ENTREVISTA COM O PASSISTA EDUARDO MANOEL

Ficha Técnica

EU NÃO SOU RUIM DA CABEÇA E NEM DOENTE DO PÉ

Confraternização da Velha Guarda da Jucutuquara, várias personalidades e baluartes do samba capixaba e a equipe Viva Samba como sempre prestigiando a mais um evento. Resolvi que não iria incomodar os baluartes, então fui conversar com um jovem passista de sessenta e seis anos.

Sr. Eduardo Manoel de Almeida Ignácio, paulistano que nasceu no dia vinte e sete de março de mil novecentos e quarenta e três. Muito simpático alegre e tem tanto samba no pé que é de causar inveja a muitos jovens por ai. Talvez ele seja o passista mais velho do nosso carnaval, mas tem um samba de menino. Ele chama a atenção de todos com sua energia e vontade de fazer bonito nas apresentações da sua escola de coração.

Logo que o convidei a me ceder uma entrevista, já foi de cara me conquistando com a frase: “A pessoa que não tiver o seu sorriso, não se atreva a ser feliz”.


Como veio para o Espírito Santo?

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Quase vinte anos, eu estava saindo de um casamento em São Paulo, resolvi
mudar e procurar qualidade de vida. Primeiro vim para Vitória fiquei quatro
meses depois fui para Guarapari onde continuo até hoje.
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Em São Paulo já participava de samba?

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Sim, eu freqüentava a Rosas de Ouro e a Camisa Verde, mas nunca desfilei lá, antes freqüentava a Mangueira junto com delegado que era mestre sala, o Jair... Mas também não desfilava, era nos anos sessenta, uma época muito boa.
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E como chegou até a Unidos de Jucutuquara?
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Um dia a Jucutuquara fez uma apresentação lá no Siribeira Clube em Guarapari, e eu falei ao Rogerinho que tinha vontade de desfilar, ele me apresentou ao Joaca e ai fiz contato com o pessoal. Hoje eu agradeço a estes dois amigos.
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Como entrou na ala de passistas?

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Foi quando o Rogério Sarmento era Presidente, queriam que eu fosse para a bateria, porque não havia homens na ala de passista, o Mancha (Diretor de Harmonia) me levou até a Leda (coordenadora da Ala) e logo em seguida apareceram mais dois homens, ai fomos nós no meio da mulherada desfilar.
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Como era a fantasia de vocês?

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Bem, neste primeiro ano era uma verdadeira roupa de passista, no ano seguinte eu não gostei da roupa, achei muito feminina, ai eu fui desfilar na Velha Guarda, junto com a Regina (coordenadora da Ala).
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Por que o senhor não ficou na Velha Guarda?

Porque eu não me adaptei e como a roupa dos passistas deste ano era mais masculina, eu voltei, foi muito bom, nós éramos dez homens desfilando. Pretendo desfilar na ala de passistas até o dia que eu não agüentar, e pela Jucutuquara minha escola de coração e que me acolheu com muito carinho.
Qual o segredo de toda esta energia que o Sr. tem tanto nos ensaios como na avenida?

A alimentação vegetariana, não como carne há trinta anos, não bebo e não fumo há vinte anos. E eu gosto muito de sambar.
O Sr. sempre gostou de sambar assim?

Sempre gostei de dançar, freqüentava várias gafieiras no Rio e em São Paulo. Inclusive uma casa em Sampa chamada “Som de Cristal”, onde cantavam Jamelão, Orlando Silva, Roberto Carlos... E eu só dançava e dançava muito.
O que o Sr. acha do Carnaval Capixaba?

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Eu fico admirado com a maneira que vocês amam e fazem o samba acontecer, o paulista não é assim, o capixaba é muito mais apegado, são dedicados. O carnaval daqui tem mais energia. O capixaba tem muito samba e eu divulgo isso aos meus amigos e familiares que moram em São Paulo. O samba capixaba é muito mais prazeroso e comovente.
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Nos deixem uma mensagem aos jovens sambistas capixabas:

Que os jovens de hoje pratiquem os exercícios que eu pratico todos os dias: “VIVER INTENSAMENTE”.

 


Eduardo Passista e Iamara Nascimento

 

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