ENTREVISTA COM O CARNAVALESCO ORLANDO JÚNIOR

Ficha Técnica

"QUERO O TEMPO PARADO
E PODER REVIVER
MEU ANTEPASSADO
MEU CARNAVAL É VOCÊ"
(GRES Saudade – Unidos da Ponte 1987)

Dia de São João, feriado no município de Cariacica. Menos para os dirigentes da Boa Vista que estão se reunindo para decidirem o carnaval dois mil e dez, e eles não estão de brincadeira, querem vir para a conquista de um título inédito, o de serem campeões do nosso carnaval!

E já começaram com uma tacada de mestre. A contratação do experiente Orlandinho, tricampeão pela Nação de Jucutuquara. Como nossa equipe não para nunca, fomos até a Churrascaria Valentim, almoçamos com uma diretoria extremamente simpática e batemos um papo com o novo carnavalesco da agremiação Independente de Boa Vista.

Orlando Júnior nasceu no dia cinco de abril de mil novecentos e sessenta e quatro, na cidade do Rio de Janeiro. Estudou no colégio militar e se formou em Belas Artes pela Universidade Federal desta mesma cidade. Montou um ateliê de noivas. Começou a desenhar fantasias para um amigo e logo se transformou em carnavalesco.

Sua primeira escola de samba foi Unidos da Ponte, em seguida Unidos de Lucas e Tradição.

Esta última, ficou quatorze anos consecutivos. Em Vitória fez a Unidos de Jucutuquara. Agora está atravessando a ponte para colocar a Boa Vista na lista das grandes escolas, com o enredo “NEM TUDO QUE RELUZ É OURO, NEM TUDO QUE BALANÇA CAI”.

Um talento como o Orlandinho Júnior não pode ficar fora do nosso carnaval.


Como chegou ao Carnaval Capixaba?

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A convite do Rogério Sarmento, o então presidente da Unidos de Jucutuquara que hoje preside a LIESES. Hoje estou ingressando na Boa Vista e pretendo fazer um bom trabalho lá.
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Fazer carnaval no Rio e em Vitória, quais as diferenças, dificuldades, vantagens?

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No Rio as facilidades são maiores em todos os sentidos, até porque lá é a vitrine do samba. Agora no meu primeiro ano aqui eu encontrei muitas dificuldades, agora não, o carnaval capixaba esta crescendo, já vejo que houve mudanças. Quando a iniciativa privada participar mais do carnaval daqui teremos mais sucesso ainda.
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Qual o melhor carnaval que você colocou na avenida e se sentiu realizado?
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Foram dois: o primeiro foi “Costa do Sol” e o segundo “Sílvio Santos”, foram muito emocionantes para mim. Não tive contato com o Silvio antes, só depois, e ele foi maravilhoso. Os dois trabalhos foram na Tradição no Rio de Janeiro.
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Quem gostaria de ver desfilando na Escola que você idealiza?

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O que nunca pode deixar de desfilar na minha Escola é a alegria e o Troféu de campeão.
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Se pudesse mudar algo numa Escola de Samba o que mudaria?

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Os tititis fora de hora. Isso só atrasa o andamento da agremiação.
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Vários carnavalescos reclamam que entregam os protótipos para os chefes de alas e às vezes eles modificam muito, em alguns casos mudam até as cores, o que pensa disso?

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Isso é normal até em termos financeiros, mas lógico que deve haver uma compreensão entre o Diretor de Carnaval, carnavalesco e presidente de alas para que não haja nenhum conflito e atrapalhe o andamento da escola na avenida.
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Agora nos fale o porque do cavalo medieval no enredo da Jucutuquara, que por sinal foi belissimo, causou impacto... mas, alguns leigos não entenderam?

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A história da igreja começa na Era Medieval, no século XIV, antes da inquisição, este é o grande motivo, simplesmente isso.
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A maioria das escolas ou talvez todas, perderam pontos ou décimos no quesito enredo por estarem mal colocadas na avenida, tipo, alas invertidas, ou que não apareceram, ou tinham outro significado, etc... a quem você atribui isso?

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A falta de organização da agremiação. Se não houver um mapa, um organograma e uma harmonia eficiente você não consegue montar uma escola
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E a labareda da vaidade dentro das escolas, como você vê esta situação?

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Temos que ter muito jogo de cintura, no final acabamos controlando. A vaidade é natural no ser humano e este ser humano precisa e tem necessidade de se alimentar também de vaidade.
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Qual a maior dificuldade que você encontra dentro de uma escola?

A falta de material. Você idealiza um carnaval e não consegue fazer do jeito que imagina, isso é muito difícil para um carnavalesco. A falta de dinheiro atrapalha muito.
Qual foi o seu primeiro trabalho como carnavalesco?

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O enredo foi “GRES SAUDADE” na Unidos da Ponte. A escola estava no Grupo A que hoje é o Especial e ficamos em sexto lugar.

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Agora você está assumindo a Boa Vista para o carnaval dois mil e dez, quais seus projetos para este novo desafio?

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Os mesmos que eu fiz na Jucutuquara, sempre procurando melhorar. Dificuldades a gente encontra em qualquer lugar, às vezes em formas diferentes. O importante é ver que no final o trabalho foi realizado com êxito.

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O que você acha do carnaval capixaba? Existe a necessidade de termos uma cidade do samba, de sua opinião?

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O carnaval capixaba esta crescendo, futuramente promete. Quanto à cidade do samba; tudo é valido desde que tenha o apoio governamental.

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Nos deixe uma mensagem:

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“Feliz carnaval a todos e todas”.

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