UMA FÁBRICA DE SONHOS CHAMADA CARNAVAL... (PARTE 1)
por
Flávio Campello
E no princípio era o Entrudo, trazidos pelos portugueses, e em suas bagagens, limões de cera! Dá pra imaginar a loucura que se tornara a pacata Terra Encantada, que recebera o nome de Novo Mundo, mais tarde, Terra Brasilis!
Que nesta terra se plantando tudo dá, não tenha dúvidas! Plantou-se diversas formas de se brincar a “Festa Profana”, a “Festa Pagã”, que se tornaria num futuro, agora presente, na maior festa popular do mundo, onde reis e rainhas inventados são coroados, e embarcam a partir dos arautos de um Brasil-Mulato, a cor de sua nação!
Nesse mundo encantado, existem fadas e magos, grandes artistas, que transformam o sonho em realidade, ano, após ano, contagiando milhares de foliões que vestem suas fantasias, extravasam com alegria, as loucas e mirabolantes histórias e estórias contadas por esses artistas geniais!
Escolas que formam sambistas, enormes fábricas que contam com a ajuda de ferreiros, carpinteiros, escultores, pintores, artistas inspirados na herança de grandes artistas que um dia contribuíram com essa história!
Durante os nove meses de trabalhos, idéias vão surgindo, corres
vão emergindo das aquarelas, das mesas e pranchetas dos grandes artistas
que têm a missão de transformar o sonho em realidade!
E dizem que fomos catequizados, mas na verdade fazemos carnaval!
No início do século XX, da fundação da primeira escola de samba, “Deixa Falar” em 1928, e do primeiro desfile, na Praça Onze no Rio de Janeiro, no início, composto em sua maior parte de negros vindos da Bahia, e que moravam na região da Saúde, e nos mostraram a ginga do samba, nos terreiros das “tias baianas” nas ruas e avenidas da cidade maravilhosa!
Corsos, ranchos e cordões, as grandes sociedades, vão inspirando sambistas na construção do carnaval que conhecemos hoje em dia! Desfiles memoráveis, inesquecíveis, envolvem com muita magia o imaginário desses artistas que tem a missão de manter as luzes da mágica fábrica dos sonhos, sempre acesas, para que a grande festa popular brasileira se torne surpreendente!
São aproximadamente, nove meses de intenso trabalho, para que o povo se transforme em reis e rainhas, em príncipes e princesas, em imperadores e imperatrizes, em sambistas imortais que adentram o mês de fevereiro na torcida, para que sua agremiação ponha os pés na avenida de cabeça erguida, altaneira, imponente, para que honre as cores do seu pavilhão!
E nessa loucura maravilhosa, torcemos não para que uma, mas para que todas consigam apresentar um bom trabalho, fazer um bom desfile!
Sonhamos, criamos, idealizamos, executamos, vencemos ou perdemos, mas jamais deixando de acreditar em nosso trabalho, em nossa agremiação.
Na verdade, o carnaval não acaba e jamais acabará na quarta-feira de cinzas!!!
Que nossas fábricas de sonhos jamais deixem de nos proporcionar alegrias e encantamentos!!!
Que o carnaval capixaba mostre ao mundo o seu real valor!!!
* Flávio Campello é carioca, arquiteto, artista plástico, carnavalesco campeão pela Mocidade Alegre de São Paulo e atualmente é o carnavalesco da Unidos de Jucutuquara.
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