ENTREVISTA COM O DESTAQUE DE LUXO JORGE NEPPI
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Técnica |
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"JORGE
SENTOU PRAÇA NA CAVALARIA
"OLHA ESSA É A HISTÓRIA
A equipe Viva Samba passou uma tarde batendo papo lá no Hortomercado com este descendente de italianos que tem lindos olhos azuis. De repente estes mesmos olhos vêem a Capitania dos Portos e lembra: “Antigamente eu tinha que sair escondido de casa para desfilar, porque meu pai era oficial da marinha e não permitia este tipo de coisa (risos).” Jorge Neppi Ribeiro nasceu em Vila Velha no dia quatorze de setembro, filho de dona Angélica Neppi Ribeiro e do senhor Antenor Camará Ribeiro. Ele é cabeleireiro e maquiador. Gosta de ler um bom livro, viajar, cozinhar, receber amigos em seu apartamento em Guarapari. Sempre com seu companheiro Jace Theodoro. Mas o que ele gosta mesmo é de desfilar em Escolas de Samba. Esse
moço, que prefere ficar no anonimato, não gosta muito
de mídia, é de uma simplicidade e ao mesmo tempo de
uma energia espetacular. Desfila em várias escolas, sempre
como destaque. No passado já fez parte de diversas equipes
de carnaval, entre elas a Originais do Contorno, onde ficou por três
anos. Também fez parte da Unidos da Penha, Águia Dourada
e, acreditem se quiserem, o Ricardinho da MUG
já foi seu terceiro mestre sala na Unidos de Marilândia.
Quem diria! |
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Como
chegou ao mundo do samba? |
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x Através dos meus amigos da MUG e São Torquato, comecei a participar das rodas de samba na casa do Robertinho, e entre um churrasco e outro fui me envolvendo com o samba de uma maneira que não consegui mais sair. x |
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Seu
primeiro trabalho no carnaval foi com uma equipe. Como isso aconteceu? |
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X Eu fazia magistério e tinha amigos carnavalescos. Então eu passei a me envolver e fui aprendendo a trabalhar. Fazia cabeças, fantasias, carros alegóricos... Éramos uma equipe. Já fui responsável pela comissão de frente, mestre-sala e porta-bandeira. Quando as escolas voltaram do recesso eu passei a desfilar como destaque. X |
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A
maioria dos destaques reclama que não é tratado com o
devido respeito por suas agremiações antes, durante e
após o desfile. O que você nos diz disso? |
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X Veja bem, todas as escolas devem ter um Diretor de Carnaval. Alguns funcionam, outros não. Cabe a este Diretor dar o suporte, estar olhando a posição dos destaques, dar um apoio, porque realmente você fica perdido na avenida, sem segurança. Tem pessoas querendo levar parte da sua fantasia de lembrança, você fica muito desprotegido. Fora isso, quando o carro vem quebrado coloca em risco a sua vida. Na dispersão você fica horas esperando para descer, sustentando uma roupa grande e pesada. E você não tem esse apoio. Nós estamos ficando sem Destaques de Luxo em Vitória por conta disso. As agremiações precisam se preocupar, porque não adianta um carro alegórico grande e bonito sem destaque em cima. A gente gasta um dinheiro enorme numa fantasia e quando chega na hora sobe gente que não tem nada a ver com o enredo, com o carro. Isso é muito desanimador. Acho que a Secretaria de Cultura ou a Liga, não sei bem como funciona isso, deveria incentivar mais os destaques, até os convidando para assistirem aos desfiles de outras escolas, arrumar um lugar adequado para as fantasias. Até porque gastamos muito dinheiro com nossa indumentária. Deixamos até de fazer viagens ao exterior para abrilhantar o Carnaval Capixaba. Acho que não custa nada retribuírem esse carinho. X |
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Qual
o seu melhor ano na avenida, o enredo que mais gostou, em qual escola? |
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X O enredo que eu mais gostei foi o do Pega, “Tipos populares de Vitória”. Eu vim no abre-alas, a escola me recebeu muito bem, eu senti que a escola estava preparada para retornar ao Grupo Especial. Eu adorei desfilar nesse ano, foi em dois mil e sete. X |
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Uma
cena inesquecível. |
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X Parece até que eu sou o rei dos carros quebrados (risos). Mas uma cena que não esqueço nunca foi na Unidos da Penha. O carro abre-alas, aonde eu vinha de imperador, quebrou. O pessoal carregou o carro puxando com as mãos. Com isso eu ia balançando. Só tinha um ferro para segurar, e este ferro foi entortando, e eu lá em pé. Eu comecei a suar com medo de passar mal, porque eu tenho problemas com altura. A Vânia Sarlo, que era jurada na época, mandou eu sentar e acionou o corpo de bombeiros. Até hoje ela lembra disso. E neste ano de dois mil e nove quase se repete, mas como eu sempre tenho um anjo da guarda, você apareceu. X |
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Quem você gostaria de ver desfilando no carnaval capixaba? |
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X A Luisa Brunet, ela é muito elegante, chiquérrima. Ela tem charme, contagia. Nossa! O Sambão do Povo ia abaixo, ela tem um estilo especial. Gostaria de vê-la como madrinha da bateria em Vitória. X |
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Para você, que já fez parte de equipe de carnaval, qual
o primeiro passo para se colocar uma escola na avenida? |
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X Eu acho que o ponto principal é a harmonia, a mesma é a alma da escola. Nós temos grandes escolas em Vitória que ainda pecam na harmonia. O trabalho poderia ficar muito melhor se soubessem explorar mais. Eu acho que a harmonia tem que trabalhar desde os ensaios, mas algumas escolas não têm, às vezes tem um diretor de carnaval que não sabe conduzir. O erro está por conta de material humano mesmo. Tem escola que perde o carnaval por conta da harmonia. Uma escola que eu gosto do trabalho de harmonia é a Boa Vista. X |
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O
que você mudaria numa escola de samba hoje se fosse presidente? |
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X Eu volto a te falar, trabalharia a harmonia dentro da escola, acabaria com as facções que existem, porque é isso que atrapalha o desenvolvimento de um bom trabalho. Definiria para cada pessoa sua função, colocaria cada um respeitando o limite do outro. Só assim as coisas poderiam funcionar melhor. X |
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O
tempo que nós ficamos sem desfile prejudicou ou não o
nosso carnaval? |
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X Acho que do jeito que estava não tinha condições de continuar, havia muitas escolas. Acho que eram vinte e sete agremiações juntando todos os grupos, não me lembro bem. Ai tinha escola que recebia verba e não mostrava carnaval. O recesso foi bom porque deu uma selecionada, só voltaram as melhores, tinha que dar um basta. Se não tivesse o recesso, acho que nós não teríamos carnaval hoje. X |
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O
mundo do samba como todos nós sabemos é uma fogueira onde
a labareda da vaidade é imensa. O que você acha disso? |
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Eu acho que tem sim. Em todos os setores cada um tem que se destacar.
Nós que somos destaques o nome já diz. Se eu venho com
mil faisões o outro vem com três mil pavões e por
ai vai. Mas eu acho isso uma grande bobagem. Vaidade até certo
ponto é bom, mas se passar dos limites ela começa a ser
uma coisa negativa. Aí a coisa fica perigosa e fere um pouco
as pessoas. Acho que temos que pensar na festa. Cada um tem a sua luz,
cada um tem o seu brilho e cada um vai aparecer da sua maneira. Acho
que isso é que é importante. |
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Quais
seus propósitos para dois mil e dez? |
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X Bem, eu estou fechado com a Boa Vista, com a Jaqueline Diretora de Carnaval de lá, a convite do Bino, que vai assumir a presidência. Eu já desfilei na Boa Vista e gostei muito. Costumo dizer o seguinte: paixão, paixão por uma escola eu já tive, tenho um grande respeito pela MUG porque foi lá que eu cresci. Mas hoje a escola com que eu tenho afinidade é a Boa Vista. A escola com que eu mais me identifico. Recebi também dentro da quadra da MUG o convite da Bernadete Ladislau para desfilar na Jucutuquara. Ela me falou que as portas estão abertas para mim. Tem a São Torquato em que eu já desfilei, e o Sury é meu amigo, mas certo mesmo é a Boa Vista. X |
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Nos
deixe uma mensagem. |
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X O samba é alegria. O samba traz energia, deixa as pessoas mais vivas. Acessem mesmo o site, mas dêem notas, deixem recados positivos pra que a gente possa realmente crescer com o nosso carnaval. Vamos deixar as mensagens negativas de lado porque isso só vai atrapalhar o nosso carnaval. Meu recado é este: um recado de luz, em que cada um possa dar a mão ao outro, ajudando aquele que precisa. X |

Jorge
Neppi recebendo o Prêmio Francisco Gonçalves de Melhor Destaque
de Luxo 2009

Desfilando pela Pega no Samba - 2008

Desfilando pela Pega no Samba "Tipos Populares de Vitória"
- 2007

