eu dei. Mas
ele já tinha a idéia do guaraná e das pedras, que
também são muito boas e interessantes. |
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Fantasias ou alegorias, o que te dá mais prazer? |
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Acho que o jogo do material é o que me da mais prazer, e isso
é independente de carros alegóricos ou fantasias. |
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Como você pretende encarar um carnaval fora da realidade do Rio
de Janeiro, em uma escola de tradição, no caso à
Piedade, mas ao mesmo tempo com pouca estrutura, isto é, sem
uma quadra, barracão, etc? |
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O presidente Robson me perguntou se eu tinha algumas pessoas de confiança
no Rio. Eu acompanho o carnaval daqui desde dois mil e três. Sendo
que, neste ano eu assisti no Sambão. Depois fui acompanhando
pela Internet. Os amigos que moram aqui me informavam, me mandavam fotos,
acompanho também através das informações
virtuais. Tenho algumas pessoas que eu confio que vão trabalhar
comigo sim. Porque eu não vou poder ficar sozinho. |
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E
a labareda da vaidade no mundo do samba, como é isso? |
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Num dos meus processos de carnaval eu trabalhei com a Lílian
Rabelo, e ela diz o seguinte: aquele faxineiro que você não
deu bom dia quando chegou no barracão, pode acabar com o seu
carnaval porque não foi cumprimentado. Ele simplesmente pode
colocar um prego no pneu do carro e a escola deixar de ganhar um título
por besteira. A sabotagem na maioria das vezes não vem de fora,
e sim de alguém de dentro que está ferida ou magoada.
Todos têm que ser tratado com respeito. Todos têm que ter
a mesma atenção, do presidente ao último funcionário.
Até porque a minha arte vai pras mão de outras pessoas
que podem estar falando pra mim que está tudo certo, mas por
conta de um momento de vaidade que eu tive, podem usar da minha própria
arte como vingança. |
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Você
esteve na Mostra Capixaba do Samba, junto do Mauro Quintaes, qual sua
conclusão? |
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Eu
pensei que fosse ter mais procura, até porque vocês já
tinham anunciado que as inscrições já estavam esgotadas.
Foi uma pena, porque não tinha vinte pessoas lá dentro.
Em contra partida eu sei que aqui tem gente que busca muito para melhorar
o carnaval. Enfim, acho que a idéia foi muito interessante para
o crescimento do carnaval. Na minha opinião ensaios técnicos
também são de muita validade. Se você tem quatro
alas ensaiando na rua pelo menos vinte minutos por semana, o resultado
já é positivo. |
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O
que te marcou mais nesses anos de carnaval? |
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Vou falar de emoção não do Bráulio artista,
mas da pessoa: o desfile da Estácio de Sá me faz chorar.
Em dois mil e seis o desfile que a Estácio fez me emocionou muito.
Foi quando ela saiu do Grupo de Acesso e voltou para o Grupo Especial. |
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Acima de qualquer competição, o importante do carnaval
é o divertimento. |

Criador e Criatura...
Carnavalesco Bráulio e seus figurinos
