ENTREVISTA COM O CASAL DE MS E PB TONY E DELMA

Ficha Técnica

“TU MESMA DISSESTE QUE TUDO PODIA MUDAR DE FIGURA
MAS NUNCA SERIA, TEU PEITO TRAIDOR...”
Marilia de Dirceu (Tomas Antonio Gonzaga)

“VOCE SÓ DANÇA COM ELE E DIZ QUE É SEM COMPROMISSO...”
(Chico Buarque de Holanda)

Quem disse que é sem compromisso está muito enganada, pois esta dupla tem uma missão, a de dançar e garantir notas dez, e pra isso acontecer eles se esmeram nos ensaios e aprendizado, foram ao Rio de Janeiro se capacitaram fazendo curso de mestre sala e porta bandeira. Seus padrinhos são Marcela Alves e Rafael Rodrigues, mas aprenderam muito com Delegado, Claudinho, Denadir, Nossa Verônica... Sempre adquirindo técnicas novas. Hoje eles estão juntos e apaixonados tanto na avenida quanto na vida pessoal. São eles Delma e Tony Silvaneto. Nós da equipe Viva Samba, ao chegarmos a quadra da São Torquato para uma tarde com almoço e roda de samba maravilhosa, avistamos o casal de pombinhos e pedimos um bate papo.

Antonio da Silva Neto nasceu no dia vinte e um de maio é carioca, enfermeiro e apaixonado por escolas de samba.

Delma Lima Vieira, paulistana, profissão assistente administrativo e também ama esta cultura contagiante.


Como vocês chegaram ao mundo do samba?

x
Foi com três anos de idade no Rio, morávamos no Catumbi, hoje Cidade Nova, era no Cacique de Ramos, mas a primeira quadra que eu freqüentei foi a do Salgueiro. No Espírito Santo foi em oitenta e quatro, fui na feijoada da Jucutuquara e conheci várias pessoas, onde me fizeram o convite para ser passista.
x

x
Eu assistia ao desfile na Jerônimo Monteiro desde os dez anos de idade, meu pai juntava jornais para picar e eu adorava jogar papel picado nos foliões. Depois disso toquei tamborim durante seis anos na bateria da Imperatriz Leopoldinense do Rio, aqui nunca toquei, mas antes de ser porta bandeira desfilei de passista na Novo Império e Jucutuquara.
x
Tony, um passarinho me disse que você também é compositor de samba enredo é verdade?

X
Sim, em dois mil e cinco disputei o meu primeiro samba na Jucutuquara e não fui nem classificado (risos), no ano seguinte fiquei em terceiro lugar em parceria com Leo Vieira e Valde Brandão.

Como vocês chegaram a ser mestre sala e porta bandeira?
Estava sambando na quadra da Jucutuquara, vi a Delma e a chamei pra sambar, perguntei a ela se ela era passista, ela me respondeu que era porta bandeira. Depois de uns dias fui convidado por ela a ser seu mestre sala.
X
Fiz inscrição para concorrer à rainha de bateria da MUG, mas no dia não participei. Um dia eu estava provando uma roupa de quadrilha e fiquei brincando de porta bandeira, o Peterson carnavalesco da escola me deu a bandeira e eu nunca mais abandonei, só fui me aperfeiçoando, fazendo cursos... O Peterson que me descobriu.

X
E vocês dois quando começaram a dançar juntos?
Foi na Pega no Samba, onde ganhamos o troféu “Sinvaldo Siri” de segundo casal, fomos para a Chegou o que Faltava como primeiro casal, depois para a Andaraí, onde o Lauro que é interprete de lá nos convidou e somos agradecidos.
E a escola de coração de vocês?
Sou Salgueirense de alma, nasci na Rua Carlos de Vasconcelos na Tijuca. E Jucutuquara, que foi a escola que eu comecei em Vitória.

X
Sou Imperatriz Leopoldinense, Gaviões da Fiel e Novo Império, gosto da bateria da Império, da quadra. Aquela escola me arrepia, me contagia...

X
O que vocês pediriam a um carnavalesco na hora de confeccionar a fantasia de um casal de mestre sala e porta bandeira?
Uma roupa que resista para não soltar pedaços na avenida, mais leves e que dê flexibilidade e que tenha beleza também, porque a beleza é fundamental. A nossa roupa de dois mil e nove era da Lins Imperial, mas foi confeccionada no ateliê que presta serviços para a mangueira, e estava perfeita.

X
Que a roupa não precisa ser cara, mas tem que ter leveza e efeitos. O talabarte é muito importante, tem que ser bem adaptado à roupa, um talabarte mal adaptado atrapalha todo o desenvolvimento que a gente precisa fazer.

X
O que vocês fariam se fossem dirigentes de alguma escola?

Faria projetos sociais para levar a escola para a profissionalização. O capixaba tem um talento tão bom quanto o carioca, o que falta é amor, compromisso e seriedade, por isso que não funciona. O capixaba precisa acreditar mais, investir mais...

X
Em primeiro lugar eu me preocuparia com a raiz da escola, com as crianças, o que vier de fora é lucro.

X
Quais os projetos para dois mil e dez?
Estou trabalhando num projeto de revitalização do samba brasileiro.

X
Estou tentando pela Lei Rubem Braga uma escola de formação de mestre sala e porta bandeira.

X
Nos deixe uma mensagem:
Eu aprendi muito com a Delma, eu me completo dançando com ela. Que os amantes do samba, usem o samba como um sentimento de união e procurem dançar com amor porque o dinheiro não é tudo.

X
Não deixem o samba morrer.

X

 


 

Voltar