O Encanto das escolas de Samba Vermelho e Branco Capixabas
Por Déborah Sathler*

No último dia 06/02, aconteceu um encontro que ficará para a história da Carnaval, foi o "Baile Vermelho e Branco" , na quadra da MUG, com duas das três agremiações bicolores do Espírito Santo. A Barreiros não pode se apresentar devido ao Baile dos Artistas, onde a escola realizou uma apresentação. A noite foi maravilhosa com apresentações de Luizinho Taj Mahal e Cyara. Cada uma com sua especificidade e estilo. São três ares diferentes, o da MUG com sua jovialidade, o do Barreiros com sua audácia e finalmente o da tradição com a Independentes de São Torquato. Nada melhor que falar de cada um desses "ares" de forma única. Afinal, o vermelho é a cor do amor, da paixão e do sangue misturado ao branco, cor universalmente conhecida como cor da paz . Esse combinado de cores costuma encantar e produzir amores inabaláveis e incondicionais. Vamos começar com a Barreiros, depois passamos pela São Torquato e pela MUG.


Barreiros, a grande virada.

A Unidos de Barreiros que recentemente comemorou 37 anos em grande estilo em sua nova quadra e com um grande show pode ser definida com uma palavra, AUDÁCIA. Audácia por estar colhendo os frutos de uma ATITUDE. Em vez do famoso chororô promovido pelas escolas de samba que não possuem quadra própria, a Barreiros resolveu seguir os passos de uma co-irmã que há anos faz dos seus ensaios um sucesso alugando um espaço físico, a Unidos de Jucutuquara. Podemos nos perguntar, por que eles não pensaram isto antes? Toda ação gera uma reação. Quando a Barreiros se viu sem a quadra pequena e sem infra-estrutura que possuía em São Cristóvão, veio o xis da questão. E agora o que vamos fazer? Continuarmos tímidos e acuados ou vamos despertar para um novo momento. A escolha foi pela segunda opção, muito mais arriscada. Mais foi a escolha certa. E é assim em nossa vidas quando nos deparamos com um problema; enfrentamos ou botamos para debaixo do tapete. Claro, que a nova diretoria foi fundamental em colocar as pessoas certas no lugar certo, motivá-las e principalmente deixar claro qual é a sua função e que seu espaço é limitado, como diz a música "cada um no seu quadrado". Mas foi fundamental essa virada para a Barreiros e para outras escolas que possuem potencial de marketing, torcida, mas preferem ficar no chororô de não ter quadra e por isso não têm como arrecadar. A Barreiros provou que isso é conversa fiada, o que falta é ousadia. Parabéns Barreiros, terra de gente competente que achou o caminho de aparecer positivamente no mundo do samba e dando exemplo para escolas que possuem mais de cinqüenta anos nas costas e continuam choramingando. Gostaria de destacar o nome da algumas pessoas que trabalham com empenho no Barreiros, desculpa se eu esquecer de alguém como: o Rafael, da área de eventos, conheço o Rafa há mais ou menos uns 10 nas das rodas de samba em Maruípe e é sangue novo que trabalha com gana pela escola e não enjoa de divulgá-la, a Andréia, colega jornalista parabéns pelo belíssimo trabalho, o Paulista, barreirense antigo dos tempos
das épocas magras, muito magras, o João Elias guerreiro da época do Independentes do Eucalipto, assim com Mário Chapa Halls, artista do samba, o Marquinhos Gente Bamba (cara bacana chegou sua vez garoto), Maneco (manera, manera, manera...) Didilson pela perseverança, o Marquinhos pela paciência de sempre, ao mestre Reginaldo pela dedicação e outros barreirenses antigos como Satu (ex- intérprete), Lambari, Flavinho, Rafae l(in memoriam), Dioguinho (sua voz é chata pra caramba, tô brincando, um abraço para a família), Rafaela (ex ritmista da MUG, beijo, faz falta...) e outros. E para homenagear o alusivo de agora é lindo mais esse poderia ser cantado na quadra, é lindo.

" na batida do meu tamborim, no rufar do meu tambor, simboliza que o Barreiros chegou...."

 

Águia Guerreira com outra cara.

Sou uma sambista consideravelmente jovem, mas é impressionante o que ouço sobre a Independente de São Torquato. Fico imaginando como o tempo é ingrato e professor. Há tempos atrás quando a escola voltou e disputava o grupo de acesso muito se falava dos tempos de glórias e que esse tempo poderia voltar. Sinceramente da forma que estava sendo conduzida a escola, parecia uma utopia. O jogo começa a mudar nessa nova administração, primeiro pelo gás e disposição que Zé de Anália e sua equipe injetaram na comunidade e na escola e depois pela volta dos eventos e de componentes da época de ouro. Muito se fala da São Torquato hoje, o que não era comum há tempos atrás, e isso já é um grande ponto positivo. Nas apresentações e quando se mostra para um grande público a impressão que passam é de uma escola organizada e de um povo aguerrido. E isso é fundamental para novamente conquistarem a credibilidade, palavra chave para que a comunidade chegue, assim como, os novos componentes. E ela está no caminho certo e a última prova será de novo no Sambão, o que eu acredito será a definitiva para a São Torquato voltar ao lugar que nunca deveria ter saído. Lugar em termos de posição e status, pois dos corações dos mais saudosistas e mesmo de quem começa a enxergar a escola com outros olhos, ela nunca saiu. Parabéns pelo trabalho, correndo atrás, sem lamentação, trabalhando, é isso aí. A escola conquistou a admiração de muita gente neste novo momento. Abraços e meus sinceros votos de sucesso para a Velha Guarda, para o Mestre Genivaldo e sua bateria Fúria Vermelho e Branco, Detefon (ele vai me xingar, te adoro tio), Pipo e sua indiscutível humildade, Derson, Jorge Neppi (acredita na escola e esse é sambista dos bons), Isabele (linda, uma bela escolha), Attílio e outros. Adoro o alusivo de vocês e como cantam com paixão, deve ser as cores da escola. Abraços a todos desta comunidade de quem torce pelo samba.

" Amo você, Independente (...) Bateria que alucina, como é bom te exaltar..."

 


MUG, é como falar de filho(a) sem ser imparcial.

Olha, deixei a minha escola por final por que estava demorando a pensar o que ia escrever. Como escrevo de madrugada e já tinha fumado 10 cigarros e pensando me perguntei, como vou falar da MUG neste contexto das três escolas vermelho e branco capixabas. É algo tão simples e tão complexo. É meio emocional e meio racional. Só quem ama uma escola sabe disso, é como casamento (e eu sei bem o que é isso, casei duas vezes) temos momentos mais e menos apaixonados, brigas, lágrimas, some de vez em quando e bate uma culpa, aparece, dá vontade de desistir, defendemos, gritamos, queremos convencer que o nosso é o melhor. Pra sair é difícil, dói, machuca, faz falta, a gente volta, se revolta e se de qualquer jeito não der certo na maioria das vezes ancoramos em outro porto seguro ou em outra escola. Escola de samba é isso. Quem nunca vivenciou essa experiência não sabe o que está perdendo. É um turbilhão de emoções. A escola de samba que amamos é algo tão fascinante que dá medo. É tão fácil entrar e tão difícil de sair, pois mexe com o coração, com o emocional, pois o seu trabalho, não é só para a escola, para a instituição, é para uma comunidade que vê na escola de samba seu referencial de vida. É lá que eles são mestres, diretores, passistas, animadores, alunos e professores. Coisa que na nossa sociedade é difícil essas pessoas terem identidades. Anônimos que o Carnaval os fazem sentir agentes principais da transformação. Essa é a magia e o segredo que talvez os órgãos públicos, os empresários e muita gente deveria ter a sensibilidade social de entender. É tão óbvio e tão difícil para quem não vive o Carnaval entender.

A filha pródiga.

Às vezes me perguntam o que a MUG têm? Somos simplesmente apaixonados pelo que fazemos, verdadeiros "tarados", no bom sentido da palavra, pela nossa escola, pois é lá que cantamos, sorrimos, choramos, fazemos festa, comemoramos nossas vitórias, brincamos com nossos filhos, brigamos, comemos quitutes dos deuses, recebemos conselhos do "papai" Robertinho, botamos a cabeça no lugar, perdemos quando o assunto é a nossa escola e por aí vai. Mas nos unimos quando o assunto é nossa escola, nosso pavilhão, esse é o ideal comum e ninguém de nós é maior que a instituição MUG e é por ela que trabalhamos, cada um da sua forma e no que sabe fazer. Afastar do dia a dia da nossa escola é como nos afastarmos de um parente. Parece que estamos em dívida com eles. Os muguianos são sempre filhos pródigos. É esse, o sentimento que nos move, cada um fazendo a sua parte para no final continuarmos sendo a "Majestade Mocidade Unida da Glória."

"...Que coisa mais linda é a minha Mocidade querida..."

Se você ainda não é apaixonado por nenhuma escola de samba se renda aos encantos das escolas vermelho e branco capixabas. Uma delas vai entrar no seu coração e você vai ser mais feliz. Se dedique a uma escola de samba e verá como é bom viver isso.

 

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* Déborah Sathler é jornalista, pós graduada em Comunicação Empresarial, gerente da Rádio Espírito Santo/TVE, consultora em assessoria de imprensa, vencedora por duas vezes do Prêmio ABERJE de Jornalismo e uma vez do Prêmio de Jornalismo do Sicoob/OCB de Jornalismo Cooperativista e Diretora de Comunicação da MUG.
e-mail: deborahsathler@gmail.com