ENTREVISTA COM O PRESIDENTE DA PIEDADE ROBSON LESSA

Ficha Técnica

"SENHOR ME PERDOA, POR ESTE PECADO QUE EU FIZ, DESCER O MORRO SAMBANDO, ENQUANTO TOCAVA O SINO DA MATRIZ"
"SIMPLESMENTE PORQUE É A PIEDADE
"

Hoje vamos falar de uma pessoa muito especial, que em tão pouco tempo de convívio direto com o samba, passou por caminhos que muitos nem imaginam o que é. Ele não desceu de pára-quedas, foi pego a laço mesmo e um laço com nó cego.

Robson Lima Lessa, nasceu na maternidade do Dr. Arnaldo (eu também - risos), no dia seis de outubro. Turismólogo, empresário, professor, cresceu numa família com mais três irmãos no bairro de Santa Lúcia em Vitória. Hoje ele é presidente reeleito da escola de samba mais antiga e tradicional do nosso carnaval: A Unidos da Piedade.

Quem o acompanhou durante o seu primeiro mandato sabe muito bem das dificuldades e da falta de apoio que ele encontrou para colocar a escola na avenida, mas ele nunca desistiu, com todas as criticas recebidas, com os incidentes que aconteceram que não foram poucos... Até um boneco com o nome dele representando Judas no sábado de aleluia de 2008 foi posto num ponto estratégico da comunidade, mas ele se responsabilizou sozinho com tudo que aconteceu. Com dignidade mostrou que poderia fazer o que ele sempre acreditou. Nem quando ele se viu sozinho diante do resultado negativo que a escola teve ele falou em abandonar o barco, muitos fizeram isso, mas ele não.

Hoje o nosso Robson, presidente reeleito, é cumprimentado e aplaudido por todos pelo carnaval que conseguiu colocar na avenida em 2009, sabemos que não foi fácil também, mas ele conseguiu levantar sacudir a poeira e dar a volta por cima. Conquistou o Troféu “Faisão de Ouro” de melhor presidente junto com o experiente Robertinho da MUG, além dos vários prêmios e indicações que ele e sua equipe conseguiram para a “Mais Querida” do carnaval capixaba, “Unidos da Piedade”. O Robinho, assim que é chamado pelos amigos nos concedeu uma entrevista.


Quando começou no samba?

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Quando criança morava na rua Constante Sodré e íamos, eu junto de minha família a todos os ensaios da extinta Santa Lúcia, eu não desfilava nesta época, mas assistíamos o desfile na avenida Princesa Isabel.
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E a primeira vez que desfilou?

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Foi pela Chegou o que Faltava, também já desfilei na Boa Vista, Imperatriz do Forte... Mas a Piedade era a que batia mais forte. Desfilava na ala da Carminha.
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E como chegou a ser presidente?
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Num momento que a minha cabeça estava fora do lugar (risos). Na verdade a minha pretensão era ajudar na organização, já que a escola estava com sérios problemas. O Renato Santos, que era o candidato a presidente, pediu o meu apoio para ser vice-presidente. No dia de registro da chapa, o Renato e mais alguns amigos sugeriram que invertessem os papéis, aceitei o desafio, e que “desafio”....
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Qual foi à experiência adquirida?

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No meu primeiro ano eu fiz uma gestão pelos olhos dos outros, fomos extremamente infelizes com os nossos erros e permanecemos com um péssimo resultado, já no segundo ano aprendemos um pouco, porque temos muito que aprender ainda, mas corremos atrás, buscamos muito mais. Hoje é legal poder conversar sobre um tipo de ferragem com o pessoal do barracão, conversar com o carnavalesco, sobre material a ser adquirido, falar sobre tecidos nas lojas... Sem contar que tivemos a ajuda de amigos mais experientes neste processo que hoje eu só tenho que agradecê-los, principalmente ao Tadeu e ao Arion que não mediram esforços em nenhum momento.
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Como é administrar uma escola de tradição como a Piedade que até hoje não tem quadra, nem barracão?

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Falo claramente, é pepino de A a Z... Ainda mais quando se trata de uma escola como a nossa. No passado o nível de exigência do poder público era mínimo, as pessoas se incomodavam menos com o barulho de um ensaio na rua, por outro lado havia um respeito muito grande entre todos. Hoje você tem disque-silêncio, vigilância sanitária, as epidemias... Enfim tudo isso são fatores que influenciam na gestão de uma escola. No nosso caso, o Centro não tem espaço disponível e a solução é migrar para outras localidades e isso descaracteriza a essência da agremiação.
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O que te levou a tentar a reeleição?

As propostas que tínhamos na primeira gestão não foram implementadas. Com o resultado do desfile de 2009 que pra “nós” teve gosto de vitória, vimos à possibilidade de realizar ações envolvendo todos que amam a “Mais Querida”, não só para o carnaval, mas para outras atividades no decorrer do ano.
Se você pudesse mudar alguma coisa no carnaval, o que mudaria?

A verba (risos), entendo que o poder público não é responsável pelo carnaval sozinho, eu mudaria esta visão. O carnaval seria um instrumento de geração de renda, o desfile seria um evento turístico e as escolas de sambas seriam um instrumento de inclusão social, além de estarem proporcionando entretenimento e atividades culturais nas comunidades onde elas estão inseridas.
Projetos para dois mil e dez:

Colocar a Piedade na avenida é a prioridade. Tenho muitos projetos e espero cumprí-los... Pelo menos parte deles, como: barracão, quadra, festival da Piedade...

 


 

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