DUELO DE FAVORITAS
por Anilson Ferreira

Um duelo de favoritas

Após um ano sem se enfrentar, as "arqui-rivais" escolas de samba capixabas, Unidos de Jucutuquara e Mocidade Unida da Glória (MUG), irão duelar suas belezas no Sambão do Povo em 2009. No ano passado, a Jucutuquara foi campeã do primeiro grupo - conquistando o tricampeonato - e a MUG campeã do segundo grupo. Em 2007, por conta de um carro quebrado, a escola de Vila Velha perdeu muitos pontos e foi rebaixada. Do ponto de vista da evolução do desfile isto é uma espécie de "meu bem, meu mau". Ou seja, a rivalidade é grande e contribui para o engrandecimento do desfile. Mas pode ser ruim para as agremiações Novo Império e Unidos de Barreiros - que querem entrar nessa briga. E a Barreiros desponta como grande surpresa do ano. Com uma super quadra, o reforço do carnavalesco Paulo Balbino como trunfo, e um samba-enredo que anima a galera, a agremiação promete sacudir a passarela do samba.

Pode ser que a dobradinha da "Coruja" X MUG não emplaque. Mas, vamos aguardar se, na avenida, as escolas vão surpreender. Detalhes vão decidir a posição das favoritas. Tanto a Unidos de Jucutuquara quanto a Mocidade Unida da Glória têm temas que não agradaram muito às suas comunidades e o mundo do samba. A tricampeã vem cantando o Convento da Penha. Já a MUG levará para o sambão São Mateus e escravos.

A "Coruja", por tratar de um tema religioso, já declarou que não terá mulher nua em seu desfile deste ano. Além dos temas - um tanto desanimadores, os sambas-enredo já foram melhores nas duas agremiações. O da "Nação" não chega a empolgar. Apesar de ter um dos melhores puxadores do Estado, Kleber Simpatia. Ele concorre com o Ricardinho da MUG; Emerson Xumbrega, da Boa Vista e Lauro, da Andaraí. A bateria da Jucutuquara trocou de mãos: passou do mestre Ditão para Mestre Edmilson. E a tradicional batida - já questionada pelo ex-presidente Tonico do Cavaco, por a considerar com influência dos tempos de bloco de rua - permanece.

No caso da MUG, a bateria é uma das melhores. Comandada por Renatinho, e com um intérprete que se apresenta o ano inteiro em festas - Ricardinho - a escola sempre dá show. E este deverá ser o quesito que definirá, por meio ou menos.

Pequenos buscam superação no samba

Seis são as agremiações que formam o baixo clero, e que lutam para surpreender no desfile do Sambão do Povo. As escolas Andaraí, Rosas de Ouro, Tradição Serrana, Imperatriz do Forte, Piedade e Chegou o que Faltava, formam o "baixo clero" do samba capixaba. Isso devido às dificuldades, sobretudo financeiras, pelas quais passam as agremiações. Mas nada, segundo as diretorias das escolas, será empecilho para que elas busquem a superação.

No entanto, há otimismo na agremiação que, assim como Vasco X Flamengo, que tem uma "guerrinha" particular, garantem que ficam na frente da Barreiros. "O título está difícil, mas na frente da Barreiros ficamos". Vamos nos estruturar para 2010. Nossa alegria será a dor de uma 'picada' nela, garante o presidente da Andaraí. O tema da escola, 'Os sete portais do Espírito Santo', faz um passeio por todo o estado. Com um carnavalesco importado, Marcelo Portela, que veio das escolas pequenas do Rio de Janeiro, e com uma boa quadra de eventos, o Campo do Caxias Futebol Clube, se esperava mais da Andaraí.

Imperatriz: um tema mágico a espera de uma fada madrinha

A verde e rosa do Forte São João, Imperatriz do Forte, vem falando de uma lenda: "O dia em que o Penedo falou!". Da pedra, em frente à comunidade, saiam fadas, bruxas, duendes e outras para expulsar os invasores holandeses e franceses. Para a escola ser campeã, estes seres terão que sair novamente e as bruxas infernizarem as 'favoritas' e 'zebras'. Uma das coisas que a escola tem de bom é o intérprete, Marcinho Diola. Ele vem subindo de produção a cada ano. "Temos que nos superar, pois vamos bater de frente com as 'grandonas'. Nossa bateria tem que melhorar e muito, nós precisamos muito dela".

O samba no pé é garantido, mas isto é muito pouco, faltam grandes carros alegóricos, destaques luxuosos e outros. O presidente, Marco Aurélio, é otimista. "Desfile se decide na pista. Ninguém ganha antes. Vamos surpreender a Jucutuquara e MUG. Elas já perderam pontos em outros desfiles".

Na verdade, o que falta a Imperatriz do Forte é uma quadra própria, o que não é difícil de conseguir com uma diretoria influente. A comunidade conta com o vereador Luisinho Cotinho para conseguir este sonho para 2010.

Rosas de Ouro.

A escola de Serra Dourada está atravessando uma verdadeira estrada de espinho. O presidente, Reginaldo Silva, está lutando para que as dificuldades sejam superadas. "A mudança na prefeitura, saindo um prefeito brigado com o que entrou, atrasou tudo. Mas vamos superar isso".

A agremiação cantará os países onde o Brasil ganhou as Copas do Mundo: Suécia, Chile, México, Estados Unidos e Japão. Seus maiores trunfos são o intérprete Danilo Cesar: a maior revelação no setor. Baixinho no tamanho, mas gigante no talento, é o único que cantar samba e estuda música, incluindo as clássicas. "Vou estrear na pista e cantar com minha bateria, apoios e músicos para levantar a arquibancada. O samba é fácil, e isso é bom". No CD dos sambas-enredos das escolas capixabas a gravação foi feita com outro intérprete, que brigou com a direção da Rosas de Ouro.

Caçulinha leva folclore para a avenida

Com menos de dez anos, a Tradição Serrana está buscando superar as dificuldades financeiras e fazer um desfile bonito. A caçulinha do samba, Tradição Serrana, vem enaltecendo o folclore de Fundão até a Serra, com carros de bois, escravos e outros. Os seus problemas financeiros são os mesmos do seu vizinho, a Rosas de Ouro. Mas o presidente, Jasson Silva, garante que isso não vai atrapalhar. "Já estamos acostumados a lutar com dificuldades. Aqui, resolvemos as coisas com a nossa comunidade". Por ser um tema simples, o luxo será dispensado. O que entrará, garante a diretoria, será a originalidade, com muitos índios, escravos, feitores, engenhos e demais. Seu intérprete, Willian da Tradição, é bom. E sua bateria garante o ritmo com alguns reforços de escolas co-irmãs. A escola é humilde e, talvez, por isso não se exige muito dela. Deveria lutar para ter uma quadra própria e promover eventos. Já a sua diretoria é séria, diferentemente de algumas outras que não têm credibilidade da comunidade, imprensa e autoridades.

Piedade e a Rua Sete

Com um tema ótimo e bem original, a tradicional Piedade vem cantando o seu terreiro: a "Rua Sete". E, apesar do bom samba, a agremiação vive dias difíceis, sem uma quadra própria. Sua intérprete, Tereza Cristina, retrata bem a ex-super-campeã: "Estamos lutando para mostrar um desfile digno e vamos conseguir. Apesar das dificuldades". Na verdade, a Piedade tem uma bateria, time de intérprete e torcida. Os demais itens faltam. E, para complicar, tem brigas internas. Para fazer bonito, cotam com Edson Papo Furado como intérprete e a simpatia da mídia e autoridades.

Na cotação, MUG ganha apertada da Jucutuquara

Após conversas com carnavalescos, apaixonados pelo samba, formadores de opinião do mundo do samba, diretores de agremiações, e ouvir impressões, chegamos à conclusão sobre as favoritas. A Mocidade Unida da Glória (MUG) leva vantagem sobre todas as outras. Apesar de a Unidos de Jucutuquara ter conquistado o tricampeonato no último ano, ela ainda, de acordo com as pessoas que nos ajudaram a chegar a estas conclusões, fica devendo em muitos aspectos à MUG. A agremiação da Glória, em Vila Velha, tem 99,5% de chances de ter o título. Seu enredo, samba e comunidade demonstram isso.

A Jucutuquara, por sua vez, tem 99% de chances. Vencer a rival é difícil, mas não impossível. O mais complicado é superar a si própria. E será esta exigência do júri com ela.

No caso da Unidos de Barreiros, que junto com a Novo Império formam a dupla de 'pedras nos sapatos', tem 80% de possibilidade, com seu belo samba e ótimo carnavalesco, Paulo Balbino. Já a Novo Império fica com 75% com a força da família imperiana e sua nova e excelente diretoria.

Zebras. Na cotação das possíveis 'zebras' vem a mais cotada, a Pega no Samba, com 65% com seu tema fácil de ser entendido, sobre o fim de semana. A Boa Vista tem a mesma porcentagem, com seu bom intérprete Emerson Xumbrega e sendo a única de Cariacica.

Já a São Torquato, leva 60% por conta da contratação do carnavalesco Sury de Souza, que se deu títulos a MUG e Jucutuquara.

Na turma de menor investimento, a Andaraí tem 55% de chances de ter o título por conta da sua bateria e o intérprete, Lauro. A Piedade fica um pouco abaixo, com 40%, já que tem torcida e tradição. A Rosas de Ouro tem uma porcentagem um pouco menor, 35%, e conta com o peso de um ótimo intérprete, Danilo Cesar.

No caso da Imperatriz do Forte, as chances chegam a 30%, por conta do samba no pé e o intérprete Marcinho Diola. No caso da Tradição Serrana a situação é a mesma, com seu presidente, Jason Silva, e sua boa comunidade.


Será que chega?

Por último, ficou a complicada Chegou o que Faltava. E ela, infelizmente, nunca chega. Estamos a onze dias do desfile, que acontece nos dias 13 e 14 de fevereiro, e a escola simplesmente não realiza nenhum ensaio. Existe uma briga interna na diretoria com liminares contra e a favor. A prefeitura de Vitória repassou R$ 80 mil à escola. E isto é dinheiro público. Será que tudo vai ser aplicado na Avenida? A Chegou o que Faltava fica sem cotação, pois mais uma vez corre o risco de não chegar para desfilar. Vale lembrar que são estimativas do que está sendo realizados pelas escolas. Na avenida nós sabemos como se inicia um desfile, nunca como termina... tudo pode acontecer.

Lieses aceita licença da Chegou o Que Faltava

Após matéria na Radio Espírito Santo, uma comissão de avaliação foi criada formada por Robertinho da Mug, Eucarly da Imperio e Caram da Rosas de Ouro foi feita uma visita a Chegou e se concluiu que não tinha fantasias, bateria, carros elegoricos e outros. Ao ser questionado o presidente da agremiação Getulio Marques, resolveu pedir licença, que foi aceito pela diretoria da Lieses. Ao saber da noticia previdências foram tomadas e a ordem do desfile fica a mesma, excluindo a Chegou. Foi feito justiça, pois são 80 mil da PMV e 25 mil do Governo Estadual e sendo dinheiro publico, não pode ser desviado. Outras duas escolas correm o risco de serem penalizadas, segundo o presidente da Lieses, Rogério Sarmento.

Chegou o Que Faltava não recebeu verbas

O presidente da Chegou o Que Faltava, Getúlio Marques em contato com o colunista Anilson Ferreira, afirma que a agremiação não recebeu nenhuma verba da Prefeitura de Vitória e do Governo do Estado. Portando não tendo que devolver a verba pública, segundo ele.

Na próxima semana falaremos sobre as demais escolas.

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* Anilson Ferreira é radialista, comentarista de carnaval, esportivo, político, social e sambista. Atua na Rádio Espírito Santo onde atua de segunda a sexta de 16h30min as 16h45min junto com Ferreira Neto, no quadro Carnaval Até o Carnaval, com noticias atualizadas sobre o mundo do samba.
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