A
importância de um profissional de comunicação nas Escolas
de Samba Capixabas
Por
Déborah Sathler*
É importante pensar. Por que as escolas de samba precisam ter um profissional de comunicação? Se formos pela lógica, grande parte do que absorvemos em informação é repassado por alguém, ou seja, por um jornal ou revista que é escrito por alguém, por um site que é feito por alguém ou por um programa de rádio ou TV que é feito por alguém. Não existe charada. As empresas, o governo e os artistas contratam assessores de imprensa por que é alguém que faz parte da imprensa que vai divulgar informações de interesse público do produto, da pessoa ou da escola de samba para quem é da imprensa. Que por sua vez vai repassar para você. É um ciclo e esse ciclo quando é bem feito dá resultados maravilhosos. E é por isso que esta função hoje é tão valorizada. Ela é estratégica. São pessoas falando a mesma linguagem. Um assessor de imprensa que é repórter sabe qual pauta atrai mais, o que dá uma boa imagem, afinal é a prática do jornalismo. Para quem mandar um release, qual o melhor texto para divulgar uma ação da escola. Aliás, telefone de assessor deve estar no site visível, pois se a imprensa não achar ele com certeza vai achar o de outra escola. Além de atender a escola o assessor deve assessorar também os componentes da escola. Eles passam a ser fontes como: a rainha de bateria, o mestre de bateria, o presidente, o projeto social e tudo que leva o nome da escola. Claro que é importante ter um bom relacionamento com a imprensa. Já que ela é o filtro entre a escola e os sambistas o assessor deve ter credibilidade e ter disponibilidade sempre. Um bom assessor deve ter por obrigação bom trânsito com a grande mídia. Isso facilita e muito. Muitas vezes ou na maioria das vezes quem cobre Carnaval não entende e nem freqüenta escola de samba. Isso não é problema quando o assessor esclarece a dúvida do repórter ou comunicador com as pessoas da escola e repassa isso. O assessor também não sabe tudo, mas se estiver entrosado com o pessoal da escola vai tirar de letra e afinal ele ta dentro da escola fica mais fácil. Aquela figura antiga e ultrapassada do assessor que faz tudo locução de quadra, porta-voz da escola, fotógrafo brigão e que quer aparecer mais do que o presidente, a bateria e as passistas, perdeu o lugar. Hoje o assessor deve ser ágil, pensão que interessa a mídia atuar na área de responsabilidade social e ter bons relacionamentos, o chamado “networking”. Divulgar só na época de Carnaval também é um grande erro o trabalho deve durar o ano todo.
Tratar bem a imprensa na quadra da escola quando estão trabalhando então, como repórter já passei por maus bocados em algumas quadras aí, pelo amor de Deus! O cara ta ali divulgando o seu produto, o seu espaço, as pessoas da sua comunidade e ser mal recebido é demais. Não é puxar o saco mais ser cordial é o mínimo. Depois algumas escolas não sabem por que não divulgam nada deles, também?!
E não pense que é coisa de escola grande, não. Os capixabas possuem essa mania. Não vou fazer por que sou pequeno. Espera aí todo mundo já foi pequeno. E para ser grande têm que ser pequeno primeiro. Hoje até botecos capixabas estão investindo na prática de assessoria de imprensa. E se eu te falar que são os botecos que mais lotam. Depois vem gente choramingando e não sabe por que o bar dele não fica tão lotado quanto o do vizinho. Mas também a receita é para todo mundo faz o bolo certo quem quer. Em um mundo globalizado não dá para ficar virando sardinha de concorrente. Nem chorando leite derramado. Alguns persistem no bordão, coitada da minha escola. Coitada nada! Arregaçar as mangas é a palavra de ordem. E olha que têm muitos colegas jornalistas que freqüentam as quadras, gostam das escolas, mas preferem sair de destaques e outras “coisistas” mais do que ajudar com o que sabe fazer. Aí depois na apuração fica chorando jurando amores pela escola. Quem ama se dedica. Você pode me perguntar. Por que você defende tanto o setor de comunicação em uma escola de samba? E eu te respondo que se eu fosse da Harmonia eu fazia de tudo para também reconhecerem meu setor. A gente é valorizada o tanto que a gente acha que merece. Todos os setores numa escola de samba são importantes, uns valem notas outros não. Cabe cada um defender e correr atrás.
Atualmente poucas escolas capixabas possuem assessor de imprensa ou diretor de comunicação. No Rio de Janeiro todas as escolas e até blocos possuem e é de fácil acesso. Pude constatar quando fui cobrir em 2006 a Caprichosos de Pilares, lá fui recebida pela assessora que me atendeu o tempo todo que estava na quadra e depois por telefone nas entrevistas. A Liesa também possui um forte aparato jornalístico não só no desfile mais durante o ano todo. Quando fui ao Salgueiro junto com os diretores da MUG no ano passado fui recebida pelo jornalista Flávia que fez questão de anunciar a comitiva e me deu todas as informações que precisava. E finalmente quando me aprofundei nos estudos do projeto Estrelinha da Mocidade Independente de Padre Miguel, para fazer o então projeto, MUG do Futuro também contei com a ajuda do assessor de imprensa da escola. Essas experiências mostraram a importância de se ter um profissional de imprensa em uma escola de samba. E se eles estão anos luz na frente da gente não vamos insistir em fazer errado, né? Nos dias de hoje a gente ainda ouve que não pode imitar o que é bom. O que é bom é para ser copiado ou você vai perder tempo inventando a roda de novo.
Parabéns as escolas que neste ano investiram neste setor seja trocando nomeclatura e colocando a comunicação como diretoria importante ou dando mais espaço para os profissionais trabalharem. Parabéns Jucutuquara, Piedade, São Torquato e Boa Vista. Se alguém souber de mais alguma me avise. Pena que são poucas.
Gostaria de agradecer também ao pessoal da MUG que batalha junto com a gente: Professor Wemerson Torres, ao mais novo colega jornalista Marcus Vinícius, ao comunicador Rafael Meneguel e ao Bruno Salles.
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Déborah Sathler é jornalista, pós graduada em Comunicação
Empresarial, gerente da Rádio Espírito Santo/TVE, consultora
e vencedora por duas vezes do Prêmio ABERJE de Jornalismo e Diretora
de Comunicação da MUG.
e-mail: deborahsathler@gmail.com