ENTREVISTA COM OS ENREDISTAS EDSON TADEU E ARION CARLOS

Ficha Técnica

Tadeu Cruz

Arion Carlos

Edson Tadeu Campostrini Cruz e Arion Carlos Ribeiro
A dupla que deu certo!

Tadeu, Engenheiro Civil, mestre em Engenharia Geotécnica pela Universidade de Nagoya, no Japão. Especialista em Comércio Exterior, trabalha atualmente com importação, nascido em Vitória, filho de seu Edison Cruz e Dona Dagmar, ex-professora do Colégio Padre Anchieta. Quem passou por lá nos anos 60 e 70 sabe de quem eu estou falando.

Arion, Psicólogo mestre em Psicologia pela UFES, atualmente alia as atividades de Terapeuta Comportamental e Professor Universitário, nascido na Serra do Caparó (Iúna), filho de José Delfino e Dona Anízia, também professora famosa da região. Talvez possamos tirar daí a explicação do porque eles são considerados grandes enredistas do ES, filho de peixe, peixe é.

Em 2009, Escreveram o enredo e propuseram a setorização da Piedade, com o enredo: “Sete de Setembro: histórias e memórias da rua que virou samba”. Contribuíram também com as pesquisas para o enredo da São Torquato, “Rio Doce: deleite de uma princesa” do carnavalesco Sury de Souza, de quem são grandes amigos, e colaboraram também com Paulo Balbino no desenvolvimento do enredo “Sete portais, sete encantos, divino Espírito Santo” quando o mesmo ainda era o carnavalesco da Andaraí.


Como vocês entraram no mundo do samba? Há quanto tempo?

x
Assistindo as transmissões da TV desde muito jovem, depois indo para o Rio assistir e desfilar, sempre em várias escolas, afinal minha prioridade é me divertir. Talvez este começo tenha contribuído para que eu pense o carnaval capixaba com um pouco mais de ousadia. No ES, só com o retorno do carnaval, passei a assistir e desfilar também em várias escolas, antes não morava em Vitória. Em 2003 eu já freqüentava e desfilava na Jucutuquara, estava me mudando para o bairro e tinha muitos amigos da escola com quem conversava sobre projetos de carnaval; após o fracasso do 9º lugar fui convidado pelo então presidente Tonico do Cavaco, para integrar a comissão de carnaval da Jucutuquara para o desfile de 2004. A partir daí tivemos os 4 brilhantes anos da administração do Rogério e sempre fomos bem tratados por ele, que pôde contar com nossa colaboração sempre que precisava ou se algum dia vier a precisar.
x
Comecei acompanhando tudo que falava sobre samba em revistas. Depois que os desfiles passaram a ser transmitidos pela televisão, fora o tempo que vivi no exterior, não deixei de acompanhar nenhum ano, seja pela televisão ou ao vivo. A participação direta, entretanto, só começou bem mais tarde, depois de minha volta ao Brasil no carnaval de 1987, levado por um amigo de infância, o Marcelo Bonino, que todos conhecem no mundo do samba capixaba.
E esta história de pesquisar, fazer enredo, como começou?

X
No meu caso em 2003, para o carnaval de 2004, quando escrevemos eu, Tadeu, Kátia Galvão e Anclebio Jr. o enredo “Quantos mais caminhos houver mais descaminhos haverá...” com base em uma idéia do Anclebio, que queria falar sobre o barroco mineiro, e do Tadeu que propôs como fio condutor do enredo o decreto real que transformou o Estado numa barreira verde. A partir daí participamos das comissões de escolha de enredos para a escola, quando não estávamos concorrendo, e também da elaboração de alguns outros que chegavam como ótimos temas, mas com fraco desenvolvimento. Hoje vivemos um outro momento, temos recebido alguns convites pra colaborar com algumas pesquisas de enredo. O Tadeu é quem concebe as idéias brilhantes, eu só escrevo bem por também ter formação acadêmica, daí formamos uma boa parceria, o tempo de convivência diária ajuda, pois conversamos muito sobre as possibilidades e caminhos quando estamos pensando em algum tema.
X
X
A convite do Marcelo Bonino, participei de um grupo para escrever um enredo que, devido às circunstâncias da época, acabou resultando no enredo de Jucutuquara para o ano de 1988 – "Mistérios da Ilha Revelados pelas Cartas do Tarô". A história da elaboração desse enredo, por si só, já daria para fazer um outro enredo, ou mesmo escrever um livro. Foi muito divertido, pois acabou virando uma grande colcha de retalhos. Gostaria de um dia poder contar essa história. Em 1990 o Robson Paysan convidou a mim e a Suely Celestino para juntos escrevermos um enredo para o concurso da escola. A princípio nenhum de nós tinha a menor idéia do que usar como tema. Até que eu, em um dos meus devaneios, sugeri a "Torta Capixaba", que no fundo era uma grande brincadeira, uma maneira jocosa de instigar os capixabas a pensarem sua própria identidade. Ganhamos o concurso e o Luiz Fernando Barbosa Santos, um cara desde sempre muito antenado, e que era presidente da Jucutuquara na época, resolveu enfrentar as resistências e colocar o desfile na rua. O resultado de minha “maluquice” foi o primeiro campeonato da história da Jucutuquara. Ainda bem, se não, acho que teria que mudar de bairro, e nunca mais por os pés em Jucutuquara. Pena que, mesmo com o campeonato ganho, até hoje haja pessoas que não tenham entendido a proposta do enredo, e critiquem o fato de terem sido obrigadas a desfilarem fantasiadas de ovos, caranguejo, palmito, sururu, etc. Algumas pessoas são muito mal humoradas. Elas se esquecem de que o carnaval é uma festa lúdica, uma grande fantasia, que deve sempre emocionar, mas antes de tudo, proporcionar prazer e diversão.
X
Muita gente se emocionou com o enredo da Piedade deste ano, até quem não era ligado a carnaval ficou interessado pela história, me falem um pouco disso, vocês atingiram seus objetivos?

X
Mais do que o enredo, a Piedade emociona quando faz um belo desfile, por ser uma das mais antigas e quase madrinha de todas as outras, a Piedade é unanimidade no mundo do samba, daí quando a diretoria nos convidou para escrever um enredo e, mais que isto, aceitou a proposta que fizemos sobre a Rua Sete, nós é que no sentimos privilegiados em poder contribuir com a escola que estava precisando resgatar sua auto-estima. No mais queremos agradecer ao internauta Júnior de Guarapari que fez a sugestão do tema aqui no site Viva Samba, provando que uma boa idéia pode surgir de diferentes maneiras, ao presidente Robson Lessa pelo voto de confiança e ao carnavalesco Alex Santiago que foi muito sensível as sugestões que fizemos. Quanto ao interesse despertado nas pessoas, penso que era previsível, afinal, como dizia no texto do enredo, “quem nunca foi a Rua Sete”?
X
X
Consideramos o objetivo plenamente alcançado. Desde nossa primeira reunião com a diretoria da escola, quando traçamos o projeto de carnaval para o desfile da Piedade em 2009, ficou decidido que não tínhamos cacife para tentar o título, mas até pela força do tema, teríamos condições de ficar entre as seis primeiras. Compensando a deficiência econômica, optamos por um desfile que despertasse as emoções do povo capixaba. Pela reação do público e pela receptividade que o enredo teve, fazendo a escola voltar a ter um lugar de destaque na mídia, recebendo vários dos prêmios distribuídos em 2009, acho que acertamos na veia. O resultado foi o quarto lugar, que para nós teve sabor de vitória. Obviamente esse resultado positivo não se deve apenas ao enredo. Foi um trabalho de equipe, onde todos os envolvidos entenderam a importância de seu papel e deram o máximo de si. Na verdade acreditamos muito nisso. Trabalho de escola de samba para dar certo não pode ter espaço para estrelismos. Todo mundo tem que baixar a bola e chegar junto, se não, não dá liga e o bolo desanda, entendeu?
X
Arion, além de fazer enredo você já está consagrado no carnaval capixaba como destaque de luxo, prova disso são os inúmeros troféus que eu sei que você tem em casa. Como você começou? Quando começa a confeccionar e quem te ajuda? As escolas dão ajuda de custo, quem te patrocina?

X
Desfilo como destaque desde 2003, antes mesmo de me envolver com enredos. Fantasia de carnaval é sempre algo meio de última hora, são sempre feitas nas férias, trabalhamos muito e não vivemos de carnaval. Além dos profissionais de costura e ferragem, o trabalho todo é feito em casa mesmo pelo Tadeu com a minha colaboração a de alguns amigos. A única coisa que faço questão é de tentar ser fiel à concepção do carnavalesco, como ele é o artista e pensa as fantasias dentro da concepção do enredo e da alegoria, gosto de tentar ser fiel à suas idéias, e não admito em hipótese nenhuma desfilar com roupa desbotada alugada no Rio. Quanto à ajuda de custo nunca tive, pelo contrário já vivi até situações inusitadas com diretores equivocados que acham que os destaques, além de gastar com a fantasia, deviam pagar algo pra escola, mas isso já faz parte do folclore de certa agremiação.
X
Gostaria de informar que me aposentei desse papel de fazer fantasias para o Arion. Suportar cheiro de cola fria e queimar os dedos com pistola de cola quente, nunca mais. Finalmente consegui comprar minha carta de alforria. Espero que ele também cumpra a promessa feita de que se aposentou de desfilar como destaque.
Me contem uma cena marcante, na visão de vocês, nestes anos de carnaval.

No carnaval de 2004 da Jucutuquara, a reação do público quando o carro da corte de D. João V entrou na avenida, era a absoluta cara de espanto com o que tínhamos conseguido fazer. E como naquele ano tínhamos virado inúmeras noites trabalhando, até planta baixa tivemos que aprender a fazer, o resultado adquiriu um peso maior afinal o trabalho e o salto conseguido foram enormes.
X
Assistir ao vivo a vitória do meu Salgueiro em 1993 com o enredo “Peguei um ita no norte”. Agora, mais do que uma cena, destacaria uma experiência marcante. O privilégio de ter sido convidado para escrever o enredo da Piedade em 2009 foi uma grande emoção. Algo inimaginável para mim até a bem pouco tempo. Nem que vivesse mil anos teria tempo para expressar toda a minha gratidão a Piedade, que nos recebeu e depositou sua confiança em nosso trabalho com tanto carinho. Culminou com o presente que recebi da escola, que foi o convite para desfilar no último carro junto com a Velha Guarda da escola. Ver toda a escola na nossa frente, lá do alto, e em tão boa companhia, foi uma cena realmente marcante e que nunca poderei esquecer.
X
O que vocês apreciam no mundo do samba?

A diversão, o ritmo, encontrar os amigos, assistir e desfilar, enfim, ajudar a fazer carnaval e me divertir das mais diferentes formas. Eu gosto de quase tudo, até morrer de rir com os delírios e factóides plantados todo ano de que isso e aquilo vão acontecer, esta ou aquela vai fazer diferente e vão arrebentar, que tal coisa já esta pronta e embalada pra ir pra avenida, quem conhece minimamente de carnaval sabe que não é tão fácil assim, que em alguns casos é quase um milagre que tudo de certo; definitivamente não se faz uma fantasia de um paetê.
X
Considerando apenas o universo dos desfiles das escolas, o mundo do samba é uma realidade virtual por excelência. É a arte do efêmero. Sendo assim, a minha relação com esse mundo é sempre um misto de respeito e deboche, reverência e escracho. Encanta-me a possibilidade que o mundo do samba nos dá de fazer essa grande festa de ritmo, cores, brilhos, misturados com pitadas de história, e muito de sonho. Em pensar que tudo isso é feito por milhares de pessoas que nunca se viram e, ainda assim, conseguem manter uma certa ordem e apresentar um espetáculo coerente, com início, meio e fim, é algo inexplicável. Principalmente levando-se em conta que o brasileiro não é nem um pouco regrado. Muito pelo contrário, somos um povo irreverente, sem compromisso com horário e espaçoso por natureza. Por outro lado, o grande barato é poder se descolar da realidade. Como disse o Arion, os factóides são deliciosos. Tudo é “o melhor do mundo”, “o maior que já se viu”, “custou os olhos da cara”, “não tem para ninguém”... Isso tudo é muito engraçado. Principalmente quando vem de pessoas que realmente acreditam naquilo que estão dizendo.
X
O que vocês mudariam?

Carnaval é um processo coletivo, não necessariamente democrático, as mudanças são consequências deste trabalho. Ou o coletivo propõe, muda e avança ou as lideranças são “antenadas” e fazem as propostas e as pessoas da escola apóiam, de qualquer modo aprendi que é preciso ter paciência e cada coisa só acontece no seu tempo, inclusive os retrocessos.
Apesar de saber que é impossível ser diferente, se pudesse mudar alguma coisa, gostaria de fazer com que as relações fossem menos voláteis, e as verdades mais absolutas. Já faz algum tempo que entendi que no mundo do samba “tudo que é sólido desmancha no ar”. A alternativa para não sofrer muito com isso é o bom humor. Ou seja, aprender a rir de tudo, principalmente de si mesmo.
Qual o melhor enredo que vocês já colocaram na avenida?

X
Bem, não foram tantos assim e cada um tem sua importância. O de 2004 foi importantíssimo para mim porque, além do enredo, todo o carnaval foi feito coletivamente e depois do 9º lugar de 2003, ter contribuído de alguma maneira para que a Jucutuquara definitivamente se solidificasse como a grande escola que é hoje muito me envaidece. Este trabalho já vinha sendo feito pela presidente Bernadete Ladislau que, nos anos anteriores, investiu muito na qualidade dos ensaios e nas alas, atraindo grande público. Faltava fazer um grande carnaval. Aquele ano a escola foi unanimidade semelhante à de 2009. O de 2008, "De Vitória a Samotrácia: um canto de vitórias” foi importantíssimo pelo tanto que aprendemos trabalhando com o Orlando Jr. que nos pediu inclusive uma proposta de setorização para o desfile.
X
X
Concordo com o Arion de que a criação coletiva do enredo, e a elaboração do desfile na comissão de carnaval de Jucutuquara para o desfile de 2004 foi uma experiência definitiva para aqueles que tiveram o privilégio de participar dela. Absolutamente tudo que foi para a avenida foi resultado de discussões intermináveis e deliciosas entre os membros da comissão. Não havia um chefe, todos da comissão tinham direito de opinar, discordar, propor alternativas. Foi um trabalho exaustivo, não tínhamos grandes experiências em carnaval, e ninguém da comissão era propriamente um carnavalesco. Apesar dessa limitação toda, o resultado superou as expectativas e a escola foi campeã. Por outro lado, tenho uma grande ligação afetiva com o enredo da Piedade 2009. Escrever sobre a Rua Sete foi escrever um pouco sobre mim mesmo, meus pais, amigos de infância. Precisei fazer entrevistas com familiares, tios, tias, amigas da minha mãe, amigos de meu pai, ou seja, pessoas que viveram aquela época. Trabalhar com a memória afetiva das pessoas, cruzar histórias que muitas vezes não batiam umas com as outras, tudo isso foi muito gratificante. Nesse sentido acho que foi o trabalho mais emocional e elaborado que já fizemos.
X
E o que vocês já viram e gostaram? Alguns melhores momentos?

Foram muitos, me lembro dos primeiros desfiles do João 30 na Beija Flor, assistia-se a “verticalizaçao” do carnaval. Os campeonatos da Barroca Rosa Magalhães, o nascimento da concepção Paulo Barros, acompanhar isto é muito bom. Mas 2005 foi o último ano com uma maioria de ótimos desfiles no Rio, de lá pra cá esta cada vez mais morno, somente uma ou outra fazendo a diferença.
X
Destacaria dois desfiles. O mais marcante será sempre “O Rei de França na Ilha da Assombração”. Desfile campeão do Salgueiro em 1974. Um prodígio saído das cabeças incríveis de Joãozinho Trinta e Maria Augusta, baseado no culto sebastianista. Foi a partir daí que comecei realmente a prestar atenção aos desfiles. Vi várias fotos da época, li o enredo, e o samba é para mim o mais belo samba enredo já feito. “In credo in cruz, ê ê, vige Maria, as preta veia se benze, me arrepia. Ô, ô, ô Xangô, as preta veia não mente, não sinhô”. Definitivamente é de arrepiar. Outro momento que tenho como uma grande referência foi “Mais vale um jegue que me carregue, que um camelo que me derrube... Lá no Ceará”. Nestes tempos de enredos patrocinados, é uma verdadeira aula da grande mestra Rosa Magalhães. A solução encontrada por ela para o enredo foi absolutamente genial. X
X
E alguns piores momentos?

Também foram muitos, mas para mim a pior coisa que assisti nos últimos anos foi o fiasco do desfile da Caprichosos de Pilares homenageando o ES. Aquilo foi equívoco do início ao fim, da escolha da agremiação que receberia o patrocínio, da concepção do enredo ao que foi mostrado não teve capixaba que se identificasse com aquilo.

Concordo com o Arion. Apesar de admirar muito o trabalho do Chico Spinoza, acho que o enredo sobre o Espírito Santo para a Caprichosos um dos piores momentos que já passaram pelo sambódromo. Não entendi até hoje como um cara com o talento dele pôde cometer tamanho equívoco. Mais recentemente, destacaria os exageros estilísticos do Paulo Barros, como o carro de cabeça para baixo na Viradouro.

Quais são seus Projetos para 2010?

Algumas agremiações nos contataram para pedir nossa colaboração, mas o que queremos mesmo é nos divertir com o carnaval. Temos muitos amigos no carnaval capixaba e sempre estamos abertos a ajudá-los quando nos solicitam.
Continuar nos divertindo e, eventualmente, se tivermos oportunidade, contribuir com nossa loucura para o carnaval capixaba. Falando em loucura, o mais engraçado de nossa história é que mesmo os que nos conhecem de perto acham que eu sou muito centrado, o “certinho”. Ledo engano. Eu sou o maluco da dupla. O Arion é o meu norte, a âncora que me mantém preso ao chão, se não eu viajo mesmo. É ele quem dá forma a minha piração, sempre colocando as palavras certas nos lugares certos.

Enredos desenvolvidos por eles ou com suas colaborações que já foram para a avenida:

* Mistérios da Ilha Revelados pelas Cartas do Tarô (co-autoria do enredo) - Unidos de Jucutuquara 1988

* Na mistura da torta, nossa mistura (co-autoria do enredo) - Unidos de Jucutuquara 1990

* Quanto mais caminhos houver, mais descaminhos haverá (comissão de carnaval) - Unidos de Jucutuquara 2004

* Quem é você, as máscaras que ocultam também revelam (comissão artística) - Unidos de Jucutuquara 2005

* Os tambores de Jucutuquara soam nas terras dos Botocudos. Linhares a jóia do Rio Doce (comissão artística) - Unidos de Jucutuquara 2006

* Caparó Capixaba, os encantos da montanha sagrada (comissão de escolha de enredo) - Unidos de Jucutuquara 2007

* De Vitória à Samotrácia: um canto de vitórias (autoria do enredo) - Unidos de Jucutuquara 2008

* Rio Doce: deleite de uma princesa (pesquisadores do enredo) - São Torquato 2009

* Sete portais, sete encantos, divino Espírito Santo (co-autoria do enredo) - Andaraí 2009

* Sete de Setembro: histórias e memórias da rua que virou samba (autoria do enredo) - Unidos da Piedade 2009





Voltar