ENTREVISTA COM O VICE-PRESIDENTE DA MUG ARNOUD CORDEIRO

Ficha Técnica

"OI ENTRA NESTA BRIGA, VAMOS BRIGAR
PORQUE A MOCIDADE UNIDA QUER LHE PRESERVAR"

"O QUE FAZ ANDAR O BARCO NÃO É VELA ENFUNADA, MAS O VENTO QUE NÃO SE VÊ".
Platão (filósofo grego)

Domingo, hora do almoço, cardápio - frango com quiabo e polenta; sabem onde? Quadra da São Torquato. Prestigiando este evento vimos várias celebridades do samba capixaba, inclusive o Presidente da co-irmã Mocidade Unida da Glória, Robertinho, junto dele na mesma mesa esta o seu braço direito, esquerdo, enfim... Está o seu vice-presidente Arnoud Cordeiro que nos cedeu um espaço para uma conversa. O Arnoud assim como vários outros vice-presidentes estão sempre no anonimato, mas nos bastidores estão conduzindo suas agremiações com a responsabilidade de um Presidente. Quem freqüenta a quadra da Mocidade Unida da Glória presencia isso nitidamente.

O empresário Arnoud Cordeiro, nasceu no dia vinte e sete de dezembro, dia de São Benedito, santo festeiro. Casado com Maria Angélica que está sempre ao seu lado nesta vida do samba que sabemos que não é fácil, pai do Mateus ritmista, e apaixonado pela Mocidade Unida da Glória, escola que ajudou a construir. Nunca saiu da Mocidade para aventurar em outras agremiações, porque sua escola de samba é como se fosse uma família. Este muguiano de carteirinha fez a gentileza de conceder uma entrevista à Equipe Viva Samba.


Como chegou ao mundo do samba?

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Por conta do Carlos Roberto Santos Ribeiro (Robertinho). Fundamos a MUG
juntos e a partir daí nunca mais paramos de fazer carnaval.
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E qual era a sua função na MUG?

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Eu era secretário até noventa e dois. Para o carnaval de dois mil e dois,
o Robertinho me procurou para colocarmos a MUG na avenida, minha mulher falou se você for o casamento acaba, mas eu dei um jeito de continuar o casamento e reavivar a MUG. Entrei como vice-presidente e estou até hoje.

Já ouvimos dizer que na MUG existe um regime totalitário, você concorda com isso?
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A MUG é totalmente democrática, mas as pessoas não querem ter o trabalho
de dirigir uma agremiação como tal. E enquanto isso não acontece à gente fica para não deixar a escola acabar.

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Como é administrar família com samba?

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Quem resolveu administrar isso foi minha mulher, ela fala que perdeu,
porque meu filho virou ritmista, ai eram dois contra um, então ela teve que
entrar no barco. E ela navega muito bem este barco.
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Como é administrar uma escola como a MUG?

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Não é fácil você mexer com a vaidade, com o ego das pessoas. Você tem que
administrar, correr atrás de recursos e fazer tudo de uma maneira para não magoar ninguém. Você não pode perder quem é raiz da escola. A parte financeira da MUG é auto-sustentável, o difícil são as pessoas. A minha esposa me ajuda muito.

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A MUG foi avaliada por toda a mídia capixaba que em dois mil e nove seria o ano dela, porque isso não aconteceu?

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O carnaval capixaba criou–se um estigma que só existe MUG e Jucutuquara,
ai as duas se acomodaram, a mídia nos fez acomodar. Nós da MUG erramos porque nos acomodamos mais, e como resultado; perdemos pra nós mesmos. Os jurados do carnaval dois mil e nove foram extremamente competentes. Mas garanto que vamos melhorar.
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Não vou te perguntar se você fosse presidente de uma escola de samba, até porque você já atua como tal junto ao Robertinho. Mas se você fosse presidente da Liga das Escolas Samba do Espírito Santo o que você faria para melhorar o nosso carnaval?

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Daria um incentivo maior às escolas, que pra mim todas são grandes, se
elas fossem mais valorizadas as mesmas trabalhariam mais. Tentaria o turismo
como investimento no carnaval capixaba. O samba é como uma família, eu faria uma competição igual para todas as escolas.
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Quem você gostaria de ver desfilando na sua escola?

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A Luisa Brunet, eu sou fã dela, para mim seria tudo vê-la na minha Mocidade.

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Qual a mensagem que você deixa para o sambista capixaba?

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Que todo mundo continue com o coração aberto em prol do samba capixaba. E que todos os sambistas sejam muito felizes.
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