ENTREVISTA COM ALMIR SAPATEIRO

Ficha Técnica

NUNCA BEBI ÁLCOOL NA VIDA, MAS VIVO NO MEIO DA CACHAÇADA!

Como diz o verso do samba:
“Igual ao Almir Sapateiro, sem dinheiro e ser feliz”

Sábado, dois de maio de dois mil e nove, esta data ficará para sempre na minha vida. Cheguei no tradicional churrasco de aniversário de um amigo, lá pelas bandas de São Torquato e logo sou apresentada ao Sr. Almir Alves da Cruz, o "Almir Sapateiro" fundador do extinto Bloco do Caveira; bloco este que eu morria de medo quando criança e que depois deu origem a Independente de São Torquato.
O senhor Almir Sapateiro no auge dos seus setenta e seis anos, esbanja uma simpatia contagiante e um humor maravilhoso. Eu tive a honra de conversar um pouquinho com um baluarte tão ilustre do samba capixaba.


Como surgiu o Bloco do Caveira?

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Em 1952, Vitória era muito difícil de se arrumar emprego, então a gente tinha que ir para o Rio de Janeiro para se arrumar. Em Duque de Caxias tinha um Bloco, ai nós copiamos e trouxemos para cá. "O bloco do Caveira não foi fundado, foi copiado".
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E como o bloco foi para as ruas?

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A princípio era todo mundo vestido de mulher e os instrumentos eram latas. Quando chegamos a ponte (Cinco Pontes ou Florentino Ávidos), eu desisti de ir e falei que aquilo não era para mim.
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O Bloco tinha alegorias?

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Sim, era um ônibus que fazia a linha São Torquato/Jucutuquara, nós o transformávamos em forma de caveira, igual ao de Duque de Caxias.
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Quando o bloco virou escola de samba?

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Em 1974 quando já não podia mais concorrer como bloco, porque ganhava sempre, em 1975 desfilamos pela primeira vez como escola de samba, daí pra frente a Escola nunca mais acabou.
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Porque o senhor deixou de participar da organização do samba?

As coisas ficaram muito difíceis, porque ninguém acredita mais em ninguém por isso eu e muita gente abandonamos o samba.
O tempo sem desfile (93 a 97) prejudicou o samba capixaba?

O que matou foi a ganância dos dirigentes, querendo cobrar direito de arena, ai começaram a fundar várias escolas de samba só para colocarem a mão no dinheiro, naquela época o dinheiro era mais fácil, porque não se prestava conta de nada.
Como vocês colocavam uma escola com a grandeza que era a São Torquato na avenida?

Com amor ao pavilhão. Nós levávamos os carros alegóricos no braço mesmo, até a avenida Princesa Isabel. Hoje todo mundo quer ganhar, ritmistas, intérpretes, pessoal do barracão... Não se tem mais amor pela escola.
Por que o senhor nunca foi presidente da São Torquato?

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O presidente tinha que ser uma pessoa influente para as coisas funcionarem direito. Hoje só tem gente sabida. Eu não era influente, eu era uma espécie de faz tudo na escola, desde concerto de tamborim até o calçado do pessoal.
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E qual o presidente que a sua escola teve de mais influência?

Ah! Foi a Neuza, ela era de garra mesmo. Com o falecimento dela muita gente desanimou e a escola nunca mais se reergueu.

Obs: A Neuza que ele se refere, além de ser presidente era Porta-bandeira da Escola e mãe do Peterson Alves atual carnavalesco da Mocidade Unida da Glória.


Almir Sapateiro e Iamara Nascimento

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