MUG,
uma declaração de amor.
Alegria, alegris, chegou a Mocidade.
Os ensaios da Vermelho e Branco da Glória.
Por
Déborah Sathler*
Domingo. Eis o dia do espetáculo. O dia de preparar mais um ensaio da MUG. A quadra começa a se movimentar logo cedo. Entra em cena o pessoal do Departamento Feminino e da Harmonia da escola. Limpa, arruma,verifica, faz tudo de novo. Sambistas anônimos que com a alma e o coração preparam a prévia do Carnaval. A lua começa a clarear no céu e é um sinal de que todos devem se aprontar. Os homens e mulheres que trabalham no barracão, as senhoras da cozinha, o pessoal da ferragem, a diretoria, os voluntários, enfim todos. Com respeito às cores e ao pavilhão querido alguns vão para casa enquanto outros se arrumam ali mesmo. Os tambores ecoam no ar e o som avisa que o ensaio vai começar. Pelas ruas pacatas da Glória, pode-se ver o frenético comércio fechado e a imensa fábrica de chocolates que deu fama ao bairro. Você está no reduto do samba. Daí para lá tudo lembra um pedacinho da Mocidade Unida da Glória. A praça onde tudo começou. Avista-se o escudo. Cheguei. No bar da frente e nas barraquinhas que cercam a quadra todos começam a fazer o aquecimento. A ansiedade e a vontade de entrar naquele templo do samba aumentam. O coração já começa a bater mais forte. Lá dentro a galera do samba e do pagode começam a levar um som. Os visitantes curiosos olham para todos os lados e observam que já vêm chegando os ritmistas, doutores do ritmo da escola querida. Passos apressados e ás vezes lentos vão dando o tom ideal ao local. Oito e meia da noite, a rua já está tomada por sambistas, jovens, adultos e crianças amantes do bom samba que ao entrar na quadra verificam a imagem de três mil pessoas embaladas pela bateria de Mestre Eufrázio. Tudo lindo. Ao som da voz única do intérprete Ricardinho passam pelo chão Diego e Delma bailando com o pavilhão. Respiro um pouco, dou uma olhadinha para a lua, que também dá seu show, olho para frente e lá vêm elas as passistas da Mug, a madrinha de bateria Gizele, a rainha Fernanda, todas dando um show para o público. As baianas lá de cima sentadinhas admiram o frescor de mais um ensaio. Na cozinha o movimento é grande assim como nas bilheterias, nos caixas e no bar. Tudo orquestrado para que nada saia errado. Ninguém consegue ficar parado, afinal, estou na Mug, sinto na pele um ar juvenil, aconchegante. É verdadeiramente um local de encontro de gerações e de escolas. Receptividade e sorrisos. É impossível não se apaixonar. É quase um apelo:- Vem para a Mug! A noite vai se despedindo. O ensaio já está acabando. O pessoal que trabalhou o dia todo para não decepcionar vai ter seu merecido descanso. E o povo vai deixando a quadra com gostinho de quero mais. As luzes se apagam e você pensa que acabou. Enganado. Quem nunca tomou uma cerveja no bar do Seu Zequinha? Ou terminou o ensaio e ficou ali na frente para tomar uma saidera de alma lavada? Você ainda não conhece os ensaios da Mug? Corra e se delicie no paraíso vermelho e branco da Glória. Seu domingo com certeza nunca mais será o mesmo. Ele será inesquecível!!!
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Déborah Sathler é jornalista, pós graduada em Comunicação
Empresarial, gerente da Rádio Espírito Santo/TVE e Diretora
de Comunicação da MUG.
e-mail: deborahsathler@gmail.com