ENTREVISTA COM O MESTRE DE BATERIA REGINALDO NASCIMENTO

Ficha Técnica

"A BATERIA ANIMA, EMOCIONA E ARREPIA O SAMBISTA".
"EU FAÇO SAMBA PORQUE AMO O SAMBA".

Jogo de futebol Jucutuquara x Mocidade Unida da Glória, a Equipe Viva Samba encontra com o Mestre Reginaldo e o convida a sentar para um bate papo e ele carinhosamente aceitou.

Reginaldo Nascimento nasceu em Vitória no dia vinte e oito de setembro, morador do bairro de São Cristóvão, pai de três filhos e muito apaixonado pelo samba.

Começou como Mestre de Bateria na Unidos de Barreiros em mil novecentos e oitenta e dois, mas também já foi da Rosas de Ouro, e retornou para sua escola de coração onde faz seu trabalho com muita dedicação e competência, prova disto foram as notas que ele alcançou na avenida.

Pessoa muito simpática. É nítido o amor que ele exala quando fala da Barreiros. Chamou-me a atenção à humildade que ele falou da bateria que está sobre o seu comando, em nenhum momento ele estava em primeiro lugar e sim os ritmistas, os intérpretes e um bom samba na sua opinião é quem faz o espetáculo.


Porque a Barreiros?

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Eu nasci em São Cristóvão, minha família também, então não tenho razão para ser outra escola. Meu coração pulsa pela Barreiros.
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Como chegou ao mundo do samba?

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O falecido Toninho Lobão, fundador do bloco do Barreiros, ele que me inseriu neste mundo que eu adoro. Eu tinha mais ou menos dezessete ou dezoito anos.
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E você já foi logo para a bateria?

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Não, eu era passista, a gente também fazia de tudo um pouco, trabalhava na estrutura do bloco, afinava instrumentos...
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Como chegou a ser mestre de bateria?

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Depois de passista eu passei a ser ritmista, e teve um ano que faltavam trinta dias para o carnaval, aconteceu um problema interno na escola, e nós ficamos sem mestre de bateria. O então presidente Dílson Loureiro me nomeou, eu peguei a batuta abracei o desafio e nunca mais parei.
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O mestre de bateria tem que comandar no mínimo cem ritmistas, como se dá este entrosamento entre vocês?

Não falo pelos outros mestres, mas eu não tenho ritmistas, eu tenho cento e vinte filhos, procuro participar da vida pessoal de cada um, procuro ajudá-los no que posso. O gostoso mesmo é o carinho e respeito que eles têm por mim e eu por eles, isso me incentiva cada vez mais.
O que você achou dos jurados que julgaram bateria em dois mil e nove?

Apesar de alguns mestres continuarem reclamando, acho que a maneira do julgamento deve continuar, a Liga está trilhando o caminho certo. Não houve má intenção, achei justo o critério dos jurados. Eu mesmo tirei dois 10, um 9,5 e um 9,7, acredito eu que proporcionei alguma coisa que não agradou dois jurados. O resultado do carnaval em relação à escola campeã foi justíssimo, não coloco em nenhum momento em dúvida o título da Jucutuquara. Quem investe e trabalha mais merece mais.
O que é necessário para um bom desempenho da bateria?

A bateria precisa de um excelente intérprete, se o samba for ruim, o intérprete pode fazer com que fique bom. Eu tive um excelente samba e um excelente intérprete, e isso me ajudou muito no desempenho da mesma.
Por que a bateria é chamada de coração da escola?

Já vi escola, sem carros alegóricos, sem mestre-sala e porta-bandeira... Em noventa e um, quando estávamos desfilando aconteceu uma queda de energia, mas a bateria continuou tocando e se entusiasmou mais ainda e o público ficou emocionado com a empolgação da escola, a batida da bateria toca as pessoas, por isso que é o coração.
Se você fosse presidente da sua escola, o que mudaria?

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Primeiro eu precisaria de dinheiro, depois mudaria a estrutura dos carros, alegorias, mestre-sala e porta-bandeira... Mudaria o modo de administrar a minha escola, colocaria a comunidade mais próxima. Infelizmente a Barreiros hoje não tem comunidade. Você vê um monte de turistas que chegam afastam a comunidade e dominam a nossa escola, quando termina o desfile a escola não tem nada. Já é idéia minha fazer um desfile dentro da comunidade, valorizando o comércio local e colocar a escola para interagir junto da comunidade.
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Quais os projetos para 2010?

Bateria mirim e ala das passistas, o nome do projeto é “Seja sambista também”. Para os pais que não freqüentam a escola começarem a participar.
Nos deixe uma mensagem...

Aos sambista que tem paixão pela sua escola, que participem dela, e que façam seu trabalho com amor, porque muita gente acha que samba é coisa de vagabundo e cachaceiro, mas o samba é sério e de responsabilidade.



Mestre Reginaldo e Iamara Nascimento

 

 

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