ENTREVISTA COM FLÁVIO CAMPELLO - NOVO CARNAVALESCO DA JUCUTUQUARA

Ficha Técnica

QUEM É VOCE QUERO SABER, ME DIZ SEU NOME POR FAVOR...

"GOSTO DE UM ENREDO BEM ESCRITO, BEM FEITO E BEM PESQUISADO"

Hoje vamos falar de um sambista que não faz parte do nosso carnaval, mas já está aterrissando em nossa terra para fazer o carnaval da Coruja. Breve a Nação de Jucutuquara estará apresentando oficialmente o seu novo carnavalesco ao mundo do samba capixaba. A presidente da escola Bernadete Ladislau junto com seu vice: o grande e atuante colaborador Fabinho Nascimento já bateram o martelo.

Ele é Flávio Alberto Campello Rodrigues, este nome lembra alguma coisa para vocês? Talvez... Esta pessoa que estou falando é sobrinho do falecido e saudoso Arlindo Rodrigues, grande carnavalesco com vários títulos no carnaval carioca, discípulo da Rosa Magalhães que não precisamos dizer quem ela é, trabalhou com a Rosa de 92 a 98 na Imperatriz Leopoldinense, assinou seu primeiro carnaval em 99 na Lins Imperial ficando em quinto lugar, em 2005 e 2006 assinou o carnaval do Leão de Nova Iguaçu em 2007 e 2008, fez a União do Parque de Curicica onde recebeu o prêmio "Parangolé" da Secretaria de Cultura do Rio, pelo cruzamento de idéias na criação e concepção de fantasias. Em 2009 consagrou-se campeão na MOCIDADE ALEGRE DE SÃO PAULO, fazendo parte de uma comissão de carnaval RECEBENDO O PRÊMIO NOTA 10 DE MELHOR ESCOLA.

Flávio Campello formou-se em Arquitetura e Urbanismo pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), e em Cenografia e Indumentária pela escola de Belas Artes na mesma Universidade. Nasceu no dia quinze de novembro de mil novecentos e setenta e sete e aos oito anos de idade desfilou pela primeira vez na Imperatriz Leopoldinense onde seu tio era carnavalesco. Daí não parou mais. Um rapaz muito simpático que nasceu na Vila Isabel terra de Noel e onde só dá gente bamba teve a gentileza de conceder esta entrevista em primeira mão para a equipe VIVA SAMBA.


Como chegou ao mundo do samba?

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Através da minha família, meus pais sempre foram diretores da Imperatriz Leopoldinense apesar de eu ter nascido na Vila Isabel e morar lá até hoje. E o tio Arlindo que era carnavalesco da mesma...
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E como resolveu seguir a carreira de carnavalesco?

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Acho que tive a influência do meu tio (Arlindo Rodrigues), apesar de que quando faleceu eu era muito novo, mas sempre o admirei, tenho guardado comigo vários desenhos desenvolvidos por ele, que já me ofereceram pra comprar mas eu não abro mão nunca.
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Você teve o privilégio de trabalhar com a Rosa Magalhães carnavalesca consagrada no carnaval, dona de vários títulos e prêmios por todas escolas que ela passa, como foi isso?

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A Rosa foi a maior incentivadora na minha carreira, tudo que eu aprendi foi com ela, eu aprendi mais com ela do que na escola de Belas Artes, onde ela me incentivou a fazer o curso de cenografia e indumentária.
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Como você chegou até a Mocidade Alegre?

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Recebi a proposta e como gosto de desafios, aceitei. Trabalhei com uma comissão que era formada por Sidnei França, Márcio Gonçalves, Fábio Lima e eu.
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E você gostou de trabalhar com uma comissão de carnaval?

Sim, porque ninguém se envolvia com o trabalho do outro, cada um cuidava da função que lhe cabia, eu era responsável pela criação e administração de todo o carnaval, o meu papel na comissão era de carnavalesco, e era cobrado como tal.
E você encontrou uma boa estrutura de trabalho?

Não muito, os carros têm que ir para a concentração uma semana antes para serem montados, e ninguém têm uma estrutura para confecção dos mesmos, os meus, por exemplo, ficaram em baixo da ponte, faltando dias para o desfile deu um temporal em São Paulo que a água veio até nossos joelhos, foi um desespero, mas no final deu tudo certo. A Mocidade Alegre tinha seiscentos mil para fazer aquele carnaval, ai é a hora de você usar da sua criatividade. A Prefeitura de São Paulo tem um projeto de construção da Cidade do Samba para ficar pronto em 2012 acredito que quando for concluído, as escolas ficarão numa situação melhor.
Gostou de fazer carnaval em São Paulo?

Gostei porque fui campeão, mas o carnaval de Sampa é diferente do carnaval carioca, é muito frio, o carnaval lá é mais torcida de futebol do que escola de samba, e esta mistura não dá certo, uma coisa que observei em São Paulo é que as alegorias são muito grandes, mas não tem um bom acabamento, eles não se preocupam muito com isso mas com a dimensão que as alegorias tem que ter na avenida, com o impacto que vai causar, eles estão mais preocupados em ir pro livro dos recordes que ganhar carnaval. Não pretendo fazer mais carnaval em São Paulo, mas como sou um profissional tenho que buscar trabalho.
Porque você saiu da Mocidade Alegre?

Sai pelo fato de ter sido campeão, talvez se eu não tivesse conseguido estaria lá lutando pra fazer um bom carnaval.
E no Rio não pretende fazer Grupo Especial?

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É o meu sonho, eu recebi um telefonema do Paulo Viana da Mocidade Independente de Padre Miguel, mas acho que ainda não é o momento pra eu assumir o Grupo Especial do Rio, eu não vou pela primeira oportunidade, ainda mais uma escola como a Mocidade que já está perigando a muito tempo, é muito arriscado para uma pessoa que está começando, mesmo sendo campeão em São Paulo. Espero que com trinta e cinco anos eu faça o Grupo Especial do Rio, este é meu sonho..
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Como conheceu o Carnaval de Vitória?

Entrando nos sites de Carnaval do ES, como gosto de estar sempre buscando, achei interessante o carnaval daqui. Ai um grupo de amigos aventureiros, me chamaram para vir assistir o desfile, pegamos o carro e chegamos na sexta-feira por volta das quatro horas, descansamos um pouco num hotel do centro e fomos para o sambódromo.
O que você achou do nosso Carnaval?

Muito interessante, a começar porque se inicia uma semana antes do carnaval oficial, depois ele tem a essência do carnaval do Rio, quando vi a Jucutuquara desfilando me impressionou muito. Percebi também que existem duas escolas brigando pelo título, a própria Jucutuquara e a MUG, as outras ficam brigando de fora. Achei estranho e engraçado a entrada do sambódromo daqui, quando veio à primeira escola perguntei da onde surgiram os carros? Depois notei que o portal fica numa curva.
E como foi pra chegar até a Jucutuquara?

Entrei no site da escola, vi alguns comentários que o Orlando Jr provavelmente não seria mais carnavalesco, no mesmo site tinha o telefone da presidente Bernadete, eu tentei arriscar oferecendo meus serviços. Começamos a fazer contato e hoje nós estamos frente a frente, como você está vendo, para fazer a Coruja voar.
Como eu já falei lá em cima você trabalhou com a Rosa Magalhães na Imperatriz Leopoldinense, com a Solange Cruz Bichara Rezende na Mocidade Alegre, sei que em 99, 2007, 2008 você trabalhou com mulheres na presidência também, e agora você oferece seus serviços a uma escola onde também temos uma mulher presidente, é opção ou mera coincidência?

Acho que é minha sina (risos), a experiência que tive com a Rosa foi diferente porque ela era carnavalesca, ela me dirigia, com a Solange e as demais foi bastante diferente porque elas eram presidentes, com a Rosa eu trabalhei com o lado artístico, com as outras foi o lado de direção e administração de uma escola, mas eu gosto muito de trabalhar com mulheres.
Qual o seu pensamento sobre ser carnavalesco?

Acho que o limite de um carnavalesco tem que ser por uma média de quatro anos, o próprio carnavalesco tem que se tocar e ver que ele já está saturado dentro da agremiação, não que ele não seja competente, mas cada carnavalesco tem um estilo próprio de fazer carnaval, ai automaticamente a escola fica repetitiva para quem assiste.


Flávio Campello, Bernadete Ladislau e Iamara Nascimento

 

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