ENTREVISTA COM O CARNAVALESCO SURY DE SOUZA

Ficha Técnica

“EU GOSTARIA QUE TODOS QUE FOSSEM ENVOLVIDOS COM CARNAVAL, O FIZESSEM COM PRAZER, EU VIVO COM A ARTE E DA ARTE E FAÇO ESTA ARTE COM MUITO AMOR”


Num belo dia de domingo do mês de maio fomos almoçar na casa de um amigo, que além de ser carnavalesco sabe cozinhar muito bem. Este amigo autodidata se chama Sury de Souza, e como a Equipe Viva Samba não brinca em serviço aproveitamos a ocasião para um bate papo. O Sury nasceu no dia vinte e dois de dezembro, dono de um talento incrível e com uma habilidade para desenhar que é uma maravilha, prova são os quadros espalhados em sua casa. Ele que começou sua verdadeira história de carnaval na Mocidade Unida da Glória (MUG), quando conquistou sua primeira vitória no ano de 1986, trazendo a Mocidade para o 1º Grupo, antes disso ele já tinha estreado como carnavalesco na Banda Arco Íris.

Em 2002 vice-campeão pela MUG, em 2003 campeão pela mesma, em 2004 foi para a Unidos de Jucutuquara a convite do Tonico do Cavaco, então presidente da época, com a saída do Tonico ele também saiu, mas voltou logo em seguida para compor a comissão de carnaval já que seus desenhos estavam prontos, veio à belíssima vitória que até hoje a Nação de Jucutuquara comenta com alegria o trabalho desenvolvido. Permaneceu na escola também no ano de 2005 conquistando o vice-campeonato, em 2006 foi o grande campeão pela mesma e em 2007 foi bicampeão, agora não mais como carnavalesco, mas como membro da equipe artística da Jucutuquara responsável por fantasias, composições e destaques. Em 2008 retorna à Mocidade Unida da Glória como Diretor de Carnaval e é o campeão do Grupo de Acesso.

A simplicidade é sua maior virtude, uma pessoa descontraída, tranqüila e muito mística, não gosta muito de aparecer na mídia, mas sim mostrar seu trabalho, está sempre pronto para atender os amigos. Já morou em várias cidades do Brasil, e acabou adotando a nossa terra como seu porto seguro. Hoje ele é carnavalesco da Independente de São Torquato escola de tradição no nosso carnaval. Sury está buscando resgatar a escola, isto é, colocá-la no lugar que ela merece, e para que isso o aconteça esta buscando os amigos que lutam pelo crescimento do carnaval capixaba, independente de qual agremiação o coração desses amigos pulsa mais forte. Para 2010 montou uma comissão artística na São Torquato e promete vir com tudo.

 


Quando você começou a desenhar?

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Desde muito cedo eu já pintava e desenhava, já fiz várias exposições na Bahia, e no Espírito Santo, tenho quadros no exterior também, agora mesmo foi uma remessa para a Alemanha. Mas ser estilista foi outra história, eu estava desempregado no Rio, um amigo figurinista me deu a idéia de fazer um teste numa grande loja, então ele me deu os rascunhos e folha de papel, passei o fim de semana todo riscando, no dia seguinte a vaga era minha.
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E sua chegada no Espírito Santo foi proposital?

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Não! Como eu era meio nômade não encontrava raiz em nenhum lugar, morei em vários lugares do Brasil, como já era estilista no Rio, um amigo me convidou para inaugurar uma loja em Linhares isto foi em 1979, e eu aceitei, em oitenta e quatro eu vim para Vila Velha a convite de outro amigo fiquei e gostei.
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Como foi sua chegada no mundo das Escolas de Samba?

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Acho que foi de pára-quedas, quando cheguei no chão vi a realidade (risos). Comecei no Rio, mas foi por um período muito curto, aqui no estado foi a convite do meu amigo Marcilio Dias que era carnavalesco da MUG na época e do Robertinho. Foi ai que tudo começou...
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Quando que você assinou como carnavalesco pela primeira vez?

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Em 1985 na Banda Arco Íris, achei tão ruim que nunca mais parei (risos). Identifiquei-me com o carnaval adoro ser carnavalesco eu me realizo fazendo escola de samba.
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É verdade que você já foi presidente da Mocidade Unida da Glória?

Sim, porque o Robertinho tinha que passar um ano fora da cidade a trabalho, como precisava de uma pessoa de sua confiança, eu fui nomeado, assim que este tempo expirou, nós saímos e nunca mais quis saber disso na minha vida. Prefiro trabalhar com a arte de fazer carnaval.
Você passou por várias agremiações diferentes, qual a experiência que você adquiriu?

Foi muito boa porque foram informações diferentes, diretorias diferentes... Gostei de trabalhar com todas, apesar de terem hierarquias diferentes, eu não deixei nenhuma delas influenciaram no desenvolvimento do meu trabalho.
O que você gosta mais de fazer, fantasias ou carros alegóricos?

Eu me realizo fazendo as duas coisas no geral, o conjunto bem feito é a minha satisfação.
Qual o tema que você tem maior identificação para desenvolver?

Os ecológicos, acho que são bem interessantes... Gosto também de temas históricos, é bom desenvolver a história de um lugar.
E qual o enredo desenvolvido por você que foi para a avenida que mais gostou?

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Todos que tiraram dez eu gostei, sinal que o trabalho ficou bem feito, e isso é o que importa pra mim.
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Qual a maior dificuldade que você encontra num barracão de escola de samba?

Várias, mas a maior é você ter que colocar a escola na avenida e não ter dinheiro pra isso, ai as pessoas ficam te cobrando como se você fosse culpado. A retirada de material também, tipo: pistola de cola quente, tesoura, cola, adereços... É muito difícil lidar com isso.
O que falta no Carnaval Capixaba para melhorar?

Muita vergonha na cara de alguns presidentes, o dia que eles se conscientizarem que tem que trabalhar para o carnaval e não para benefício próprio, o nosso carnaval vai crescer muito. Com o Rogério na Liga estamos caminhando para a realidade, mas faltam ainda vários complementos, exemplo: todo dinheiro que entra na escola tem que ser gasto em prol daquela escola.


 

 

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